Liga dos Campeões: Roma expande sua dignidade

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Perotti completa o que ele mesmo começou


Sem traumas, sem sustos, sem romada. Contrariando todos os engraçadinhos – como a redação inteira deste blog, composto por uma pessoa –, a Roma finalizou uma excelente fase de grupos na Liga dos Campeões. E não era qualquer grupo – e também não avançou de qualquer jeito. Trata-se da liderança do que atendia como grupo da morte. Foi, aliás, o único clube italiano a passar em primeiro.


Não perder pontos para o Qarabag fez toda a diferença. Sem ele, os três outros times fizeram campanhas iguais em pontos – cada qual com uma vitória, dois empates e uma derrota. Diante de uma batalha tão equilibrada, os deslizes são fatais. Que o diga Simeone, que viu seu Atlético de Madrid acumular apenas dois pontos contra os azerbaijanos. Pois a Roma, habituada a deslizes, fechou sua segunda vitória contra o Qarabag ontem, no Stadio Olimpico, com uma goleada de 1 a 0 comandada por Perotti, autor do golaço (de rebote, em condição semirregular).


Simbolicamente, interpreta-se a virada contra o Chelsea como o momento a partir do qual a Roma passou a ser levada a sério. Embora tenha cedido o empate, a sensação final foi de que o muro que a separa dos grandes – eles – às vezes parte da própria Roma. A ascensão da TESTOSTEROMA de Di Francesco tem exposto a maneira com que esse grupo consegue enfrentar desafios com mais coragem – bolas – do que encarnações anteriores, não obstante o mercado fracassado da instituição, capaz de piorar o elenco entre um ano e outro.


Na última vez em que a Roma liderou um grupo de Liga dos Campeões (2008-09), o Chelsea também estava lá. Apesar do início trágico – derrota em casa para o Cluj – os giallorossi atingiram 12 pontos e foram eliminados pelo Arsenal na fase seguinte, caindo nos pênaltis. Aquela, no entanto, foi uma queda com dignidade. (No Olimpico, Tonetto errou a última cobrança, mas antes dele Vucinic havia produzido uma das penalidades mais canalhas da história da modalidade.)


De todo modo, conservar a dignidade é o primeiro passo. Você não espera que alguém envolvido em um grave acidente automobilístico saia pilotando em alta velocidade pela Régis Bittencourt. Pois a Roma, já carregando o fardo do 7 a 1 entregue pelo Manchester United em 2007, foi recentemente atropelada por Bayern (2013/14, 7x1 em casa) e Barcelona (2014/15, 6x1 fora, o gol de honra no último lance). No que tange a traumas, quatro anos não são nada. Mais recente ainda foi o vexame protagonizado contra o Porto, na fase qualificatória da temporada passada. Menos pela eliminação em si, mais pela forma.


A Roma, portanto, briga jogo a jogo pela autossobrevivência. Seria ridículo cobrar o título de Di Francesco – não acredito que alguma alma esteja fazendo isso. Não há como ou por que criar expectativa parecida. Estar vivo, contudo, é condição necessária para sonhar. E, você sabe, sonhando estamos todos: não há como ou por que negá-lo. Godiam, fugace e rapido.