Conheça Schick, desejo de clubes ingleses, italianos e espanhóis

sampdoria.it
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Se tem uma coisa que os dirigentes da Sampdoria fazem com gosto é contratar moleques lá do leste europeu. Não sei se é por oportunidade de mercado, por simpatia ao leninismo (aliás, temos um moleque venezuelano nas categorias de base que é uma jóia. Mas isso é pra outra hora), ou se é pra foder com a vida do roupeiro. Eu acho, inclusive, que o coitado do roupeiro blucerchiato deveria ter adicional de insalubridade tamanha complexidade do cargo que ocupa.


Bartosz Bereszynski, Djuričić, Linetty, Skriniar, Budimir, Krapikas fazem parte do elenco atual da Samp. Mas nos últimos anos, para delírio da rouparia, tivemos Zukanović, Krstičić, Wszolek, Djordjević, Lulić, Bjarnason, Zsolt Laczkó, Stankevičius...


No meio de tantas consoantes, poucas foram gritadas a plenos pulmões pela Gradinata Sud. Quase nenhum vingou ou assumiu a titularidade em Bogliasco. Mas um nome tem chamado a atenção da Itália e é já cantado pelas arquibancadas do Luigi Ferraris: Patrik Schick.


O nome é até simples diante de alguns outros, como simples também é o seu futebol. Quando digo simples é num bom sentido. Schick não é craque, longe disso, mas é de uma objetividade ao gol que encanta. Faltam jogadores como ele. Um toque, dois toques, e uma chance clara de gol foi desenhada. Nada contra a firula, pelo contrário, mas é na hora em que a chapa esquenta e que somente os três pontos podem desatar o nó da corda já medida e posicionada no pescoço do treinador que a fusão de objetividade + habilidade salva o time em perigo. 


A firula é linda, mas por vezes é o futebol vertical que resolve, e sem ser menos belo.


Schick é um desses caras que resolvem. Um Tupãzinho do Corinthians. Sabe aquele jogador que você prefere que nem comece jogando? Deixa ele no banco pra dar graça. Quando as câmeras buscam o jogador tirando o colete e indo em direção ao treinador, a gente já afrouxa o nó da gravata e pede uma latinha. Schick é o feriado na sexta-feira, aquele alento num momento que deveria ser de tensão e stress. Poucos minutos bastam para que ele guarde o seu.


A frieza do cara espanta. Nos últimos jogos ele tem colecionado jogadas que humilham os adversários. Miranda, zagueiro da Inter e do Tite foi sua última vítima. No derby do mês passado, por exemplo, Schick fez fila na zaga do Genoa aumentando consideravelmente a galhofa em cima dos grifones.



Manda a bola pro cara que ele resolve. Tem sido assim. São 10 gols em 27 partidas, a maioria delas entrando no meio do segundo tempo e decidindo. Números espetaculares para o primeiro ano do jogador no futebol da Itália. Não à toa o tcheco tem despertado interesse de Tottenham, Arsenal, Napoli, Atlético de Madrid e alguns outros clubes que monitoram o jogador. A Internazionale parece ser a mais interessada. A mínima esperança que tinha nos dirigentes da Sampdoria em mantê-lo no elenco para próxima temporada foi embora no último fim de semana quando Osti, diretor de futebol, foi extremamente infeliz em dizer que “Schick é um jogador pronto para atuar em um grande clube europeu”.


Me espanta o quanto os próprio dirigentes blucerchiati subestimam o clube que comandam. Não fazem de forma proposital. Fazem porque não são torcedores, olham tudo como negócio e crescem mais aos seus olhos o lucro do que algo mais passional. Não almejam mais do que cifras.  


É questão de tempo, logo alguém vem com o cheque em mãos e paga os sete, dez, quinze, vinte milhões de euros pelo Schick, que vai ser feliz e goleador em outro clube. A Samp vai garimpar outro jovem jogador com mais consoantes ainda e prepará-lo pra que outro clube venha, agradeça, pague a multa e o leve pra jogar longe de Gênova. Assim tem sido a vida blucerchiata, cíclica, onde jogadores, empresários e dirigentes de alguma forma sempre ganham, exceto a Samp que patina sempre sem sair do lugar.