Não passa uma agulha: Roma sobrevive ao Atlético de Madrid

A Roma agindo na Liga dos Campeões se assemelha a um adolescente em frente à menina que ama. Este – chamemos de Rômulo – pode não ser propriamente feio ou desajeitado, no entanto, basta encontrá-la para que as faculdades mentais se percam. Intimidado como... bom, como um adolescente próximo à menina mais bonita do colégio, ele tropeça, conta piadas nefastas e derruba molho na camiseta. Rômulo trava com a Liga – chamemos de Lígia – em seu campo visual.


O Atlético de Madrid – chamemos de Diego –, por outro lado, cresce com a Liga, isto é, Lígia. Diego não teme seus colegas ou demais represálias: ele é seguro de si e, apanhando, aprendeu a crescer. (Ao contrário de Rômulo, que às vezes apanha, mas continua negligente). Quando diante de Lígia, o rapaz não se sente inferiorizado. Lígia, inclusive, conserva uma visível queda por ele.


Por sua vez, o ponto fraco de Diego se consolida em seu primo Raúl, milionário, bombado, poliglota – um playboy que passa os fins de semana em Ibiza. Mas isso é problema deles. O fato é que, ao menos enquanto Raúl não se aproxima, Diego tem muito mais chances com Lígia do que Rômulo. Esses dois, por fim, estudam em turmas diferentes, e esporadicamente veem um ao outro pelo colégio. Eles praticamente nunca conversaram e se conhecem apenas por referência.


Getty Images
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No duelo entre equipes comumente encontradas em retrovisores de gigantes, o Atlético imobilizou a Roma. Com um uniforme similar ao dos Correios, eles tentaram por cima, por baixo, pelos lados. Acertaram a trave. Pararam em cima da linha. Acertaram outra trave. No fim das contas, Alisson fez uma partidaça, sustentando o pouco confiável setor defensivo.


A Roma de Di Francesco ainda é um rascunho: não obstante as vendas de Salah, Rüdiger e Paredes (e da aposentadoria do Homem Celestial), a maioria das novas peças não foi inserida no grupo. Moreno, Karsdorp e Schick não estrearam; Pellegrini e Under receberam migalhas de minutos. Por outro lado, Defrel, maior candidato a adição que não acrescenta, é quem mais teve oportunidades – assim como o já adotado Kolarov.


Fosse uma noite cujos astros se alinham para a romada, teríamos testemunhado mais um vexame caseiro em rodada de Liga dos Campeões. No maior torneio da Europa, a Roma já perdeu para o Cluj em pleno Stadio Olimpico. Também já empatou com o BATE Borisov e levou chumbadas de Manchester, Bayern, Shakhtar, outro Manchester, Real Madrid e Porto – tudo em casa. O placar fechado contra uma equipe consolidada e mentalmente dura saiu de ótimo tamanho para um elenco em fase de adaptação. Que a romada não venha contra o Qarabag.