O que deu errado na sua vida a ponto de você torcer para a Roma?

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El caballo raptor, Francisco Goya (Disparates, 1815-1823)


Conheci a Roma quando seus jogos passavam na PSN. O canal surgiu em 2000, e a Roma foi campeã italiana em 2001. A PSN faliu em 2002.


Não insinuo uma relação entre esses dois fatos, porém, se a emissora em questão existisse até hoje, ela teria transmitido o mesmo número de scudetti romanistas. Desde então, a equipe da capital foi vice-campeã nove vezes. E eu vou listar as nove vezes: 2002, 2004, 2006, 2007, 2008, 2010, 2014, 2015 e 2017. Para cada ano, um recorte; em cada temporada, uma dor distinta.


Algumas dessas campanhas foram heroicas. Algumas foram apenas romadas. E se você veio parar aqui, são razoáveis as chances de já ter lido o verbo “romar” nessa rede. Assumo alguma culpa.


Ao longo deste vagão de “quases” do qual ainda não saímos, no entanto, tínhamos Totti. Ele bastava. Tentar explicá-lo a quem não compartilhou dessa catarse será um esforço improdutivo. Acontece que Totti foi embora, e aqui estamos. Você chafurda no lixo da festa — a música já acabou e a luz aflige seus olhos. Sua camisa acumula baba e você precisa trabalhar dentro de algumas horas.


E por que estamos aqui, afinal?


Não se trata de valer a pena ou não, porque não vale. Cada minuto dedicado à Roma é uma perda de tempo. Você pode mentir a si mesmo que não, e pode me acusar de má vontade, derrotismo ou qualquer outro atributo negativo. Não fará qualquer diferença – a mim ou à condição tragicômica adquirida pelo clube. A Roma continuará uma piada, o que tecnicamente qualificaria este espaço como um blog de humor. Rir dela não significa não se afetar com essa instituição, a qual semanalmente paga pelos pecados exercidos em nome do Império Romano. Quem me dera.


Torcer para a Roma é um ato completamente inútil. Talvez o seja para qualquer outro time. “Pode-se perdoar a um homem o fazer uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente”. A minha pergunta é: como e por que você veio parar aqui? Quando foi que a Roma te escolheu? O que deu errado na sua vida para você atender a esse chamado?


Não se ofenda: não há nada esquisito com você. Também não havia com o Giovanni Guerreiro e o Felipe Portes, meus antecessores neste espaço. Alimentamos todos o mesmo esquema de pirâmide, sofremos da mesma Síndrome de Estocolmo. Eu genuinamente quero saber a sua história para que possamos, daqui um ano, lamentar exatamente os mesmos problemas de hoje, e de cinco, e de dez anos atrás.


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