Apatia, desorganização e retranca impedem o tricampeonato do Santa

Montagem sobre Divulgação/SCFC
Montagem sobre Divulgação/SCFC

A cara da apatia do Santa Cruz contra o Salgueiro


"O Campeonato Penambucano tá assim: É a torcida do Náutico com medo do Sport, a torcida do Sport com medo do Santa Cruz e a do Santa com medo do próprio time."


É verdade, amigos e amigas corais. Esse torcedor que ligou para a Rádio Jornal depois da primeira semifinal entre Santa e Salgueiro disse tudo. Estava escrito. Desorganizado taticamente e financeiramente, sem criatividade e sem vontade o Santinha deu adeus à chance de conquistar mais um tricampeonato na década.


A gente fica arretado, claro. Mas, se olhar direitinho, vamos combinar que não era justo ir para a final diante do cenário pintado no Arruda. Os erros cometidos no vergonhoso rebaixamento na Série A do ano passado parecem não ter servido de aprendizado para o Tricolor. E o preço começou a ser pago também em 2017.


Primeiro de tudo: sabe quanto é a folha do Santa Cruz né? R$ 450 mil por mês. Cerca de metade da que era paga no ano passado. Então, como é que o clube dá uma enxugada dessa, reajusta o planejamento financeiro e não consegue pagar RIGOROSAMENTE em dia por quatro meses? Desse jeito, criou-se a margem para o assunto cair na boca de jogador e da imprensa na semana decisiva das duas competições do primeiro semestre. Parabéns, diretoria!


Aliás, Alírio anda sem a mesma presença e prestígio no clube. Já Tininho, se acomodou no cargo de diretor de futebol. Para renovar com Roberto e contratar Jaime só pode estar trabalhando no automático. O cara não sabe nem correr direito, quanto mais ser zagueiro profissional.     


Mesmo com os problemas fora do campo que sempre têm a mesma desculpa para existirem, a camisa coral é pesada e a gente chegou aos trancos e barrancos. Dependendo sempre da bola parada de Anderson Salles para salvar o dia... A torcida já vai para o jogo rezando por uma falta perto da área.


Peraí, doido. Um time não pode se contentar com apenas um jeito de se fazer gol. Semana passada, no Mundão, abrimos 1x0 de pênalti, e pronto! Os jogadores pararam de tentar aumentar a vantagem. Fazendo CERA dentro de casa! Ótimo resultado para se levar para Salgueiro não é mesmo? A covardia deu no que deu.


Essa frouxidão pode ser resumida em três ícones do time do Santa. O primeiro é David. Meu amigo, como é que um volante não dá UM bote em ninguém. Só faz o migué, carai. Dando aquela cercada e tocando a bola de lado. Se esconde do jogo. Pior, é titular absoluto e nunca é substituído.


O segundo é Everton Santos. Jogou no PSG mesmo parceiro? Não vai pra cima de um lateral do Belo Jardim! Você é ponta, meu filho. Tem que dibrar, dar um tapa na velocidade... #SaudadesKenaldinho.


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O terceiro é Eutrópio. O comandante da mazela que foi esse mata-mata contra o Salgueiro. Com a vantagem mínima, coloca a bunda na parede e opta pela entrada do terceiro volante no lugar de um meia. Elicarlos (que tá com um buchinho massa) só deixou o time ainda mais recuado e não conseguia trocar três passes, juntamente com o restante do time. Quando levou o gol de Rodolfo Potiguar e resolveu desfazer a cagada, Eutrópio tirou Gino e colocou Leó Costa. David estava errando tudo no jogo. Mas ele é intocável.


Pitbull, coitado, vinha buscar a bola quase no círculo central, sempre de costas para o gol, procurando uma alma perdida para tabelar. Ainda deixou a desgraça do Everton Santos na cara do gol de Mondragon, mas nem o domínio nosso camisa 7 conseguiu acertar.


Divulgação/SCFC
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Diretoria optou por enxugar (muito) a folha para honrar os compromissos, mas nem isso está sendo feito. Contratações não renderam o esperado


Aí o time continua sem produzir e o torcedor olha para o banco e vê Nininho, Jaime, Wellington Cezar, Roberto, Facundo Parra, William Barbio, Júlio Sheik... Complicado. Para ser campeão com um time fraco desse tem que ter muita raça, como na época de Jeovânio e o Time de Guerreiros. É muito frustante saber que se o Santa tivesse jogado 50 centavos de futebol estaria agora na final contra o Time de Satã...


Nas redes sociais e nas ruas, a torcida já adotou o discurso da pressão sobre o treinador. Também acho que se o time não rendeu nada até o fim de abril, o trabalho de Eutrópio precisa ser questionado. O problema é que com a diretoria inerte e sem elenco, não sobra muita esperança a curto prazo. A partida de ida do Nordestão já é sábado. Então, pelo menos, que os jogadores e os dirigentes que fazem o clube entendam a responsabilidade de representar o Santa Cruz. Se for preciso dar sangue, que seja. Como João Paulo, na mesma Ilha do Retiro! 


Apesar de estar calejado quanto às desilusões do futebol, uma coisa, que vai além do resultado em campo, me deixou mais uma vez envergonhado com o modelo de gestão do Clube do Povo. Bebendo com a camisa do Santa para afogar as mágoas da eliminação, uma ex-funcionária do clube senta na mesa e desabafa.


- Oi, tô muito triste com a derrota de hoje. Eu não era muito de ver futebol antes de trabalhar no Santa. Mas me apaixonei pelo clube e pela torcida. Infelizmente, tô sem receber desde outubro e tive que pedir para sair. Não queria, mas também não tenho condições de ficar tanto tempo sem grana.


Abracei a moça, agradeci pelo belo trabalho que fez no Santinha e disse que infelizmente isso é normal há muito tempo no Arruda. Até quando situações desse tipo vão acontecer num clube gigante como o Santa Cruz? Sério, dá um desgosto danado. 


Para finalizar, quero comentar também um assunto que chamou a atenção após a outra semifinal entre Náutico x Sport. O repórter da CBN, Renato Barros, foi filmado pela transmissão chorando a eliminação do seu Timba na arquibancada da Arena Gourmet. Poucos minutos depois, a internet e os grupos de whatsapp estavam repercutindo o vídeo. Alguns na resenha, outros questionando a imparcialidade do repórter para cobrir futebol, sendo tão apaixonado pelo Náutico.


Na primeira entrevista de emprego para ser repórter de um grande veículo de comunicação, perguntaram meu time do coração e respondi na lata: Santa Cruz! Enquanto o outro concorrente falou "Cabense", com medo de se compromoter (JURO!). Quando comecei a escrever aqui no ESPN FC, muita gente, inclusive colegas da imprensa, vieram me dizer que eu poderia estar me queimando por me declarar tricolor e escrever sobre o sentimento de um torcedor. Velho, isso não existe. Sou doido pelo Santinha, mas cobri os três clubes do Recife com o mesmo profissionalismo.


Então deixem o cara em paz e vida que segue.


Contra o Sport, independente do momento, a aura da camisa coral se ilumina. Então, vamos rezar para alguém acertar a barra e que a sorte esteja do nosso lado!