Milan 0-1 Samp: é preciso acreditar no improvável

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Que semana, meus amigos! A ingrata missão de enfrentar Roma e Milan na sequência do campeonato se transformou em êxtase e esperança para um fim de temporada mais digno da tradição doriana.


O histórico recente das atuações blucerchiati me fez olhar para os jogos do início do returno com uma ideia de fracasso iminente. Roma e Milan somados a uma Samp claudicante propunham jogos encardidos demais e mais uma descida perigosa na mesa de classificação. Pensar em seis pontos nesses dois confrontos seria como acreditar na vitória do Enéas numa eleição presidencial.


A gente também, talvez por amar demais, cobra demais.


E são nesses estalos de lucidez e glória que aquela chama acende e te faz, ainda de forma tímida, sonhar com algo que não seja sempre a maldita salvezza ou apenas sobreviver na zona da pasmaceira à espera das férias de verão. Vencer o Milan não estava nos planos. Não estava nos planos também jogar bem e de forma tão inteligente contra as duas pedreiras da semana. Nos meus planos de torcedor pelo menos não estava.


A Sampdoria é um esboço de bom time. Um monte de moleques inteligentes e bons de bola, que se pegarem o espírito da coisa, respirarem a história do clube e sacarem a grandeza do time vão dar muito trabalho ali na frente. Cabe a Giampaolo saber conduzir bem essa molecada e ao Ferrero não esquartejar o elenco a cada janela de transferências. Foram tantos socos na boca no estômago nas últimas temporadas que os olhos talvez não brilhem como deveriam brilhar. É preciso dar uma carta de confiança aos garotos. Este tem sido meu exercício nos últimos dias.


O jogo de hoje foi uma amostra de que é possível pensar mais alto e de que o time tem condições de estar muito melhor no campeonato. O Milan foi mais time, a situação e o fator casa impunham isso para os rossoneri. Mas a Sampdoria foi um time sagaz. Sabia o que estava fazendo em campo. Sã, ela jogava acuada e pronta pro bote. Tanto que levou mais perigo que o próprio Milan no primeiro tempo. Aliás, abre parênteses. Ouço que o goleiro do Milan tem dezessete anos há pelos menos três temporadas. Ou ele subiu para o time profissional com nove anos ou tem algo de muito errado ali. Nem Golias tinha aquele tamanho com dezessete anos. Fecha parênteses.


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Donnarumma Hiroshi, cria do Paulista de Jundiaí


No segundo tempo, o time manteve o empenho de quem sabia o que estava fazendo. O Tite fazia muito isso no Corinthians. Dava até raiva. O adversário às vezes até jogava mais, mas o Corinthians cozinhava o jogo, tocava a bola, sofria um pênalti (nem sempre legítimo), expulsava um deles e, no fim, o um a zero magro e os três pontos pra casa era o que resumiam a partida e fazia a diferença no fim do campeonato.


A vitória da Samp no San Siro foi mais ou menos assim hoje.


Olho com entusiasmo para os últimos meses de calcio. Sei que o time não tem a maturidade que precisa e vai oscilar, mas entender que a Samp que sonho para o amanhã precisa começar hoje e que ela já está em campo, ainda que como um rascunho, já anima bastante. Vencer os grandes os encoraja e dá corpo ao time. Gostar de vencer Milan, Roma, Inter, Napoli e a Juventus é o primeiro esboço pra desenhar um grande time.


A vitória de hoje ajuda a condicionar este torcedor surrado e com os olhos meio desbotados a olhar pra Sampdoria com um pouco mais de otimismo e acreditar no improvável. Ser pessimista demais dá úlcera e acelera o envelhecimento. Que esses moleques devolvam à Samp um pouco daquele frescor do início da década de 1990. Sinto, apenas sinto, que vem coisa boa por aí.


Cansei de ser pessimista. Não vai dar certo mesmo.



Milan 0
Sampdoria 1



Reti: s.t. 25′ Muriel rig.
Milan (4-3-3): Donnarumma; Kucka, C. Zapata, Paletta, Romagnoli; Bertolacci (34′ s.t. Ocampos), Sosa, Pasalic (27′ s.t. Abate); Suso, Bacca (27′ s.t. Lapadula), Deulofeu.
A disposizione: Storari, Lapadula, Honda, M. Fernández, G. Gómez, Poli, Vangioni, Locatelli, Calabria.
Allenatore: Vincenzo Montella.
Sampdoria (4-3-1-2): Viviano; Bereszynski, Silvestre, Skriniar, Regini; Praet, Torreira, Linetty; Fernandes (9′ s.t. Djuricic); Muriel (35′ s.t. Alvarez), Quagliarella (26′ s.t. Schick).
A disposizione: Puggioni, Krapikas, Dodô, Palombo, Pavlovic, Cigarini, Budimir, Tomic.
Allenatore: Marco Giampaolo.
Arbitro: Guida di Torre Annunziata.
Assistenti: Marzaloni di Rimini e Valeriani di Ravenna.
Quarto ufficiale: Di Vuolo di Castellammare di Stabia.
Arbitri addizionali: Celi di Bari e Saia di Palermo.
Note: espulso al 45′ s.t. Sosa per gioco scorretto; ammoniti al 28′ p.t. Torreira, al 15′ s.t. Suso, al 18′ s.t. Kucka, al 40′ s.t. Sosa per gioco scorretto, al 45′ p.t. Bacca per proteste, al 49′ s.t. Djuricic per comportamento non regolamentare; recupero 1′ p.t. e 4′ s.t.; abbonati 15.990 (rateo gara 331.607 euro), paganti 15.948 (incasso 400.449 euro); terreno di gioco in discrete condizioni.