De Amadeo a Barovero: homenagem aos goleiros do River

26/04 é dia do Goleiro. Nunca soube o porquê até o pai google me dizer que é uma homenagem ao Manga, interminável arqueiro de Botafogo, Inter, Grêmio e outras equipes. Confesso que não tenho ideia se na Argentina se celebra o dia do camisa 1 onde a grama não nasce, mas a expressão "Te voy a pagar el Dia del Arquero" (Vou te pagar no Dia do Goleiro) foi bastante usada por caloteiros e que encontra similaridade no tal dia de São Nunca por aqui.


Como esse blog está baseado em terras brasileiras e escrito em português, acho justo depois de longo e tenebroso inverno, e inatividade, falar sobre alguns dos grandes goleiros que defenderam a Banda Roja na história.


Getty Images
Getty Images

Vuela Amadeo


O primeiro a ser citado obrigatoriamente tem de ser Amadeo Carrizo. Nascido em 1926, o arqueiro foi o dono da baliza Millonaria por 23 anos, começando em 45, no auge da Máquina e saindo de cena em 1968. Se tornou um ícone da instituição, levantou 7 títulos nacionais, se tornou dono da camisa 1 da seleção Argentina e, adorado em Núñez, se tornou o primeiro Presidente de Honra da história do clube em 2013. Um gigante!


Getty Images
Getty Images

Campeão do Mundo em casa


Ubaldo Matildo Fillol até hoje é tido como o maior goleiro argentino de todos os tempos. Veio ao mundo em 1950 e chegou ao River em 1974, vindo do Racing. Com ele no gol saímos da fila incômoda de 18 anos, em 1975. El Pato foi campeão do mundo com a seleção em 1978 e também foi o titular da albiceleste em 1982. Com a Banda Roja levantou as mesmas 7 taças de Carrizo. Como Amadeu, em 1966, Fillol foi vice da Libertadores exatamente 10 anos depois. Trabalhou como preparador de goleiros do River no ano do rebaixamento.


Getty Images
Getty Images

Campeon


Com a saída de Fillol, a baliza Millonaria ficou com Nery Alberto Pumpido (1957), outro grande nome da posição e que também não foi revelado nas categorias de base do River. Se Fillol veio do Racing, Pumpido veio do Vélez depois de surgir no Unión de Santa Fe. Jovem e com muita elasticidade, fez a torcida esquecer Fillol, foi campeão nacional, da Libertadores e Mundial, além de ser o arqueiro da Seleção Argentina campeã do mundo em 1986, o seu ano perfeito. Ficaria também famoso pelas lesões que teve. Em 1987 teve um dedo amputado durante um treinamento Millonario e em 1990, fraturou a perna no primeiro jogo da Copa do Mundo entre Argentina e Camarões. Teve exitosa carreira como treinador, levantando a taça na Libertadores de 2002, com o Olimpia.


Getty Images
Getty Images

Goyco


Sergio Goycochea, nascido em 1963,  não teve uma passagem marcante pelo River, sua primeira passagem em Núñez coincidiu com o domínio de Pumpido com a camisa 1. Acabou trocando de ares e no Millonarios da Colômbia ganhou mais destaque. Voltaria em 1993, onde foi titular e campeão. Também nos livrou de ver o atabalhoado Sodero defendendo a nossa meta. Sua passagem pela seleção trouxe bem mais fama a Goyco, principalmente na Copa de 90, quando sepultou a Itália, dona da casa, nos pênaltis. Acabou sendo preterido por Islas em 1994 logo depois do desastre contra a Colômbia no Monumental.


Getty Images
Getty Images

Chacho Coudet e Comizzo festejando


Ángel David Comizzo (1962) encarnou a figura do torcedor no arco do River. Chegado do Talleres em 1988, o arqueiro de longas madeixas sempre declarou sua paixão pelo Millonario e por isso, além das boas atuações, conquistou o torcedor. Em um Superclasico de 92, jogado na casa do rival, atiraram um pequeno rádio bem perto de onde ele estava. Comizzo não teve dúvidas, colocou o fone e começou a ouvir a transmissão do jogo. Não deu sorte, Ramón Díaz acabou perdendo o pênalti que aconteceu bem no momento que o enfurecido bostero atirou o seu radinho. Perdemos o jogo, mas o folclore ficou para sempre. Ángel voltaria ao River já aos 40 anos, em 2002, para ganhar mais dois títulos (tem um total de 4) com a Banda Roja.


Getty Images
Getty Images

Rock and Roll


Se Comizzo era o torcedor, Germán Burgos era o roqueiro da camisa 1. Vindo do Ferrocarril Oeste em 1994, o então jovem arqueiro de 25 anos não demorou a ganhar a vaga de titular de Goycochea. Marcou época no River, com segurança, longos cabelos e uniformes espalhafatosos. Foram 7 títulos, 5 nacionais e dois internacionais, Libertadores-96 e Supercopa-97. Também foi regular nas convocações para a Seleção Argentina e acabou preterido por Bielsa entre os 11 titulares em 2002. Cavallero foi o arqueiro e isso explica um pouco do fracasso da albiceleste naquele mundial. Já no Atlético de Madrid, defendeu um pênalti de Luís Figo, então camisa 10 do Real Madrid, com a cara. Hoje é auxiliar de Simeone nos Colchoneros.


Getty Images
Getty Images

Barovero, Barovero, Barovero, Barovero


Nossa homenagem aos goleiros chega ao fim com aquele que pode ser o maior de todos: Marcelo Barovero. El Trapito nasceu em 1984. Com 1,83m é considerado um goleiro baixo, mas deixou sua marca no Monumental. Vindo do Vélez em 2012, teve de disputar posição com Indio Vega, então favorito de Almeyda, técnico do River. Acabou por ganhar a competição com atuações impressionantes. Com um perfil mais introvertido, que os outros goleiros citados aqui, acabou não tendo chances na seleção, mas quem se importa? - Na memória do torcedor, os títulos, o pênalti que pegou de Gigliotti naquela semi-final da Copa Sul-Americana contra os bosteros e a certeza de que os rivais teriam muito trabalho para vencer a nossa meta. Foram 6 taças levantadas: Copa Campeonato, Torneo Final - no plano nacional - e Libertadores, Sul-Americana, Recopa e Suruga Bank - internacionais -.


Se craque costumamos fazer em casa, nossos grandes goleiros foram buscados em outros clubes, mas pergunte a eles onde foram mais felizes...