A “Roma de Schrödinger” tem duas narrativas prontas à espera de um desfecho

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Double Portrait of a Patrician Couple, sec. XVI


Três partidas: 9 pontos, 3 gols feitos, 0 gol sofrido. Pragmatismo ou limitação? Eficiência ou carência? Cinismo ou dor de barriga que precede intoxicação alimentar?


No domingo passado, a Roma derrotou o Torino com um gol de falta de Kolarov. Em seguida, duas partidas no Stadio Olimpico. A de quarta-feira foi tão feia que vale transformá-la num poema proporcionalmente fuleiro para resumir seus 90 minutos:



Contra o Crotone, confronto
em casa, que cólera:
Kolarov corre caindo
(ou cai correndo?) Colou
Pênalti porco, Perrotti aponta
e pontua, a Roma arrebata
ainda longe da ponta,
tão crua



No sábado, Roma e Bologna protagonizaram um confronto similar, embora de nível técnico superior. Sob o olhar de 50 mil testemunhas nas arquibancadas, Alisson mais uma vez se destacou: foi logo após uma defesa extraordinária que El Shaarawy abriu o placar com um belo tapa – isso ainda no primeiro tempo. O jogo se arrastou e os mandantes mais uma vez não conseguiram se impor para além do mínimo necessário.


Com um número respeitável de 7 atuações não vazadas em 10 jogos, a defesa tem surpreendido. Esse setor, afinal, é anualmente repensado na instituição que sempre muda para permanecer igual. Por sua vez, o ataque – ocasionalmente repensado na instituição que sempre muda para permanecer igual – só passou em branco contra Napoli e Atlético de Madrid. A nave está indo, mas até quando? Ou melhor, indo aonde?


1. Se a Roma passar de fase na Liga dos Campeões e/ou brigar pelo título da Serie A, teremos a seguinte narrativa: “tô falando, esse time aprendeu com a Juventus – não adianta jogar bonito e perder ponto pro Benevento. Três pontos são três pontos e a Roma tá finalmente ficando cascuda”.


2. Se a Roma decair na Liga dos Campeões e/ou não conseguir uma vaga para essa mesma competição por meio da Serie A, por sua vez, teremos a seguinte narrativa: “mas também, sofrendo pra ganhar do Crotone, queria que ganhasse do Chelsea como? Quando pegou o Napoli, levou um vareio”.


Copo meio cheio; copo meio vazio. Enquanto os confrontos decisivos não chegam – como aquele contra o Chelsea, amanhã –, a Roma se vê viva e morta, conforme a narrativa preferencial do torcedor.


Divulgação/Roma
Divulgação/Roma

E aqui, uma imagem colorida sem demais propósitos