Fim de temporada para a Sampdoria: é hora de separar o joio do trigo

Quando as portas do estádio Luigi Ferraris se fecham e as arquibancadas ficam vazias para reformas, a cidade de Gênova entra em uma espécie de hibernação futebolística. É verão por lá. A Liguria é, sem duvida, um dos lugares mais belos e deslumbrantes da Itália. Em dias de sol à pino, assistir ao confronto entre o agitado Mar Mediterrâneo que há séculos tenta derrubar casinhas coloridas incrustadas nas montanhas faz o italiano esquecer um pouco o futebol. Apesar de que mais bela e colorida que a Cinque Terre, somente a camisa blucerchiata. Mas suas cores vivas, por ora, estão na gaveta da rouparia a espera do novo elenco que terá a honra de vesti-la a partir de agosto. Porém, para esboçar o time da próxima temporada, é preciso discutir como foi a Sampdoria 16/17.


A Sampdoria está fechada para balanço.


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Mais um dia de sol na Liguria (que futebol que nada)


É hora de separar o joio do trigo. A parábola do "joio e do trigo"descrita na bíblia vem bem a calhar com o momento. Jesus contou a história de um homem que plantou a “boa semente” no seu campo mas o inimigo, a noite, semeou joio no meio do trigo. Com a mistura das sementes, os servos perguntaram ao homem o que fazer, e ele respondeu: Deixe crescer os dois até a hora da colheita. No tempo certo eles vão apresentar seu real fruto e aí ceifaremos o joio e o mandaremos para o fogo, e o trigo levaremos para os celeiros.


(Vou ouvir um amém por isso?)


A temporada foi um laboratório para Giampaolo, treinador blucerchiato. O técnico vai pra sua segunda temporada com a missão de selecionar quem fica e quem sai do elenco. Quero muito acreditar que esta temporada que acabou foi um grande vestibular para que em 2017/2018 tenhamos, enfim, resultados dignos de nossa história.


Alguns jogadores chamaram muito a atenção, seja pro bem ou pro mal. Vamos falar sobre alguns nas próximas semanas. Antes de analisar cada jogador é importante escrever algumas linhas sobre a performance do time no todo.


A inconsistência e oscilação da Samp refletiu bastante a mudança do elenco de 2015 para 2016. A contratação de jogadores jovens e promissores criou um enorme ponto de interrogação na cabeça dos torcedores. A Sampdoria variou de apresentações dignas de time graúdo, como nas vitórias consistentes sobre Roma, Inter e Milan – a derrotas miseráveis de um time juvenil, como o 7-3 pra Lazio.


sampdoria.it
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'Crescer dói', dizem. Torreira é um dos jogadores mais promissores da Samp


Tiveram jogos onde o time saiu o uniformes imundo de lama e suor; e partidas em que mais pareciam jogadores inertes de pebolim.


Fomos do céu ao inferno. Do amor ao ódio. Da empolgação à descrença. Ora trigo, ora joio do mais desgraçado.


Se produzimos boa semente ao mostrar para o mundo o futebol vistoso do jovem atacante Schick. Regini, nosso lateral, é símbolo da praga do joio que persiste em estragar a colheita blucerchiata.


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Giampaolo e seu maior desafio para próxima temporada: separar o joio do trigo


Tudo isso são sintomas de um elenco jovem e que ainda não deu liga, mas pode dar. Giampaolo precisa ter a sabedoria de separar bem quem deve continuar no projeto blucerchiato. A Sampdoria tem muito jogador meia-boca. A temporada foi frustrante, bem abaixo do esperado, mas compreensível pelo o que foi desenhado em Julho do ano passado. O crédito acabou. É hora de colher os frutos.


A torcida está carente de ver a Samp ser protagonista em campeonatos. Ver o Atalanta entre os melhores, por exemplo, mostra que é possível atuar em “alto nível” nos torneios da Itália. Não almejamos bater a Juventus, mas é dose empatar na bacia das almas com o Pescara.


Que a semente plantada nesta temporada tenha sido boa para que a Samp colha bons frutos daqui um ano. Cansei de ser terra arrasada.