River Plate e o doping dos idiotas

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Martínez Quarta, pego no antidoping


Na quinta-feira (22/06), dois jogadores do River, Lucas Martínez Quarta e Camilo Mayada, foram oficialmente notificados do resultado positivo no exame antidoping após partidas pela Copa Libertadores. A substância encontrada é um diurético chamado hidrocolorotiazida e que, segundo Pedro Hansing, médico do clube, não estava entre os suplementos vitamínicos oferecidos aos jogadores Millonarios. Nesse turbilhão de acontecimentos sempre aparecem os donos da verdade, os que querem tirar proveito e os desonestos.


Logo apareceram rumores - e não passou disso - de que outros atletas, como Driussi, Alario, Maidana, Ponzio e Nacho Fernández, teriam testado positivo para a mesma substância. Nos dias de hoje, lamentavelmente, os boatos são tomados como verdade absoluta e disseminados pelos mesmos idiotas fundamentais de sempre. Surgiram os memes, os pedidos de exclusão da Libertadores e os catedráticos da teoria da conspiração decretaram: "A Conmebol permitiu seis mudanças de jogadores inscritos para favorecer o River", para logo depois sacramentarem: "O futebol brasileiro, cansado de ser prejudicado, não deveria mais jogar essa competição CUCARACHA chamada Libertadores". Ora, os times daqui fariam muita falta no torneio, não dá para tergiversar, entretanto, é alvissareira a possibilidade de não ver nenhum comentarista e/ou torcedor falando de catimba, "esse time aí não ficaria entre os 10 do brasileiro", "é um Madureira piorado", "caiu na provocação" e da altitude. Seria uma grande bênção. Mas não deve e não vai acontecer.


O que é concreto nisso tudo: as suspensões aos dois jogadores após contraprova e apelação, uma investigação completa do que aconteceu de fato, já que a substância encontrada pode ser usada para mascarar eventuais uso de drogas (nenhuma delas, incluindo o diurético, oferecem VANTAGEM ESPORTIVA), uma eventual demissão do médico do clube, mesmo tendo Pedro Hansing seus 25 anos de clube e vida que segue.

Apostaria também que os times brasileiros não acharam nada ruim a possibilidade de trocar 6 jogadores. Vejam o caso do Palmeiras, que perdeu Victor Hugo, Alecsandro e Rafael Marques, que deixaram a instituição verde, Moisés e Thiago Santos lesionados, e agora Vitinho, que partirá para o Barcelona B. Nós perderemos Driussi, vendido por 20 milhões de Euros para o Zenit, da Rússia, os provavelmente suspensos Martínez Quarta e Mayada, além de Mina, que deve voltar ao futebol equatoriano. Não creio que o time "beneficiado exclusivamente" pela regra das novas inscrições usará as seis mudanças disponíveis. E vale o adendo de que a Conmebol é uma instituição moralmente falida, sim, mas dessa vez acertou. A Libertadores desse ano será jogada até dezembro, muitos times perderão atletas para Europa, China, Oriente Médio e agora poderão se reforçar, muito diferente das últimas Libertadores, que na pior das hipóteses terminaram em agosto, muito por força de competições como Copa do Mundo ou Copa América, e que era uma data que facilitava a permanência dos jogadores até o fim da competição.


Ficam algumas perguntas também: por que no Campeonato Argentino não apareceram os casos de doping? Por que no jogo entre Olimpo e Bosteros os responsáveis pelo exame foram dispensados? Qual a razão para colocar os nomes de Alario, Nacho, Maidana e Ponzio se eles nem foram para o exame nos jogos da Libertadores? Os jogadores testados foram: Arturo Mina e Carlos Auzqui (Independiente Medellín, fora de casa), sendo que Mina não jogou; Martínez Quarta e Luciano Lollo (não jogou) contra o Melgar no Monumental; Iván Rossi e Carlos Auzqui (não jogou) versus Emelec em Guayaquil; Martínez Quarta (foi pego) e Joaquín Arzura (Emelec, casa); Luciano Lollo e Camilo Mayada (testou positivo) no encontro com o Melgar, de visitante e por fim, Driussi e Arzura no encontro final contra os colombianos do Independiente Medellín em casa. Por que na Libertadores de 2010, Erviti e Sardella do Banfield não foram punidos pelo uso do mesmo diurético? E também ninguém falou que o Taladro era um time bandido e apoiado pela Conmebol?


Que a verdade apareça, que se punam os culpados, que urrem nas redes sociais, mas que se respeite a instituição. VAMOS, RIVER!