Para a Roma, é sempre tudo ou nada

Divulgação/Roma
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El-Shaarawy fez o primeiro gol romanista contra a Lazio. Esforço e três gols foram em vão na semifinal da Copa da Itália


Irrita. Irrita saber que, mesmo contra um time inferior, a Roma não fez mais do que defecar nas próprias calças. Que após tantas batalhas, gols e vitórias incríveis, a equipe de Luciano Spalletti não esteja minimamente preparada mental e fisicamente para um jogo decisivo. O único resultado possível para esta terça-feira era vencer, daí vencemos, mas, ainda assim, o gosto continua bem amargo.

Para a Roma, é sempre tudo ou nada. Nos colocamos em situações adversas e, quando morremos afogados, batendo pernas e braços desesperadamente, fica a sensação de que fizemos o melhor para evitar. Mas até quando vamos nos contentar somente em morrer na praia? Com esse time, que tinha suas limitações, mas continua bem melhor do que a Lazio, será que não dava para tirar algo mais? Sim, é claro que o esforço desta semifinal de Copa da Itália precisa ser reconhecido, mas não deixa de ser bizarro o quanto chegamos longe só para amargar mais uma eliminação para o rival.

É inadmissível tomar os dois gols que tomamos e a tendência repetitiva e burra de só cruzar na área é um sinal de que esgotaram-se os nossos recursos. No último post deste blog, mencionei que poderíamos ganhar oito partidas até o fim e sonhar com o scudetto. Bem, o espírito competitivo da Roma não é tão feroz quanto se pensava. Ainda precisamos comer muito arroz e feijão para saber e poder encarar um jogo grande como este contra a Lazio.

O amigo romanista (e os outros torcedores que visitam este blog) devem ficar pensando que o copo está sempre meio vazio, não meio cheio. E talvez até tenham razão se tirarem esta conclusão. Porque sejamos honestos: desde o jogo contra o Porto, a Roma sempre deu a impressão de que poderia chegar longe, mas frustrou em todo jogo que era questão de vida ou morte. Foi assim na Champions, foi assim na Liga Europa quando fomos surrados pelo Lyon, foi assim nos dois jogos contra a Lazio, em que acabamos eliminados por detalhes. Detalhes como a desatenção da defesa nos dois gols da terça. Detalhes como a mudança repentina de formação em um momento em que tudo que se pedia era o básico, era o que já vínhamos fazendo.


Por que pareceu uma boa ideia sacar Fazio, improvisar Rüdiger de lateral e escalar Juan Jesus? Por que apostar em El-Shaarawy e Salah se Perotti era o atacante que melhor apoiava o trabalho de Dzeko?


Divulgação/Roma
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Torcida giallorossa fez festa no Olimpico, mas o time simplesmente não estava à altura da vibração vinda das bancadas


Com tantas hipóteses, a cabeça do romanista explodiu. E tudo poderia ter sido diferente se aquela primeira finalização de Dzeko entrasse. Como o “se” não entra em campo, ficamos aqui pensando como é que seria “se” fôssemos realmente competentes. Aí tudo vem à tona. O elenco curtíssimo, as poucas opções realmente talentosas no banco, as escolhas erradas e a teimosia de Spalletti, a diretoria sovina, a instabilidade mental do elenco (o que foi Manolas contra a Lazio?), entre outros problemas pequenos e que foram ignorados pela maioria das pessoas que acompanham este time.

A Roma faz sempre quase tudo certo. Mas fazer quase tudo certo não resulta em título. Resulta, no máximo, em gratidão pelo esforço. O futebol não se resume a taças, existem milhões de emoções que compensam o sofrimento a que somos submetidos. Mas se você for romanista, pode perceber que a frustração é uma constante. É triste saber que os deuses do esporte nos permitem sonhar com uma realidade diferente e que todo ano nós caímos na mesma ilusão que é projetar qualquer taça sendo levantada. Talvez fosse melhor se estabelecer em sétimo, oitavo lugar, assim ninguém exagera no otimismo e nem mesmo a promessa mais fantástica nos tira da cabeça o que somos de verdade. Novamente, a linha entre o sonho e a ilusão é muito tênue.

Mais um ano de mãos vazias. Mais um ano perdido, e assim seguimos. Nesse tango de uma nota só, a gente vai envelhecendo sem ter a mínima noção do esforço que foi dar cabo destes anos duros. Em breve, chegaremos ao décimo aniversário de mais esta fila.


Vamos dormir mais uma semana de cabeça inchada, sabendo que uma Lazio medíocre nos tirou o pão da boca. Futebol é isso aí. Não basta ser melhor. É preciso parecer melhor. Segue o baile, rumo ao vice na Serie A. Mais Roma que isso, impossível.