'ôOôOô, Bichaaa': Santa perdeu o clássico, mas a vergonha veio da arquibancada

Coralnet
Coralnet

Tiago Cardoso, ídolo coral, hoje no Náutico. Quando ia cobrar o tiro de meta: "ôÔo Bicha!" FOTO: CORALNET


Saudações corais, amigos e amigas. 

Depois de dois anos na atividade, o Arrudiando merecia férias, mas já está de volta para acompanhar o Santa Cruz em mais uma temporada.


E seria lindo retomar os trabalhos falando apenas das coisas boas do futebol e do Tricolor. Mesmo com várias limitações técnicas, estamos na fase final das duas competições do primeiro semestre, mantendo a tradição de Time de Chegada. Além disso, Anderson Salles brotou como o especialista em cobranças de falta que vem fazendo a diferença, algo que não acontece desde Marquinhos Catarina em 2007 e Luizinho Vieira em 2001. 


No entanto, uma atitude de parte da torcida coral no último Clássico das Emoções, me obriga a fugir da análise da partida ou de uma crônica usual: bola do Náutico e Tiago Cardoso vai cobrar o tiro de meta. O concreto sagrado do Mundão do Arruda ecoa o grito mais vergonhoso que já ouvi vindo de torcedores do Clube do Povo.


"ôÔôÔôÔ, Bichaaaaaa!"


Sério!? Simplesmente não dá pra acreditar que a modinha homofóbica que surgiu nas Arenas Gourmet depois da Copa de 2014 e passou pelo jogo da Seleção Brasileira contra o Paraguai chegou por aqui.

Quem foi que teve a estúpida ideia de reproduzir isso?


Blogueiros vizinhos de ESPN FC já falaram sobre o assunto há algum tempo e clubes também se manifestaram.

Gritos de 'bicha' na Arena Corinthians precisam acabar
Um bicha e milhares de idiotas  


Xingar faz parte do futebol. É da cultura da arquibancada extravasar com palavrões contra o perronha do seu time, o craque do rival ou contra um juiz safado. Mas quando o limite do preconceito é invadido, como também nos casos de racismo e machismo, o assunto fica sério e precisa ser combatido com força.


- Ah, mas isso é normal. Deixa de mimimi politicamente correto.


Não. Normal é não ficar calado em situações desse tipo, encaradas como "coisas da vida" até, veja você, por jornais como O Estado de São Paulo.


Elen Munaier do CAMikaze mudou a realidade do Galo ao criticar o lançamento dos uniformes objetificando as modelos. Veja a diferença dos desfiles do ano passado e desse ano.


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Bruno Cantini/ Atlético
Bruno Cantini/ Atlético


Torcidas homossexuais de diversos clubes existem de monte, mas sem poder se fazer presente de maneira marcante nos estádios em virtude do medo. Elas então resistem com ações nas redes sociais, como a Galo Quuer. No Santa, o Movimento Coralinas é formado por mulheres tricolores que querem ter o direito de torcer sem sofrerem abusos. Representatividade é tudo! 


Essa foi a primeira vez que o grito de "Bicha" aconteceu no Arruda em um tiro de meta. Justamente no clube que nasceu da inclusão. Do negro, do branco, do pobre, do rico, do homem e da mulher. Hétero ou gay.

Não sentia uma vergonha tão grande desde que uma privada arremessada do anel superior matou um torcedor na Rua das Moças. Derrotas? Rebaixamento? Isso é coisa da bola. Não podemos é deixar que manchem a identidade coral e desrespeitem as pessoas.

Que seja a última


---


Curta o Arrudiando no Facebook!

Atualização - 12:00 - 12/04/17


Vários torcedores corais mandaram mensagens avisando que, na verdade, o grito original direcionado a Tiago Cardoso por parte da torcida é "OÔôôÔ Judas", em referência à saída do ídolo para o Náutico.

Aconteceu que o restante do estádio entendeu errado e trocou para "Bicha", reproduzindo os cânticos que estão acontecendo nas demais torcidas.