Verão Feliz: River 2-0 Boca

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Cantalo, cantalo, cantalo


Se durante a visita à Flórida, seus pântanos, parques temáticos e gramados, o River mostrou pouco futebol, apostando nas experiências para o que resta do calendário local e tentando azeitar a máquina para a disputa de Supercopa Argentina, em que o adversário será o Lanús e já pensando na Libertadores, o compromisso em Mar del Plata contra os Bosteros, rivais de uma vida, foi encarado com a seriedade que esse jogo merece.


Na terra dos jacarés, uma vitória magra contra o Millonarios, um empate com o São Paulo - e derrota nos pênaltis - e derrota contra o Vasco. Precisávamos nos afirmar, mesmo em jogos amistosos não é bom enfileirar derrotas. E um Superclásico vem sempre a calhar para exorcizar os demônios.


Todos os componentes de um grande jogo foram postos à mesa em Mar del Plata: estádio cheio, ânimos exaltados, movimentos estudados e respeito ao rival. Os de azul e amarelo tiveram boa chance no primeiro tempo. Regular nos cartões amarelos, levou o seu antes dos 5 minutos de jogo. Pablo Pérez, que é bom jogador, serviu, com acúcar e com afeto a bola para Pavón, mas Batalla nos salvou. Depois disso foram duas chances para cada lado, patadas como a de Ponzio no sempre espalhafatoso Centurión, aquele que jogou no São Paulo. e a de Sebastián Pérez, que tirou o nosso lateral-esquerdo Olivera do jogo. O gol acabou não saindo na primeira etapa e quem acabou mesmo por sair foi Guillermo Barros Schelotto, o eterno chorão, treinador bostero, que quis apitar o jogo - o sempre polêmico árbitro Néstor Pitana o colocou para fora. Gago, o cinco deles, que foi cantado em verso e prosa pelo comentarista da partida (disse o colega: é melhor que o Redondo), fazia caras tristes, parecia prever o fim do filme.


Na volta do intervalo, o clone de Guillermo, seu irmão gêmeo Gustavo e Gallardo foram expulsos por Pitana por atraso das equipes na volta ao gramado. A regra peculiar - e interessante - do futebol argentino foi seguida à risca até num amistoso. Ninguém estava para brincar. Alguns disseram que a medida foi tomada para evitar que Guillermo voltasse fingindo ser Gustavo. Só isso justificaria tanto rigor. As patadas continuaram, mas, mais ligado no jogo, o River pressionou a saída de bola Bostera. Num desses lances Mayada tomou a bola, serviu Pity Martínez, hoje o pior jogador do mundo, e o nosso camisa 10 conseguiu um pênalti a nosso favor. Claríssimo. Driussi fuzilou Werner e Mar del Plata começava a ser La Feliz, como sempre.


O gol foi um duro golpe nas pretensões bosteras, sem comando dentro e fora de campo, nervosos. Tendo Centurión, que não difere muito de Pity Martínez como camisa 10, eles assistiram incrédulos à testada letal de Mina, o dos cabelos da hora, que selou o placar final do jogo. 2-0. Baile y gambeta, gana River, papá. Houve tempo para mais uma demonstração de deslealdade em azul e amarelo. Insaurralde passou o rodo no garoto Palacios e desatou a confusão. Ele e Pablo Pérez foram para o chuveiro do lado Bostero, Driussi do nosso. Sem comando, sem caudilho em campo e sem jogadores, o placar ficou barato para o rival. Do nosso lado, só alegria na noite de verão. Mar del Plata estava mais Feliz do que nunca. O ano começou de verdade!