A eliminação doeu, mas o futebol da Roma foi ótimo

Divulgação/Roma
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Strootman desvia para a rede e empata para a Roma no primeiro tempo: gol do Lyon não atordoou os giallorossi em campo


Valeu. Valeu demais. O coração quase não suportou, mas valeu. Corajosa e com a cabeça no lugar, a Roma foi eliminada em casa e, de pé, aplaudida pela torcida e com uma vitória que de alguma forma anima para os próximos desafios que teremos.


Foi o jogo do ano em Roma. Era um confronto que valia muita coisa, a sobrevivência no campeonato que nós merecíamos ter ganhado por tudo que a equipe vinha fazendo. Em uma noite que começou trágica, mas acabou com uma virada insuficiente, resta ter orgulho do que foi feito e crença no que ainda pode ser conquistado nesta temporada.

O que mais machuca na eliminação pela Liga Europa não é só a queda. É a sensação de que fomos melhores, criamos mais de 10 chances claras e chegamos vivos até o último minuto. Por mais que a tristeza fale alto, não faltaram motivos para apostar na Roma na semifinal da Copa da Itália contra a Lazio. Pela energia demonstrada, pela garra e, acima de tudo, pela tranquilidade, mesmo em situação adversa.


Que outra Roma caiu jogando tão bem assim? Não tivemos um novo vexame e a partida de volta ante os franceses foi um grande exemplo do que temos a oferecer. Na Serie A, já vimos que o padrão romanista é agressivo e letal. O erro na França foi ter ficado quase todos os 90 minutos com um time cansado e o Lyon atacando justamente esta fragilidade física. Vão-se os aneis, ficam os dedos. A fase turbulenta se dissipou e a consistência continua marcando a campanha de Luciano Spalletti. Evidente que isso ainda não me convence que ele é o técnico ideal para a próxima temporada, mas agora não é o momento para debater isso. Quem sabe em outro texto.

O Lyon passou de fase, mesmo se cagando perna abaixo. O goleirão Anthony Lopez foi o nome do jogo, ao lado de Alisson. Os dois arqueiros foram preponderantes para o duelo, especialmente o português. Eles salvaram suas equipes de uma derrota grande. Alisson, que cresceu demais neste momento tão tenso, fez defesas incríveis e se a Roma passasse, o bicho seria todo dele. Ao que dependeu do camisa 13, a Roma teria sobrevivido. E sim, Szczesny tem uma baita sombra no banco. Se o polonês não for bem por algum tempo, perderá a vaga para o titular da Seleção Brasileira. Com enorme justiça.


Aliás, enquanto nós tanto queríamos vingança contra o Manchester United pela goleada imposta 10 anos atrás, foi o Lyon que obteve uma revanche. Naquela fatídica Liga dos Campeões em que avançamos até as quartas de final, a vítima da Roma de Mancini, Vucinic, Totti e Taddei (!!) foi o Lyon de Juninho Pernambucano. O nosso adversário não esqueceu daquele 2007. Nem nós esquecemos do golaço de Mancini, aquele das mil pedaladas.


Divulgação/Roma
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O fumante Nainggolan correu muito e ajudou demais na armação, mas não estava inspirado. Ninja ainda é o grande jogador da Roma na temporada


Simplesmente não há motivos para fazer clima de terra arrasada. Os giallorossi ainda estão em segundo lugar na Serie A, encaminhando uma classificação direta para a Liga dos Campeões. E na Coppa, teremos a mesma missão de hoje, exceto pelo fato de que a Lazio não tem tanta qualidade na sua defesa e certamente jogará para administrar os dois gols que tem no agregado.

Hoje também não é dia de criticar Spalletti. Ele tirou Bruno Peres que vinha muito mal para promover a entrada de El-Shaarawy, o responsável pela sobrevida romanista na partida. Foi dele o passe para o gol contra de Tousart. A frustração não pode ser descontada em nenhum jogador, nem mesmo no careca. E o que aconteceu no jogo de ida é passado. A Roma fez o que pôde para reverter o agregado, se entregou, é isso que a torcida espera ver de agora em diante. Felizmente, com pernas menos cansadas.

A temporada não acabou. Está longe de acabar. Foco total na Coppa, que em 4 de abril terá o segundo jogo do dérbi, valendo vaga na final contra Napoli ou Juventus. É difícil, amigo romanista, mas continuemos acreditando. Bem melhor do que jogar a toalha com alguma chance de glória por vir.


Agora o alvo é a Lazio e temos pouco mais de 15 dias para preparar a estratégia de guerra. Guerra mesmo, entrar com a faca entre os dentes, força máxima e o mesmo apetite mostrado contra o Lyon. Se atuarmos nesses termos, a final estará a um passo. Que assim seja.