O Bom, o Mau e o Feio: uma semana de emoções variadas para a Roma

Três jogos: uma derrota, um empate, uma vitória. Sigamos ordem cronológica, de preferência com trilha sonora de Ennio Morricone.


Site oficial: SSC Napoli
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Lee, van e Cleef


O Mau - Roma 0x1 Napoli (14/10)


A partida entre duas eternas postulantes ao título trouxe consigo um recado cristalino sobre a atual hierarquia do futebol italiano: a Roma se encontra um degrau abaixo do Napoli. Na capital italiana, os visitantes mantiveram o controle em todo momento. Era o grupo de Di Francesco quem corria com desespero, desprovido de golpes efetivos, como um pugilista menor que cansa dando voltas antes mesmo de seu oponente começar com os cruzados.


Sua outra derrota – contra a Inter de Spalletti, também em casa – contou com um roteiro distinto. Naquela oportunidade, a Roma abriu o placar e conseguiu se impôr. Teve um pênalti negado ainda quando vencia. Apagou e levou três gols, mas não saiu tão cabisbaixa. Isto é, tratou-se de um jogo aberto cujo desfecho poderia de fato ter sido o inverso do que foi.


Contra o Napoli, no entanto, não houve qualquer ameaça. Reina performou bela defesa em cabeçada de Dzeko, e foi só isso. Em noventa minutos, a Roma criou uma jogada efetiva, uma mera chance concreta de gol, e com base na chuveirada em direção ao bósnio. Claro que a partida poderia ter sido outra se De Rossi não tivesse esbarrado na bola, entregando o primeiro gol da carreira de Insigne contra os giallorossi. Acontece que ele esbarrou, os mandantes saíram atrás e não dispuseram de qualquer capacidade de reação.


Eternamente em construção, a Roma foi presa fácil para um Napoli pronto: basta ver quanto cada elenco muda anualmente para compreender por que os napolitanos oferecem maior consistência. Não há qualquer culpa em Di Francesco, que até o momento sequer teve seus principais reforços – Karsdorp e Schick – à disposição. Dessa forma, o futuro imediato parecia desanimador – não há nada, contudo, como o passar dos dias.


Getty Images
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Se você olhar bem, não parece que eles estão no ar


O Bom - Chelsea 3x3 Roma (18/10)


Meus amigos, a Roma teve bolas. Colhões. Guts. Se isso não é o suficiente, com certeza é o inicial necessário. Para uma equipe que costuma servir de contraexemplo nas digressões europeias, jogar como jogou demonstra uma clara evolução de mentalidade. Se a equipe havia suportado a pressão do Atlético de Madrid e quase romado contra o Qarabag, a postura diante do Chelsea – em Londres – expõe pela primeira vez que a camarilha de Di Francesco corre o risco de ser levada a sério.


Do início ao fim do encontro, os visitantes tiveram a bola, criaram e procuraram o gol. Levaram dois, viraram de forma imponente e sofreram o empate em seguida. Uma bola no travessão de Dzeko quase anotou o quarto tento. A torcida também deu show, exceto pelos vermes que, pasmem, imitaram macacos diante da presença de Rudiger – esse comportamento nunca foi exclusividade de torcedores da Lazio. Sabe o que já foi exclusividade da Lazio? Aleksandar Kolarov, o qual, assim como o artilheiro bósnio, comeu a bola.


Virar um jogo em Londres depois de uma distância de dois a zero é um feito e tanto, ainda mais num grupo complicadíssimo como este C. O empate do Atlético em Baku – quem diria que tal tropeço não foi protagonizado pela Roma – apenas alarga as esperanças de uma equipe que, passo a passo, ainda em reformulação, começa a se impor. Com bolas.


Getty
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Não você, Kolarov. Você é lindo. Você é o vilão de 007 que mata friamente. Você é o Clint Eastwood balcânico.


O Feio - Torino 0x1 Roma (22/10)


Feio e eficaz: onze vitórias consecutivas fora de casa, um recorde – agora empatado com a Inter de 2006/07. A Juventus ensina há 120 anos que “três pontos” representam um conceito circular: três pontos são importantes porque são três pontos, e assim por diante. (Há 120 anos as vitórias certamente não valiam três pontos, mas você entende meu… ponto).


A partida contra o Torino foi tremendamente ordinária: sem Belotti, o clube turinês mais parece uma Central de Refugos das mais variadas procedências. Lá constam quatro atletas ex-Roma: Burdisso – monstro –, Sadiq – este ainda pertence aos giallorossi –, Ljajic – este vai muito bem, obrigado –, e Falqué – este é só Falqué. O treinador Mihajlovic também defendeu a Roma em seus tempos. O sérvio, porém, se destacou mesmo na Lazio, com suas cobranças de falta literalmente assustadoras utilizando a perna esquerda.


Coincidentemente, outro sérvio, também com uma perna esquerda abençoada, também com passagem pelos dois times da capital, decidiu o jogo com uma cobrança de falta. Mais uma vez, Kolarov, esse príncipe grisalho que mal chegou e já se põe como insubstituível, guardou pontos na bagagem repentinamente, como em uma vitória por abiogênese.


Se o início da trilogia foi desanimador, o desfecho permite esperança. A gente se faz de morto, mas gosta do êxtase do ouro. Que a sequência Crotone, Bologna e Chelsea, todos em casa, mantenha a música afinada.