O convidado indigesto: Boca 1x3 River

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Bombonerazo


Os Bosteros planejaram a festa em seu estádio. Nela, toneladas de papel picado e os gritos da sua torcida potencializados pelos alto-falantes da cancha seriam os temperos. O time tinha que render. Logo no começo do jogo, viram que o convidado foi quem roubou a cena. O River começou com tudo, mesmo com a lesão de Casco, que saiu ainda no primeiro minuto de jogo e foi substituído por Mayada. 


Gallardo, o cavaleiro da Esperança, deu o chamado nó tático em Guillermo Barros Schellotto, mostrando que ter esperado por Nacho Fernández, o dono da intermediária, valeu a pena. Com ele, Ponzio e Rojas, dominamos o meio e pressionamos a frágil defesa bostera, composta por Peruzzi e Vergini. O primeiro gol de Pity Martínez caiu bem como aquele primeiro chope após o expediente. Moreira deu um cruzamento perfeito e o 10 bateu forte, de primeira. Se foi falha do goleiro deles, não é problema nosso. Pouco antes, Centurión, o camisa 10 deles, saiu lesionado. O desmonte azul e amarelo estava acontecendo. Não tinha mais volta. 


Se convém ao convidado da festa, prudência, rasgamos todos os protocolos e pressionamos ainda mais o time local, atônico, aturdido e com medo. Alario, sempre ele, nas horas boas e ruins. O camisa 9 poderia ter rolado para Driussi, mas resolveu fuzilar o arqueiro Rossi. 2-0, domínio e a festa deles estragada. Quem fosse apostar dinheiro numa goleada tinha boas chances de se dar bem. Mas em toda festa, alguém dá algum vexame, ou é instigado a fazer alguma graça. Esse papel ficou por conta de Batalla, o nosso camisa 1, que na última bola do primeiro tempo falhou clamorosamente. Gago bateu uma falta lá de longe, sem muita pretensão, a bola pegou efeito, mas o jovem arqueiro Millonario, adiantado e sem noção espacial, viu a bola entrar. E lá estavam os bosteros no jogo de novo.


Na volta do intervalo ficamos acuados. O líder do cameponato pressionou, chegou a nos envolver, mas o gol não saía. Batalla se redimiu, nos salvando duas vezes do empate. Martínez Quarta salvou uma bola de Benedetto em cima da linha. Auzqui, que entrou no lugar de Alario, perdeu um gol feito. Servido por Mora, desperdiçou um cara a cara com Rossi. Tinha que ser com sofrimento. Só que este não é para sempre e, quando Nacho Fernández intercepta um passe de Gago e serve Driussi, nem mesmo Deus ex-macchina poderá salvar os Bosteros. Seba avança e toca no canto baixo do arqueiro rival. Na comemoração tira a camisa e mostra o leão tatuado nas costas para a torcida deles. Era o ato inicial de uma outra festa: a da Banda Roja. De quem está mandando no futebol argentino e sul-americano em 2017, pelo menos dentro de campo, como bem indentificou o excelente blog Patadas y Gambetas.


O título de campeão nacional ainda está distante. Pela perfomance inicial os Bosteros têm mais chance de levantar o caneco, mas nunca estiveram tão pressionados. Do outro lado, estamos classificados na Libertadores, jogando um futebol de altíssimo nível e prontos para estragar toda e qualquer festa dos outros.