Dzeko já fez história pela Roma. Ele pode ir ainda mais longe?

Divulgação/Roma
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Dzeko fez seu 34º gol no fim de semana, contra o Bologna. Ainda restam sete jogos para ele chegar a um novo recorde com a camisa giallorossa


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Dzeko está simplesmente incrível nesta temporada. Até o momento, pela Roma, o bósnio marcou 34 gols em 45 partidas, uma média impressionante e crucial para o progresso da equipe nesta Serie A. Que ele está inspirado, nós já sabemos, apesar de também perder outros tantos gols fáceis. Mas qual Dzeko é o verdadeiro? O do primeiro ou o do segundo ano?

Antes de mais nada, que fique claro: a marca de 34 gols já é a maior da história da Roma em uma só temporada. Edin superou os 32 marcados por Totti, em 2006-07, quando o Capitano levou o prêmio de Chuteira de Ouro da Europa (26 deles foram pela Serie A). Ainda que Dzeko não seja o artilheiro na Liga, seu desempenho merece muitos elogios. Quando falamos em Serie A, o maior goleador em uma só edição ainda é Rodolfo Volk, que fez 29 na temporada 1930-31.

O que anima é lembrar que até o primeiro semestre de 2016, Dzeko era só um peso morto no time. Lento, preguiçoso, ineficiente. Parece até que ele renasceu como jogador, quando já estávamos pedindo a sua saída do time. Para quem acompanha o blog desde o início, sabe o quanto foi sofrido aturar a presença do camisa 9 no ataque. Mas ele calou os críticos (estávamos entre eles) e respondeu em campo, sem entrar em polêmicas.

Em números, é possível sintetizar a nova fase do bósnio: foram sete dobletes e dois tripletes (ou hat-tricks, como preferir) nesta temporada. É notório que sem ele marcar, a Roma sofre para vencer. Isso quando não perde ou só empata. Para a nossa sorte, ainda não está caracterizada uma dependência explícita em relação a ele. Ênfase no ainda, pois nunca é tarde para uma nova romada.



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Olhando para o resto da carreira de Dzeko, temporadas com mais de 20 gols não são como escavar o quintal de casa e encontrar petróleo. Ele é profissional desde 2003, quando estreou pelo Zeljeznicar. Em 2005, passou por Usti nad Labem e o Teplice na República Tcheca, antes de ser descoberto pelo Wolfsburg. O grande feito do centroavante é ter sido campeão alemão com os Lobos em 2008-09. Ao todo, ele marcou 36 gols naquele ano, sendo 26 na Bundesliga. Curiosamente, o artilheiro acabou sendo o seu companheiro de ataque, Grafite, com 28.

No ano seguinte, ainda pelo Wolfsburg, Dzeko anotou 30 gols, o que lhe rendeu uma transferência para o Manchester City em 2010. Era titular absoluto e não completou a terceira temporada na Alemanha, seguindo para o futebol inglês. Assim como na sua chegada à Roma, Dzeko teve problemas de adaptação, mas conseguiu fechar 2010-11 com seis tentos, somados aos 10 que havia feito com a camisa dos Lobos.


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A passagem pelo City teve certa consistência. Dzeko teve quatro temporadas e meia para mostrar seu futebol, amadurecendo bastante, mas sem nunca ser colocado como o principal jogador na posição. Progressivamente, os números foram bons. Após a marca de 16 gols em 2010-11, ele ampliou o cartel para 19 em 2011-12, decaiu um pouco para 15 em 2012-13, mas se recuperando muito bem em 2013-14 com 26. Deste ponto em diante, perdeu espaço, ficando no banco em 2014-15, quando apenas foi às redes em seis ocasiões.

Neste intervalo, ele foi campeão algumas vezes. Levou a Premier League em 2012 e 2014, a Copa da Inglaterra em 2011, além da Copa da Liga em 2014. Foi emprestado à Roma ainda em 2015 e é inegável que foi apontado como grande reforço para o momento. No ano passado, porém, o desempenho na Serie A foi patético. Foram apenas oito gols em 31 jogos, mais dois pela Champions, o que fez o bósnio encerrar a temporada com 10, bem pouco para um homem de referência.

As porradas que Dzeko levou no ano passado podem ter servido para algo. Ele parece mais disposto a se entregar, dar o sangue, correr na bola, não ficar só paradão esperando um cruzamento ou um passe. Tenho conversado com outros amigos romanistas, que disseram que os mais de 30 gols por parte de Edin são uma mentira. Resolvi então pesquisar para chegar a uma conclusão. E ela é bem positiva quando analisamos os números dele em geral. Aos 31 anos, ter 226 gols é uma credencial bem respeitável.

A resposta ideal virá na próxima temporada, teoricamente nas mesmas condições que ele encontra agora para aprontar das suas. Nós cornetamos, mas este time de Spalletti foi o melhor e mais ofensivo que a Roma montou em muito tempo. Entretanto, não cairemos em comparações porque são muitos elementos a se considerar.


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Em suma, é muito bom ver Dzeko no auge. Com energia, participação, criando muitas chances. Neste momento, cornetar um cara com mais de 30 gols não é questão de coerência, é só estupidez. Que a Roma de 2017-18 seja ainda mais sólida na defesa e Dzeko possa ir ainda mais longe do que neste momento.

É claro que os resultados não vieram para coroar esta grande sequência do bósnio, mas ao menos temos com quem contar para colocar a bola dentro do barbante. O negócio é pedir perdão ao gigante pelas críticas e confiar nele para que ano que vem possamos sonhar com alguma coisa maior do que o vice-campeonato italiano.