Roma 4x1 Torino: Outra exibição de campeão

Divulgação/Roma
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Paredes foi muito bem na marcação e até fez um golaço no segundo tempo


É muito difícil ser o segundo melhor em qualquer coisa da vida. Porque não importa quanto você se esforce, nunca vai ser o suficiente. A Roma montou um time que se provou ofensivo ao máximo, com grandes atuações e goleadas. Mesmo com essa eficiência, continuaremos comendo poeira da Juventus na Serie A, de longe. A surra desta rodada foi contra o Torino, por 4x1, enfatizando nosso instinto assassino dentro da área. Mas de alguma forma, bate uma amargura por isso não servir para muita coisa dentro do contexto do campeonato.

Temos três frentes importantes na temporada. A própria Serie A, na qual dificilmente levaremos o troféu em virtude do amplo domínio da Juve, a Copa da Itália, que por ser um torneio eliminatório nos dá mais chances de título e a Liga Europa, que para quem fica no limbo da Liga dos Campeões, serve para mostrar grandeza.

A Roma encantou demais no domingo, quando homenageou Florenzi, novamente lesionado com gravidade no joelho. O número 24 de Floro foi incorporado à manga esquerda de cada jogador, simbolizando a união e o apoio ao jovem ídolo romanista. O público era bom e o futebol foi melhor ainda: os quinze minutos iniciais serviram para marretar o Toro, explorar as pontas e sobretudo a linha mal posicionada de defesa dos turinenses. Os gols saíram com naturalidade e a impressão é que o placar poderia ter sido ainda mais elástico. O pobre Joe Hart, que tem braços curtos como um tiranossauro rex, não pôde impedir o bombardeio giallorosso na capital.

Spalletti fez o básico, poupou alguns titulares em virtude da Liga Europa e ainda assim, os giallorossi não atuaram abaixo da própria média recente: Szczesny, Fazio, Manolas, Juan Jesus, Bruno Peres, Emerson, Strootman, Paredes, Nainggolan, Salah e Dzeko. Cabe uma observação: não temos o elenco tão numeroso assim para alterar completamente a formação de um jogo para o outro. E esse entrosamento fez a diferença em cada jogada que saía, por mais que pareça sempre a mesma formação em campo, saindo um ou outro.

Dzeko, puta merda, que centroavante. Quando está acordado, o bósnio briga pela bola, consegue driblar, dá bons passes e enxerga espaços como uma lince. Pena que este Dzeko não joga sempre. Hoje vimos um camisa 9 longe daquela figura estática e preguiçosa. Além de oportunista, Edin criou um golaço para abrir o placar, buscando a bola no ataque, rompendo a parede do Torino e chutando no contrapé de Hart.

O jogo estava tão favorável à Roma que até Paredes fez o seu. Um chutaço de longe que Hart não conseguiu defender (assim como todos os outros chutes decentes que foram em direção ao gol). Salah anotou o segundo em um sem pulo e Nainggolan fechou o placar já no fim, com assistência de Totti. Ah, o Torino fez um gol, mas ninguém nem reparou. Foi um puta baile.

E então voltamos ao dilema: como ser muito bom, mas sempre ser o segundo? Isso de alguma forma diminui nosso mérito? A Roma pode fazer mais do que isso que temos visto, estas exibições de luxo com quatro gols? Ou estamos mesmo condenados ao eterno Barrichellismo? Só para abrir um parêntese sobre Fórmula 1, a injustiça que o Brasil fez com Rubens Barrichello pode ser desfeita nas próximas décadas, quando o esporte não contará com mais pilotos brasileiros no grid. E aí olharemos para os tempos de Rubinho com certo saudosismo, porque ele pelo menos pegava um segundo lugar ali, de vez em quando, ganhava uma corrida, andava atrás do Schumacher. Schumacher, que fez algo parecido com o que a Juventus está conseguindo na Serie A. Uma hora isso acaba.


Temos uma obsessão com títulos, o que é natural para quem esteve tão perto deles nos últimos dez anos. Sei que é uma merda ter de se contentar com o segundo lugar mais alto do pódio, mas isso mostra que sempre fomos o concorrente mais forte do campeão. Se um dia a Roma voltar a ser a porcaria que era na década de 1990, talvez olhemos para os anos 2000 com mais carinho, naquele período sofrível com Cassetti, Tonetto, Esposito, Barusso, José Ángel, Martínez, Okaka, entre outros bagres. Que isso demore a acontecer, porque me recuso a dizer qualquer coisa positiva daqueles momentos.

Para a história da Roma, este desempenho de agora é um dos mais fantásticos, muito embora o nível de competição tenha diminuído demais em comparação aos times de 1983 e 2001, conhecidos como os grandes que já vestiram esta camisa. Nos nossos termos, marcar tantos gols e vencer com tanta facilidade é um ótimo sinal. Em qual temporada vimos algo tão impactante em campo como agora? Minha memória é tão ruim assim?

Esperávamos desde o começo da temporada uma Roma competitiva e, verdade seja dita, os tropeços no caminho não representaram o verdadeiro potencial deste plantel. Como apontado no quarto parágrafo, o grupo não é numeroso e isso é crucial em situações-limite. Não podemos mais ter nenhuma lesão ou a qualidade irá cair bastante.

Essa bola de domingo contra o Torino é uma nova era na temporada. A era em que finalmente alcançamos um patamar à altura dos jogadores que temos à disposição. Spalletti, com todos os seus defeitos, parece ter colocado na cabeça de cada um que agora é matar ou morrer, que essa intensidade é o nosso diferencial em relação aos outros concorrentes.

Toda vez que uma partida assim acaba, a gente se pega pensando: dá pra ser campeão, dá pra ser campeão, dá pra ser campeão. E dá. Dois dos três campeonatos em que estamos nos permitem criar essa ilusão. Que mal faria mais uma frustração diante de tudo que já vimos nestes anos? Mais do que qualquer outro time giallorosso desde 2000, agora podemos superar a pecha de ótimos perdedores. Vamos repetir o mantra do campeão para ver se o desejo se realiza. Vai que...