A Roma não será campeã, mas sairá de cabeça erguida da temporada

Divulgação/Roma
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De Rossi fez o gol de empate e teve grande partida contra a Juventus. Um capitão com o qual podemos contar


O pessimismo tirou folga por uns dias. A Roma está firme e forte rumo à fase de grupos da Liga dos Campeões. E a desvantagem para a Juventus na tabela é de apenas quatro pontos. Tudo bem, sabemos que o scudetto bianconero virá na próxima rodada, mas o que importa é que terminaremos a temporada de cabeça erguida e com um triunfo maiúsculo diante dos líderes.

A Roma não inspirava tanta confiança para o jogo de domingo. Qualquer torcedor mais consciente sabia que a chance de derrota era grande. O mistão de Massimiliano Allegri deu um pouco de esperança aos mais sonhadores, é verdade, mas não se trata de uma remota possibilidade de título, e sim de uma renovação da confiança no elenco.

Continuo firme no propósito de que Luciano Spalletti não serve para permanecer na Roma para a próxima temporada, mas preciso prestar meu respeito ao que este senhor careca fez com o time para a partida contra a Juve. O espírito de nossos melhores jogos voltou para enfeitiçar a torcida. De Rossi novamente marcando um gol decisivo, El-Shaarawy aparecendo para o mundo, Salah dando uma canseira na zaga rival, Nainggolan fazendo um gesto em alusão às grandes batalhas da Roma antiga. Houve muito o que se comemorar neste domingo de dia das mães.

É verdade que levamos um susto no começo, com o gol de Lemina, e que a segunda posição chegou a ficar ameaçada pelo Napoli. Mas a Roma se reergueu, colocou a bola no chão e foi para a luta. Foi fantástico o esforço que culminou nos três gols. E a resistência ao ataque juventino animou, de verdade. Um balde de água fria nos virtuais campeões, um caldeirão transbordando para os romanistas. Que jogo, senhores, que jogo.

A Roma encantou por devolver a crença ao povo. Voltamos a confiar no potencial destes caras, que, mesmo com um elenco reduzido e limitado, fizeram uma campanha de mais de 80 pontos. Novamente esbarramos na bolha bizarra imposta pela Juventus (por pura competência, não há o que reclamar) - em qualquer outra liga esta pontuação seria de título. Outra vez ficaremos reféns de falhas em momentos cruciais e entregadas características da Roma em seus quase 90 anos de história. Faz parte, segue a pelota.

Entretanto, aquela fagulha de empolgação definitivamente causou um incêndio. O desânimo visível depois do jogo da Lazio foi dilacerado pelo 4x1 contra o Milan e sobretudo após esta atuação incontestável ante a poderosa Juventus, que pode até ter escalado alguns reservinhas, mas continuou sendo fortíssima como visitante.

Spalletti bem que poderia ter colocado Totti restando 15 minutos, e não três. Spalletti bem que poderia ter outro Nainggolan e mais um De Rossi. O time vibrou demais graças a esses caras e a reação só foi possível porque eles estiveram determinados o bastante para inspirar os companheiros. Foi inesquecível este 3x1, amigos, inesquecível. Uma pena que ficará guardado no nosso arquivo de grandes vitórias em um ano de vice-campeonato. Porque a maneira como os giallorossi se postaram foi bem semelhante à de um campeão.


Divulgação/Roma
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Paredes abraça De Rossi: o argentino foi muito bem fazendo o papel de Strootman contra a Juve


Quando Radja fez o sinal do polegar para baixo (pollice verso), a Roma reviveu seus gladiadores. Nos tempos de carnificina no Coliseu da Roma Antiga, o povo sinalizava com o mesmo gesto para colocar um fim na vida do guerreiro derrotado. O vencedor observava triunfante o seu rival agonizando no chão e acabava com a sua vida, tirando-o do sofrimento e enlouquecendo o público nas bancadas. Naqueles tempos, até a morte trazia alguma honra para o que perecia na luta. Coube a Nainggolan ser o carrasco juventino desta rodada e o pollice verso é um resumo dos 90 minutos de bola que vimos no Olimpico.

Não vamos cair na bobagem de apontar a Roma como campeã moral, porque isso costuma ser o refúgio mais conveniente para os maus perdedores. Perderemos, mas com garra, com técnica, talento e um pouco de brio. A Roma faz o que está a seu alcance, e estes momentos de amargura que vivemos nos dérbis não devem jamais ser apontados como o retrato mais fiel da equipe nesta temporada. A mágoa não diminui e as palavras que dissemos aqui não se apagam, é claro, mas, acima de tudo, estamos prontos para a próxima temporada.

Quem sabe com dois ou três reforços pontuais, mais oportunidades para garotos da base, uma mentalidade mais evoluída e sem apagões em partidas importantes. Que este placar conseguido no domingo seja a inspiração para a nova Roma que está para surgir. E que nós, torcedores, sigamos firmes apoiando o time, ainda que isso nos demande um esforço hercúleo por suportar os dias de romada. Há um novo futuro além do horizonte e este futuro começa por acreditar no impossível.