Keno descobriu que era craque e nós ganhamos um ídolo!

Gazeta Press
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Keno deixando mais um boneco na saudade


- Pô, Keno na Série A não dá. A gente já conhece. Só sabe ciscar de um lado pro outro...


- Além disso, perde cada gol que eu vou te contar... (foram apenas três marcados em 2014)


Foi assim que boa parte da torcida e da imprensa avaliaram a contratação de Keno para sua segunda passagem no Santinha. Mal sabíamos que o franzino atacante voltaria outro jogador depois de sua passagem pelo México, no Atlas.


Continuava velocista, como antes, mas o camisa 11 não mais se limitava à correria. Keno descobriu que era craque. Jogou à vontade. Tirou onda. Tanto que virou "Kenaldinho" para a massa tricolor. 


Os zagueiros adversários não viam nem o rastro do expresso black power a todo vapor pela ponta esquerda. Corte para o meio, golaço no ângulo. Corte para o fundo, cruzamento na cabeça de Grafite. Deu espaço para ele finalizar, vai buscar lá dentro, papai. Dizem que Samuel Xavier e Matheus Ferraz até hoje têm pesadelos depois de serem infernizados nas finais do Pernambucano e na Sul Americana. 


Keno foi o maior responsável pelos sorrisos corais em 2016. Foi dele a jogada sensacional que resultou no gol de Arthur. No gol que pintou o Nordeste em três cores. Foram para ele os incentivos nos contra-ataques, recebendo a bola muitas vezes ainda no campo de defesa. 


- VAI, KENO! VAI, KENO!, se esguelava a torcida quando a bola encontrava a chuteira toda pintada de preto. Sem frescura. Só futebol.


Instagram/Keno
Instagram/Keno


Mesmo no segundo semestre, com o rendimento da equipe indo lá para baixo, Keno não parou. Parecia que não existiam salários atrasados para ele, que seguiu sendo o jogador mais regular do time e aprontando sempre que a defesa não estava no sufoco.  


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Marcou 17 gols na temporada, ficando atrás apenas do Negão (24). Foram 10 no Brasileiro, cinco na Copa do Nordeste, um no PE e um pela Copa do Brasil.


Keno deixa o Arruda como ídolo não apenas pelo desempenho em campo mas pela dignidade com a qual soube sair do clube. Mesmo com o time rebaixado há muito tempo e sendo disputado ferozmente por Santos e Palmeiras, o jogador não mostrou nenhuma espécie de falta de comprometimento. Pelo contrário, continuou jogando em alto nível no melhor ano da carreira.

O Santa só não ganhou mais dinheiro (R$ 600 mil) com a negociação por falta de organização própria ao não conseguir juntar o R$ 1,3 milhão pedido pelo São José-RS, detentor dos direitos federativos.


Com contrato de quatro anos no Porco, Keno vai ter a chance de brilhar na equipe campeã brasileira e disputar mais uma Libertadores. Meu palpite é que vai conquistar a torcida palestrina logo de cara com sua disposição de sempre. Voa, Keno! E se precisar voltar, tens no Arruda uma casa!