As últimas chuteiras de Totti e a chegada de Monchi

Divulgação/Roma
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Vida longa ao Rei Francesco!


Totti está em evidência outra vez. Prestes a anunciar a sua aposentadoria (ao que parece ser a decisão natural), o Capitão vestiu a roupa de Rei de Roma para lançar sua nova e última chuteira. Produzida pela Nike, a “Totti X” é uma homenagem aos 25 anos de Francesco como profissional e reflete a sua importância e simbologia para o maior clube da cidade.

Aos sorrisos, o ícone romanista posou para fotos com as chuteiras douradas e exibiu novamente o uniforme especial do dérbi, que deve ser usado no próximo fim de semana contra a Lazio (alô, Nike, favor trazer a camisa para o público brasileiro). Além da exibição, existe um sorteio em andamento desta peça com a inscrição “Totti X aeterno” nas costas, o que dispensa tradução. Toda a ação de lançamento gira em torno de Totti como um Rei. O que, convenhamos, não é mais nenhum absurdo.

Antes de mais nada, é preciso que se saiba que foram feitas apenas 2.500 edições da Totti X e que serão vendidas na loja oficial da Nike no exterior e na filial da Roma Store na Piazza San Lorenzo. São muitos pequenos detalhes que tornam a chuteira especial: a cor, evidentemente, o contexto, a cor da palmilha (grená) e o X (que nada mais é um 10 em algarismos romanos) na língua e o número de série.

A brincadeira vai custar 227 euros, mas já sabemos que ela não será acessível ao público do Brasil, tanto em preço quanto no quesito entrega, visto que o site da Nike fora do país não envia produtos para estas bandas. Mas você pode tentar acionar algum contato na Itália para comprar essa maravilha, é só ter coragem para vender um dos rins ou a sua própria casa para arcar com o valor.

Assim como a faixa de capitão de Totti que foi vendida na Roma Store (também edição limitada), a Totti X é um item de colecionador que jamais pode sair do seu armário ou do local de exposição. A não ser que o próprio Francesco apareça na sua pelada de amigos para vestir. Não cometa esta heresia, por favor, amigo romanista. Afinal, são os itens que marcam a caminhada final de Totti como atleta profissional, sabe-se lá o que virá depois disso.

O novo careca da praça


Divulgação/Roma
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Monchi chegou na segunda-feira ao clube e já começou a trabalhar. Mas não esperemos nada grandioso dele por agora. O objetivo é em longo prazo


A Roma anunciou nesta semana a contratação e o início dos serviços de Ramón Rodríguez Verdejo, nosso novo diretor esportivo. Conhecido como Monchi, o careca atuou como goleiro reserva por nove anos no Sevilla antes de se tornar cartola. Entre seus feitos memoráveis como dirigente, o espanhol revolucionou a forma dos rojiblancos de encarar o mercado de transferências e pode ser responsabilizado pelas contratações que mudaram o clube andaluz de patamar.

O principal objetivo de Monchi no cargo era de desenvolver as categorias de base e instalar um sistema eficiente de olheiros ao redor do mundo para descobrir novos e baratos talentos para o clube. A política funcionou tão bem que o Sevilla encerrou a parceria com cinco títulos da Copa Uefa/Liga Europa em menos de 15 anos, se transformando na maior potência no torneio secundário europeu. Que, diga-se de passagem, a Roma nunca venceu.

O que esperar de Monchi na Roma? Bem, vamos ter paciência. Não quer dizer que logo de cara o clube passe a ter um papel de protagonista de mercado, porque nem o Sevilla conseguiu isso. Sabemos das limitações financeiras da gestão Pallotta e que agora a orientação é de fortalecer um elenco já estabelecido. A rede de olheiros da Roma opera de forma insatisfatória até o dado momento. Digo isso porque muitos destes meninos estrangeiros que chegaram nos últimos anos sequer conseguiram se estabelecer no plantel profissional.

Se Monchi pressionar o próximo técnico por mais chances aos meninos que são formados no Primavera, já é um bom começo. O que diferencia o espanhol dos demais profissionais do ramo é o olhar clínico. Graças a isso, o Sevilla conseguiu ter mais de 200 milhões de euros de lucro após transferências e ficou marcado por ótimos achados como Dani Alves, Julio Baptista, Adriano, Seydou Keita, Rakitic, Medel, Fazio, Kondogbia e Bacca. Em pratos limpos, os andaluzes pagavam pouco por um atleta que dava certo, se valorizava e era vendido por uma grana alta.


Divulgação/Roma
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A Roma trouxe o homem que ajudou o Sevilla a criar a hegemonia na Liga Europa e lucrou mais de 200 milhões de euros em transferências


Outro aspecto importante: a Roma já é uma vendedora. Quantos dos nossos grandes talentos ficaram no clube durante uma época de grande assédio? Apenas Totti e De Rossi. Todo o resto acabou cedido a equipes de maior projeção, mas ao menos ficamos com o dinheiro.

Com Monchi, o progresso não será feito da noite para o dia, mas de fato a Roma já ganha um pouco mais de autonomia e profissionalismo nas suas condutas. O novo careca de Trigoria consegue fazer litros de limonada com um ou dois limões. Daqui a cinco anos poderemos avaliar quem chegou e qual foi o impacto causado por suas transferências.

O sonho é que, assim como o Sevilla, a Roma também mude de patamar e suba alguns degraus para ser vista e temida como uma potência. Voltar a ganhar troféus dentro da Itália parece um bom primeiro passo. Contudo, isso não depende só de Monchi. Também é uma grande responsabilidade do senhor Pallotta e de quem será escolhido para ser treinador, em conjunto com o próprio Monchi. Que esta temporada frustrante seja a nossa última comendo o pão que o diabo amassou.