O peso e a beleza da renovação coral

Divulgação/SCFC
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O que é que houve meu amor,
Você cortou os seus cabelos...
Foi a tesoura do desejo,
Desejo mesmo de mudar.


Caros amigos corais,


Um dia, alguém de coração generoso me falou o significado da música Tesoura do Desejo, de Alceu Valença. Nela, o cantador pernambucano versa sobre os períodos de dificuldade e renovação que enfrentamos ao longo da vida.


É que, às vezes, a gente acorda e a única coisa que precisamos para começar a dar a volta por cima é mudar. Mudar de alguma forma. Nem que seja fazendo a barba conservada há algum tempo, ou se desfazendo de algumas mechas de cabelo já cansadas.


O segundo semestre de 2016 para o Santa Cruz foi como um traumático fim de relacionamento. Torcida e clube estavam em transa constante com a volta à Primeira Divisão e com os títulos que fizeram a nação coral transbordar. De repente, a bola só entrava no nosso gol, os salários de jogadores e funcionários já não eram depositados. Os terraços do Arruda esvaziaram. 


O rebaixamento e a crise financeira impuseram uma necessidade de mudança e, hoje, o Santa Cruz tem uma cara completamente diferente da que estávamos acostumados até pouco tempo. Foram muitas trocas e o ideal era ter, pelo menos, uma base no elenco. Mas quem disse que seria fácil? E na carência da dificuldade, insistimos em recordar velhos amores.


Contra o Campinense, pela primeira rodada da Copa do Nordeste, o Santa mal parecia um time. E aí quem não esperou João Paulo vir buscar a bola no pé do zagueiro para começar a armar o jogo? Ou Keno aparecer voando na ponta esquerda para puxar o contra-ataque? Aquele chutão da defesa bem que podia ter sido dominado por Grafite para virar uma chance de ataque... Só sobraram Vitor e os meninos da base (Wellington Cézar e Marcílio). Migalhas daquela lua de mel.


Mas quem disse que seria tranquilo? Abrimos um tiquinho o peito e tomamos um balão de Zé Carlos, que já era Zé do Gol para todo mundo antes de sequer assinar contrato. Na embriaguez de superar a fossa, Dênis Marques virou solução para alguns. Até esculacho de Roberto temos que aguentar.


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No entanto, por mais dura que seja, toda superação tem sua beleza. E é nela que a gente se apega para seguir em frente. Para se renovar. Vimos o primeiro milagre de Júlio César, num tiro à queima roupa da pequena área. Os desarmes certeiros e providenciais de Elicarlos. E, principalmente, a fineza no trato da bola pela perna esquerda de Léo Costa. Como a camisa 10 do Santinha lhe vestiu bem. Goleiro de um lado, bola do outro para garantir um ponto importantíssimo no grupo da morte. Em especial pelo fato de a partida ter sido em Campina Grande e contra um adversário que está em atividade desde o dia 8 de janeiro (Campeonato Paraibano).


Ainda há muito trabalho para ser feito. A maioria dos jogadores teve uma atuação fraquíssima. Fiquei, como toda a massa tricolor, bastante preocupado com o futebol apresentado. Mas, de cabeça um pouco mais fria e com alguma experiência, prefiro não crucificar ninguém nesse primeiro momento. Lembro que, no começo da temporada de 2015, achava que Biteco ia ser o craque e não tava nem aí para JP10, veja você. A felicidade pode vir de onde menos se espera. E essa é a graça da coisa toda.


Agora vamos de dois clássicos contra o Náutico. Pode se aguentar para passar mais sufoco! O Timba manteve o meio de campo do ano passado e tem um treinador competente. Mas, como todo mundo já tá calejado de saber, nada é fácil para o Santa Cruz. Vamos esperar que o time evolua e que cheguem mais alguns reforços de qualidade comprovada. 


Saudações e vamos à luta.  

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