Rüdiger merece uma reviravolta pessoal contra a Lazio

Divulgação/Roma
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Antonio, no dérbi do fim de 2016: a vitória que feriu e fez sangrar uma parte da torcida da Lazio


Sempre que a gente pensa que a coisa vai embalar, a Roma trata de nos lembrar de que não é confiável. É sempre assim, mas nunca aprendemos. É como o ratinho que se vê seduzido pelo queijo e sempre acaba com as patinhas presas na armadilha por não desistir do objetivo. Assim somos nós, ratinhos eternamente presos na armadilha que nos separa do sonhado queijo.

Fosse só a derrota o único motivo para socar a mesa, estaria bom. Mas não foi. Desde o começo da partida, Rüdiger foi alvo de vaias e xingamentos por parte da torcida da Lazio. Ganha um doce quem adivinhar a motivação. Pois é, depois da escrotidão de Lulic no último encontro, este mesmo pessoal que tem orgulho em ser preconceituoso tomou posição favorável ao bósnio. Não se espera muita coisa desta turma específica, mas, em um momento em que tanto se fala e combate o racismo, endossar uma ofensa racial em local público é mais do que inaceitável.

A hora que a Federação Italiana resolver comprar essa briga de verdade, e não só ficar contemporizando conflitos, talvez avancemos um pouco nessa questão. O contexto de hoje, por tudo que vimos em campo, irritou demais. Irritou ver que 10 dos romanistas estiveram abaixo da crítica e que o único que tinha direito de se sentir desestabilizado foi o que mais lutou até o fim.

Rüdiger é uma das melhores contratações que a Roma fez nos últimos anos. E virou um símbolo desse time quando o babaca Lulic não soube perder e apelou para o preconceito. Toda vez que ele tocava na bola, era possível ouvir as vaias vindo do pessoal laziale. Mas como nunca acontece nada com eles, esse comportamento se repete. Antonio merecia ter feito um gol para calar toda essa gente que acha que é superior por ser branca, que usa o futebol como refúgio para o seu ódio. Também, pudera, a impunidade reina nesse meio e os valentões de meia-tigela ainda são tratados com passadas de mão na cabeça.
Por este motivo o próximo dérbi precisa ter clima de guerra dentro de campo. Com lealdade e espírito esportivo, mas como se a vida de cada atleta dependesse disso. Porque é disso que se trata um grande clássico.


No entanto, o amigo romanista não pode perder seu tempo devolvendo o ódio à Lazio ou a seus torcedores. É lamentável criticar esta parte da torcida biancocelesti e cometer os mesmos crimes com a desculpa de que eles são nossos “inimigos”. Não há nenhuma justificativa que sirva para diminuir a gravidade de uma atitude preconceituosa ou de um comportamento reprovável. Isso vale para nós e para eles, não existe lei pela metade. Ela deve ser seguida por todos. Me deparei com alguns comentários asquerosos direcionados à Lazio e outros clubes italianos recentemente, no que posso considerar igualmente lamentável ou até mais grave, já que estas mesmas pessoas acusam os laziali de preconceito sistemático. Não é só no quintal do vizinho que tem sujeira. Ponto final.

Sobre a partida


Divulgação/Roma
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Dispersa, a Roma errou demais e pagou caro em dois gols que podem ser fatais na Coppa


A Roma não quis jogar o clássico de hoje. Não, não quis. Por mais que o pessoal das redes sociais vendesse o dérbi contra a Lazio usando Totti e mais Totti, só vimos o Capitão em campo nos cinco minutos finais, mais um capítulo humilhante promovido por Luciano Spalletti. O careca não teve a capacidade e nem culhões de mexer no time enquanto éramos engolidos em campo e o placar final de 2x0 ainda foi muito pouco pelo que apresentamos nos 90 minutos.

Uma equipe arrogante, mole, desinteressada, talvez ainda acreditando que seja mais fácil vencer a Serie A do que um torneio de mata-mata. Não perdíamos para a Lazio desde aquele maldito jogo na final da Coppa em 2013. Com o mínimo de decência, o jejum laziale teria continuado. Mas não estamos falando de um “se” aqui, estamos tratando de uma partida em que só um dos times procurou a vitória. E encontrou, com gols de Milinkovic-Savic e Immobile.

Como é que a gente pode querer alguma coisa quando a equipe se posta dessa maneira? Os caras gastaram todo o gás contra a Inter, e no jogo que realmente importava, entraram como bêbados. A afobação foi tanta que várias vezes vimos um romanista chutando ao gol e atingindo um colega. Foi um dos desempenhos mais ridículos da temporada, justamente em um dérbi de suma importância. Temos agora toda a desvantagem de dois gols sofridos no agregado e o tempo de um mês até o reencontro.

Por sorte o regulamento prevê o jogo de volta, porque se não já estaríamos aqui lamentando uma eliminação grotesca diante de um adversário claramente inferior tecnicamente. Acontece que o futebol não é só ser melhor que o seu rival, é se portar como melhor, é justificar a sua qualidade, algo que a Roma não fez em nenhum momento. A Lazio nem precisou ser brilhante e levou. Porque teve gana de se vingar de uma equipe que não vencia desde 2013. Quanta coisa mudou desde 2013...

O único desconto para a vergonha de hoje foi mesmo o cansaço. E certamente veremos mais pernas bambas contra o Napoli, no fim de semana. Como o elenco é reduzido, não podemos nos dar ao luxo de escalar alguns reservinhas na partida. Sem falar no meio da outra semana, em que pegaremos o Lyon, na França, pela Liga Europa. Se no segundo jogo mais encardido o pessoal já está pedindo arrego, significa que jamais conseguiremos chegar inteiros ao fim da temporada. O que rende um aplauso em massa (irônico, evidentemente) para quem planejou este plantel com menos de 20 caras para encarar três competições na temporada. Economizaram tanto em reforços que agora terão de escalar o roupeiro ou algum gandula para completar o time no momento mais decisivo da temporada.

A derrota para a Lazio tem de ser criticada pela seriedade que o momento exige. Não podemos mais vacilar assim, não podemos entrar em campo de cabeça baixa, independente de quem esteja do outro lado. É uma lição que temos de aprender com este dérbi. Ou aprendemos, ou estaremos condenados a mais um ano batendo na trave.