O Adeus de Cavegol


O grande amigo é aquele que aparece nas horas ruins. Na verdade ninguém precisa chamá-lo, ele simplesmente está ali. O torcedor do River, no seu pior momento e até antes de tocar o fundo do poço, pôde contar com muito poucos seres dessa espécie.

É verdade que é complicado cobrar de um jogador, aquele cara que começa a carreira com 18 anos e para com 36, um compromisso sentimental com o seu clube do coração ou a instituição que o lançou para o mundo do futebol. A jornada é curta, depois ninguém paga as contas do cidadão. Por isso mesmo quando Cavenaghi e Chori Domínguez se colocaram à disposição da Banda Roja, lá na B Nacional, o conceito deles subiu ainda mais. Junto com Trezeguet, o reforço improvável, Ponzio e Almeyda, lá no banco, foram os grandes personagens da ressureição do River em 2012.


Nem os mais de 100 gols que fez com a camisa Millonaria foram tão bonitos quanto esse gesto. Enquanto víamos vários ídolos nossos dando de ombros para nossa situação, mesmo antes do acontecido em 2011, os rivais de azul e amarelo se encheram de próceres no seu time. Riquelme, Palermo, Ibarra, Chelo Delgado, foram alguns dos grandes jogadores Bosteros que regressaram e foram protagonistas por lá, para nosso desespero. É verdade que na mesma época vimos o regresso de Ortega, Gallardo e Salas, mas só o Muñeco estava num nível alto de competição. Outros ídolos, como Crespo, Saviola e Aimar, nos disseram nãos traumáticos, não quiserem se arriscar. Os dois últimos voltariam em péssimas condições no Mar da Tranquilidade que foi o River de 2015.


Ontem, Cavenaghi, o eterno Cavegol, encerrou sua carreira como jogador de futebol. O camisa 9 saiu de cena jogando no longínquo Chipre, em um time azul e amarelo, o Apoel Nicosia. Devemos fazer justiça e recordá-lo como aquele que subiu nas arquibancadas para torcer com os Borrachos del Tablón no Monumental, aquele que voltou para ajudar na B Nacional e logo depois foi mandado embora, aquele que desde criança sonhava em ser ídolo do Club Atlético River Plate.

Nos deu 10 títulos, mais de 100 gols e a mão amiga. Não foi o melhor atacante do mundo, apesar de ter tido um início de carreira promissor. Nos últimos dias de Monumental brigava com o peso. Teve passagens ruins em outros clubes, como o Internacional de Porto Alegre, mas é impossível questionar seu caráter e dedicação. Ninguém representou melhor o torcedor da Banda Roja do que Cavegol. Fico com a imagem dele no Monumental, com a taça da Libertadores de 2015 na mão. Éramos nós, os hinchas Millonarios, que estávamos ali representados pelo atacante, que começou o jogo como titular e nos deu uma baita segurança que nada de mal poderia acontecer. Gracias, Cave!


Getty Images
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