É agora, Spalletti: ou vai, ou racha

Divulgação/Roma
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'ACOBOU A PAS, ISPALETI' seria uma pichação ideal da torcida nos muros do CT em Trigoria


Aconteceu o que a torcida mais temia. Depois da derrota ridícula no dérbi pela Coppa, a Roma fraquejou outra vez e entregou de bandeja os três pontos para o Napoli, perdendo a invencibilidade em casa pela Serie A. Além do segundo revés consecutivo, do cansaço e do efeito que isso causa na moral do elenco, ainda temos o Lyon na quinta-feira, pela Liga Europa, fora de casa. Agora, mais do que nunca, ou vai, ou racha.

A Roma não tem muito mais o que mirar na temporada. A Serie A já tinha ido para as cucuias, a Juventus jamais vai perder oito pontos de vantagem e nós não iremos conseguir 100% de aproveitamento. É isso, fim de papo. Mas isso não era nenhuma surpresa, mesmo com grandes atuações na competição. À parte disso, ainda contamos com duas chances de título, pela Coppa e pela Liga Europa. Dentro de 20 e poucos dias, teremos a volta contra a Lazio e é para se jogar todas as fichas na mesa em busca do 3x0 que nos fará avançar para mais uma decisão.

Não estamos mais na posição de perder para o Lyon. Agora é hora de começar a poupar melhor o elenco para as outras decisões. Se precisar entrar com o Primavera na Serie A, que seja, tudo por uma taça. Já vimos que o banco não está nem um pouco à altura dos titulares e isso também ajuda a explicar a queda de rendimento. Como Spalletti errou na estratégia ao colocar força total contra a Inter, no domingo passado, o cansaço e a pressão murcharam os jogadores para os confrontos com Lazio e Napoli.

No último sábado, como mandante, a Roma apanhou do Napoli no primeiro tempo e nem parecia estar jogando em casa. Completamente neutralizada pela proposta de Maurizio Sarri, a equipe giallorossa só reagiu nos minutos finais, mas não merecia ter vencido ou sequer empatado. Foi a segunda derrota em menos de uma semana, o que já traz certa preocupação com os rumos desta temporada. Mais do que o físico e o técnico, será que temos estabilidade emocional para chegar a uma decisão? Não parece.

Spalletti se perdeu e agora todo mundo sabe qual é o ponto fraco da Roma. De tanto usar a mesma escalação, sem variações (apenas reposições), o time ficou previsível. O careca tem mais é que tomar umas belas broncas, talvez uns tapas para se situar. Vai ser dificílimo conseguir um bom resultado contra o Lyon, nesta quinta-feira, não espere um jogo dos sonhos, amigo romanista. A previsão é que voltemos para a Itália com mais uma derrota na bagagem, mas que se for por apenas um gol, é plenamente reversível no Olimpico. Para isso, precisamos ter pernas.


Divulgação/Roma
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DDR escapou de ter sido expulso contra o Napoli, no sábado. Temperamento dele prejudicou a Roma algumas vezes nesta temporada


Aqui vão algumas soluções emergenciais: Nainggolan, Strootman, Manolas, Rüdiger e Dzeko precisam descansar. El-Shaarawy precisa tirar a cabeça de dentro da terra e jogar bola como fez na sua primeira temporada. Totti tem de ser a alternativa e ganhar mais minutos, não só os cinco finais de um dérbi, uma humilhação à sua história. De Rossi resolve seu problema de temperamento se tomar um remedinho antes de entrar em campo. E Fazio talvez deva ficar um jogo de fora para se recuperar do fiasco que foi diante do Napoli.


E aí é que nos deparamos com a principal carência desta temporada: se estes caras saírem, quem entra? A situação é tão desesperadora que até eu aceito um contrato de três meses para sentar no banco de reservas. É só me ligar, Baldissoni. Garanto estar com uma forma física melhor que a do Vermaelen.

Mais uma vez, bato na tecla do planejamento. O único reforço da janela de janeiro foi um atleta que tem histórico de lesões e que não pode ser inscrito na Liga Europa. O que que estes caras da diretoria tanto ficam fazendo durante o expediente, se não possuem a mínima capacidade de enxergar lacunas no plantel e a necessidade de ter um elenco maior para jogar tantos campeonatos? Jogam truco, Paciência, Solitaire, ficam tuitando ou alisando o retrato do presidente? Cadê o trabalho? Agora que a vaca está deitando, não adianta mais inventar desculpas.

Esse trabalho deveria ter sido feito em janeiro, mas gastamos tempo demais nos livrando do engodo chamado Iturbe. Sobra muito pouco se tivermos de escalar um mistão na Serie A. Muito pouco. E o nosso time reserva ainda é fraco, não ganharia nem do Bologna em uma tarde chuvosa de terça-feira. Que dirá se manter em uma zona de classificação para a Liga dos Campeões.

O jeito é dar “all in” na Liga Europa e na Coppa, seja o que o destino quiser. Depois do que vimos na última semana, o que vier é lucro. Terminar este semestre com o rabo entre as pernas e o dissabor de mais uma grande frustração é a tendência em Trigoria. A não ser que rasguemos tudo o que foi feito de errado até agora e comecemos de novo, do jeito certo, sem preguiça, sem política de austeridade e sem gastar milhões em novos Gersons.

Que tal fazer futebol de outra maneira, presidente Pallotta? Que tal acabar com o Spallettismo de uma vez por todas ao fim da temporada? Se ganhar ou perder, abraça o Careca, assina a rescisão, tchau e bênção. Vamos tentar algo diferente, sem sebastianismo, com caras que realmente podem fazer a Roma se portar de acordo com a sua história? Estamos esperando, presidente. A culpa dessa monotonia de resultados não é só responsabilidade de jogadores e técnicos. Os americanos também precisam ouvir poucas e boas pelo insucesso da gestão.