O que acontece com a Roma quando visita o Milan?

Hebrew University of Jerusalem
Hebrew University of Jerusalem

Milão em Civitates orbis terrarum, Georg Braun e Franz Hogenberg, vol. 1, 1572


O que acontece com o Milan quando recebe a Roma? Invertendo o protagonismo, o que acontece com a Roma quando visita o Milan?


Em novembro de 2006, algo mudou na história do confronto entre as duas equipes. Com dois gols do Homem Mais Próximo de Deus, a Roma venceu em San Siro depois de 20 anos. Passa boi, passa boiada: o que não acontecia desde março de 1986 se repetiu constantemente desde então. Vejamos:


2017-18 - Milan 0x2 Roma (Dzeko, Florenzi)
2016-17 - Milan 1x4 Roma (Dzeko, Dzeko; Pasalic; El Shaarawy)
2015-16 - Milan 1x3 Roma (Salah, El Shaarawy, Palmieri; Bacca)
2014-15 - Milan 2x1 Roma (Van Ginkel, Destro; Totti)
2013-14 - Milan 2x2 Roma (Destro; Zapata; Strootman; Muntari)
2012-13 - Milan 0x0 Roma
2011-12 - Milan 2x1 Roma (Osvaldo; Ibrahimovic, Ibrahimovic)
2010-11 - Milan 0x1 Roma (Borriello)
2009-10 - Milan 2x1 Roma (Ménez; Ronaldinho, Pato)
2008-09 - Milan 2x3 Roma (Riise; Ambrosini; Ménez; Ambrosini; Totti)
2007-08 - Milan 0x1 Roma (Vucinic)
2006-07 [Coppa] - Milan 2x2 Roma (R. Oliveira, Inzaghi; Perrotta, Pizarro)
2006-07 - Milan 1x2 Roma (Totti; Brocchi; Totti)


Sete vitórias, três empates e três derrotas. Nesse mesmo período, o Milan só venceu a Roma uma vez na capital italiana (2011-12, 1x2). Destacam-se as conquistas na partida final do monstro Paolo Maldini (2008-09), no último scudetto milanista (2010-11), e no estrondoso quatro-a-um da temporada passada, no qual os mandantes atuaram com a organização de um time de churrasco. O três-a-um do ano anterior contou com disposição semelhante.


O que nos leva à explicação mais direta para o panorama aqui exposto. Aplicando a Navalha de Occam, há uma razão simples para este retrospecto: o Milan dos últimos anos é notavelmente fétido, e os resultados, corolários naturais, apenas expõem tal fragilidade.


Outra explicação, essa muito mais complicada de reforçar com argumentos racionais, observa que o Milan depende de uma quantidade demasiada de atletas com nomes de Pokémon, o que nunca é bom sinal. Donnarumma, Suso, Biglia, Kessié, Çalhanoglu… Em todo caso, ficamos com a primeira hipótese (para um maior estudo de caso, ver elenco do Arsenal).


Tocado cada ano como um reboot de franquia cinematográfica que já perdeu a graça (Exterminador do Futuro? Alien? Homem-Aranha?), os rubro-negros de Milão vêm se consolidando temporada após temporada como um verdadeiro foguete molhado. Para quem cresceu temendo pelas próprias calças ao assistir a Shevchenko, Kaká, Pirlo; Seedorf, Gattuso e Nesta, não dói nada vê-los nessa situação Milancólica (rá!!!). De pensar que, dez anos atrás, o grosso do time era Ambrosini.


No confronto da semana passada, o placar apresentou certa crueldade, dado que a Roma poderia muito bem ter perdido a peleja. Mas o futebol é cruel, e os rivais de Milão, uma das maiores instituições deste esporte, têm constatado isso sequencialmente. Bom para a Roma.


Getty Images
Getty Images

Libiamo ne' lieti calici


Ensina, Osvaldo


No segundo tempo, com o placar ainda fechado, Florenzi desperdiçou uma chance incrível. Ele recebeu em profundidade e, na entrada da área, acabou recuando para Donnarumma. O lance se assemelha muito a um gol de Daniel Osvaldo, que naquele mesmo estádio anotou uma bela conclusão contra a Inter (2012-13), após passe extraordinário do Gênio Celestial.


Curiosamente, quem marcou seu primeiro gol pela Roma naquela partida foi justamente Florenzi, que fez sua estreia como titular e logo abriu o placar – também com a assistência do Demiurgo Sagrado. O encontro se encerrou em três a um para a Roma. A chance de Florenzi pode ser vista aqui, em 1:50. A finalização classuda de Osvaldo, aqui, em 1:20.


ESPN / Sky
ESPN / Sky

Ensina, Osvaldo: Florenzi demorou um pouco mais para decidir e finalizou mal