A pergunta de ouro para a Roma: o scudetto está ao alcance?

Divulgação/Roma
Divulgação/Roma

Radja em uma de suas tentativas no sábado, contra o Empoli. Roma esteve tranquila e quase sonolenta no Olimpico, mas venceu


Não adianta. Enquanto for possível e plausível, o romanista vai acreditar no scudetto. O pessimismo irreversível às vezes se traveste de esperança e começamos a projetar coisas que dificilmente dariam certo, mas que, por alguma razão, fazem sentido.

É certo de que você já achou que poderia namorar a menina mais popular da escola, que um dia teria dinheiro para andar de Ferrari (não disse como) ou que traçou planos de apostar na Mega Sena da virada e ficar milionário. Lembra de como foi legal planejar como iria gastar aqueles milhões? Lembra também de como foi frustrante conferir as dezenas no sorteio e nenhuma delas ser a que você escolheu?

A Roma está a apenas seis pontos da Juventus, restando oito rodadas de Serie A pela frente. Com uma vitória diante do Empoli no sábado (quem dormiu, levante a mão ou se manifeste nos comentários), a equipe de Luciano Spalletti conseguiu poupar um pouco o físico de seu elenco para o dérbi de terça-feira, valendo vaga na final da Copa da Itália. O jogo foi tranquilo, dois gols de Dzeko, segurança no ataque (exceto por Salah) e sufoco na defesa só vimos no primeiro tempo.

Certo, aí quem não é romanista e se pega lendo este texto, pergunta: como diabos o dono desse blog acha que a Roma pode ser campeã italiana? Eu respondo: não necessariamente, mas há uma remota possibilidade, tão provável quanto encontrar uma poça d’água durante uma peregrinação pelo deserto do Saara. Mas tratemos isso de uma forma objetiva, sem pegadinhas, sem lorotas, sem otimismo demais.

O critério de desempate é o confronto direto. Vocês devem lembrar que no primeiro turno, os juventinos venceram em Turim por 1x0, gol de Higuaín. E certamente também podem se recordar que, apesar da derrota, foi uma das melhores atuações da Roma na temporada. Perfeito, sabendo disso, usemos dados. Estes são os nossos oito jogos finais pela Serie A: Bologna (fora), Atalanta (casa), Pescara (fora), Lazio (casa), Milan (fora), Juve (casa), Chievo (fora) e Genoa (casa). E estes são os confrontos da Juve: Chievo (casa), Pescara (fora), Genoa (casa), Atalanta (fora), Torino (casa), Roma (fora), Crotone (casa) e Bologna (fora).

Não é uma sequência fácil para os giallorossi. Teremos três grandes de uma vez e a encardida Atalanta pelo caminho. Sem oba-oba, é possível vencer todas essas partidas. Entretanto, estamos falando de Roma, então muito provavelmente chegaremos com margem de três pontos atrás da Juventus e perderemos para o Chievo por 2x0, enterrando assim a possibilidade de scudetto, que, aliás, já foi maior em anos passados, como em 2008 ou 2010.

Olhando para a reta final juventina, é praticamente impossível que eles percam seis pontos. Os únicos jogos em que isso é minimamente suscetível são contra Atalanta e Roma, ambos fora de casa. Porque dentro do Juventus Stadium, podemos ir tirando o cavalinho da chuva. Além da própria Roma, a Atalanta é a única possibilidade de tropeço, mas para que isso sirva, é preciso que os bergamascos vençam. Ou seja, vamos abraçar o vice. Foi bom ter uma injeção de ânimo, mas como sempre, não vai dar para chegar ao tetra.


Jogo a jogo: dá para sonhar?


Divulgação/Roma
Divulgação/Roma

Segundo gol de Dzeko foi uma testada no alto da meta de Skorupski. Graças ao bósnio, a Roma voltou a sonhar com o scudetto


Ah, mas daí você quer ler uma análise de jogo a jogo sobre o caminho da Roma? Tudo bem. Vamos lá. O Bologna sempre encrespa contra nós quando joga em casa. Contudo, existe o dado de que nos últimos cinco jogos que os rossoblu fizeram como mandantes, foram quatro derrotas e apenas uma vitória. Venceremos. Aí vamos para o Pescara, fora, que não oferecerá grande resistência. É claro que é sempre bom tomar cuidado com o ataque de um time montado por Zdenek Zeman, mas reside aí uma grande chance de se vingar do velho fumeta tcheco pela última e desastrosa passagem por Trigoria. Goleada.

A partir daí, tudo se complica de uma forma, digamos, rocambolesca. Pegamos a Lazio em casa com grandes chances de vitória, sobretudo por termos uma equipe mais competitiva. Entretanto, o resultado do dérbi da Copa da Itália terá peso enorme para este contexto. Se perdermos na terça-feira, a moral pode ser abalada para o quarto e último confronto da temporada. Ou pode causar uma necessidade de revanche. Uma vitória e classificação servirá como empurrão e aumenta ainda mais a possibilidade de um passeio. Venceremos. Depois do dérbi, outro jogo grande: enfrentamos o Milan, no San Siro. Este mesmo Milan empatou com o Pescara fora de casa, em 1x1. Como mandante, a equipe de Vincenzo Montella já perdeu para Udinese, Napoli e Sampdoria na competição. É possível.

Feito isso, encerramos a trinca demoníaca contra a Juventus, em casa. Com padrão de jogo e dominando as ações, temos chances de igualar na técnica e sair com um resultado magro que nos favorece. Qualquer 1x0 está de bom tamanho e é possível, não estamos falando de uma goleada contra o Barcelona dentro do Camp Nou. Até agora, no Olimpico, só perdemos para o Napoli na Serie A, sendo necessário relembrar o contexto de uma intensa sequência de jogos em que o elenco curto estava sem pernas. Vai dar. Fechamos a Serie A como visitantes com um embate diante do Chievo, em Verona. Em seus cinco últimos confrontos jogando no Marc’Antonio Bentegodi, a equipe somou duas vitórias, duas derrotas e um empate. Venceremos.

Na rodada derradeira, que provavelmente também será a despedida de Totti, pegamos o Genoa em casa, em um confronto que não valerá nada para os grifoni e terá imenso peso histórico para nós em virtude d’Il Capitano. Em sintonia, o time deve respeitar o momento do ídolo e ter ótimo desempenho para somar os três pontos e fechar a temporada sabendo que fez o possível. Venceremos.


E então, com tudo isso em consideração, precisamos (e podemos) vencer os últimos oito jogos. Quer dizer que é tudo nosso? Não. A romada não enxerga limites, e como já foi pontuado neste texto, existe uma chance de que sejamos derrotados pelo Chievo, só para não perder o costume, isso se não cairmos diante da Atalanta dentro de casa. Além do fato de que tropeços em Milão, no dérbi e no clássico com a Juve também são cartas que não podem ser tiradas do baralho.

Na hipótese mais otimista, fazemos nossa parte para pressionar a Juve com estas oito vitórias. Entretanto, ainda assim precisaríamos torcer por duas derrotas e um empate dos turinenses em sua tabela. Como os bianconeri ainda estão na Liga dos Campeões, o calendário exigirá deles certo esforço para eliminar o Barcelona, o que representa objetivamente um time misto em pelo menos duas rodadas no Italiano. Se avançarem, somamos mais dois, quem sabe até três aparições do competente "Mistão do Allegri" em campo.

São muitos fatores que contam contra o título romanista. Contudo, para quem já começou a temporada esperando uma arrancada juventina, chegar à esta altura com apenas seis pontos de diferença é o melhor dos cenários. Haja secador para acompanhar os jogos da Juve até o fim.

Tudo pode acontecer no futebol, por isso o esporte é tão maravilhoso, coisa e tal. Mas na Itália, especialmente, as coisas são previsíveis. Lá, o futebol se joga com 11 para cada lado, uma bola, duas traves, um árbitro e dois bandeirinhas. E no final, a Juventus sempre vence.


Que este script seja saborosamente alterado uma vez nesta década tão dominada pelos alvinegros. Em suma, para não dar ponto sem nó: o scudetto é apenas um sonho que viverá em nossa mente enquanto houver a mínima possibilidade. Sonhar e se iludir são coisas bem diferentes.