Não duvide do Luan na Sampdoria, amigo tricolor

Grêmio Oficial
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Luan na mira blucerchiata


Nestes três anos de mercado sob a gestão do Presidente Ferrero, os torcedores da Sampdoria aprenderam a não se entusiasmar demais com tudo que a imprensa diz. Primeiro porque o presidente é midiático, adora holofotes e, para ter fotos enormes nas homes dos sites, ele fala qualquer coisa. Então é preciso sempre dividir por dois tudo que ele diz. E segundo porque a torcida blucerchiata é carente. Já apanhamos tanto nessa época de pré-temporada que cansamos de dormir com a promessa de um Balotelli e acordar com a notícia da renovação do Vasco Regini, o pior lateral do mundo.


Até chegaram Eto'o e Cassano, nomes que a torcida tanto sonhava, mas sabemos bem o que aconteceu.


Mas também nestes três anos já conseguimos sacar qual é a do presidente e seus comparsas: money. E se tem algo que eu preciso reconhecer é o tino dos caras pra contratar jogadores desconhecidos e vendê-los a preço de ouro pra outros clubes. A Sampdoria tem fechado o balanço de transferências sempre no azul, o que não é necessariamente uma boa notícia para os torcedores. Na temporada passada, por exemplo, Massimo Ferrero vendeu 73 milhões de euros e dessa grana investiu ‘apenas’ 43 milhões em contratações, segundo o Transfermarkt.


A política do clube é bem clara: é mais importante o jogador se destacar pra vende-lo caro ali na frente, do que o jogador se destacar para mantê-lo no elenco e montar um time forte a médio prazo. A Sampdoria é claramente um negócio nas mãos de Ferrero, Romei, Osti e Pradè, os quatro homens fortes do clube. Pra eles, a atividade-fim do clube prioritariamente é o lucro, e não as glórias de um título ou de uma campanha que nos leve rememorar a samp de duas décadas atrás.


Isso até dá uma discussão de horas. Você prefere um Flamengo com o pires na mão e campeão brasileiro de 2009 ou um Flamengo com as contas em dia e insosso? O assunto é bom, mas não quero entrar nele por ora.


Vamos falar de Luan.


Quando a proposta pelo gremista começou a ser ventilada na imprensa, truquei. Não achei que daria em algo. Luan é um jogador caro para a política blucerchiata. Mas é preciso admitir, torcedor gremista, mudei de opinião: contar com o Luan para temporada é algo cada vez mais plausível para o time de Gênova.


Explico o por quê:


Até 2015, o presidente participava diretamente das negociações falando pelos cotovelos. A discrição é uma das características de uma boa negociação e isso o presidente-cineasta não tinha. Com poucos anos a frente do clube, Ferrero colecionou frases de efeito e problemas com outros dirigentes. Por isso, hoje ele deixa para o Osti e o Pradè, gerentes do clube, o dever de comandar a janela de transferências. Desde então, o clube coleciona ‘cases de sucesso’ no mercado europeu.


- Compraram o Muriel por 10,5 milhões, venderam mês passado por 22 milhões.


- Compraram o Schick por 4 milhões e quase o venderam por 30 milhões. (Veja aqui)


- Compraram o Skriniar por 1 milhão e venderam à Inter por 15 milhões.


- Compraram o Fernando, volante ex-Grêmio, por 8 milhões em 2015 e venderam ano passado por 12, 5 milhões.


E por aí vai. Os dirigentes blucerchiati tem sabido negociar bem suas vendas. E isso, por outro lado, é um fator de convencimento importante na hora de elaborar propostas de compra aos empresários. A Samp adquire e promete uma negociação futura bem lucrativa lá na frente. Ganha o presidente do clube, ganha o empresário, ganha o Grêmio, ganha o Luan, perde o clube enquanto instituição: a Sampdoria é um time de futebol, não uma prateleira de supermercado. Tratada desse jeito nos tornamos para os jogadores meio, e não fim. Não há continuidade no projeto. O projeto é comprar barato e lucrar meses depois.


Luan, numa primeira análise, é caro para os padrões de compra da Sampdoria, mas a qualidade do jogador é inquestionável e o retorno é praticamente certo.


Outro fator importante é a possível sinergia entre Samp-Inter na aquisição do jogador. Da Itália se lê que a Internazionale está usando a Sampdoria como ‘laranja’, digamos assim, no negócio. A relação entre os dois clubes é ótima e o trauma Gabigol encheu os dirigentes neroazzuri de medo na hora de investir em jogadores brasileiros - que atuam no Brasil. A Sampdoria entraria então como uma espécie de clube BETA para que Luan primeiro se adaptasse ao futebol italiano e mostrasse seu potencial para só depois desembarcar em Milão. Gabigol fez um mal tremendo para o futebol nacional. Luan e outros bons jogadores que atuam por aqui padecem agora desta pecha. Clubes de ponta preferem comprar brasileiros já calejados pelo futebol europeu a buscá-los diretamente da fonte. Como a Sampdoria não tem muito a perder, a hipótese levantada por sites italianos (TMW, Premium Sports, Sky Sports) sobre esta compra conjunta entre Samp e Inter parece bastante plausível.


A negociação com Luan é real. As ofertas são oficiais e aumentam a cada conversa porque o jogador faz parte dos planos (de negócios) do clube. A qualidade do jogador nem merece linhas aqui porque todos sabemos bem. Mesmo assim, não me empolgo com a contratação no sentido de termos um novo ídolo, um novo ciclo na história do clube, nem de alavancar o time a um novo patamar no campeonato italiano. A Samp pensa em Luan como um produto. Ele não faz parte dos planos do treinador, faz parte dos planos de negocios dos dirigentes. E se há dinheiro na jogada, amigo tricolor, vai por mim, não duvide de nada.