A Libertadores 2017 já começou e Gallardo ficou

Getty Images
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Qual o grupo dos bosteros?


Após o sorteio da Libertadores 2017, realizado na noite de ontem em Assunção, capital do Paraguai, os olhos da comunidade Millonaria se voltam totalmente para essa competição. Com poucas chances no Campeonato Argentino, é importante que o foco esteja voltado quase que exclusivamente para o torneio continental. 


O dia começou com uma notícia mais do que especial: Gallardo, o nosso Napoleão, ficará mais um ano conosco. Sua possível saída era assunto corrente nas dependências do clube. Mais uma vez o Muñeco mostrou que tem caráter, fibra e sobretudo, muito amor ao clube. Melhor do que o grupo da Libertadores com Emelec, Independiente Medellín e Melgar, é saber que o DNA vencedor seguirá no comando do time para o ano que vem.


Se com a permanência do nosso treinador a qualidade será mantida, é importante ter consciência que já começamos a jogar a Libertadores. Antes de falar da qualidade dos rivais, é importante se falar da vantagem de se conhecer todos os oponentes já em dezembro. Num futebol em que o estudo dos rivais, estatísticas, vídeos e planejamento tático é tão importante quanto a bola na rede, poder ter tempo para se preparar é fundamental. Ter o foco total na competição também. E nesses três pilares - manuntenção de Gallardo, conhecimento dos adversários e foco total na Copa Libertadores - é que o River poderá se sobressair. Claro que tudo irá pode ir por água abaixo se o plantel não for reforçado.


O Sorteio


Acomodado no Grupo 3, o River teve um sorteio generoso. Obviamente não é prudente subestimar nenhum adversário, como tantas vezes fazem por aqui aqueles que comparam Libertadores com Estadual. Emelec, Independiente Medellín e Melgar não serão rivais fáceis, mas ter esquivado dos times Brasileiros, principalmente para nós que nunca tivemos vida fácil aqui, foi fundamental.


Colocado no Pote 2, o Emelec joga em Guyaquil, portanto ao nível do mar, não há a preocupação da altitude. O time azul foi vice-campeão de tudo no Equador, Apertura, Clausura e Tabela Geral. Viu o rival de cidade, o Barcelona, papar todos os títulos e chegar com moral para a Libertadores. Dirigidos pelo uruguaio Alfredo Arias, campeão do seu país com o Wanderers em 2014, os elétricos tiveram baixas importantes para a temporada 2017. O atacante Argentino Denis Stracqualursi, ex-Everton, deixou o time para reforçar o Independiente Santa Fe da Colômbia. O zagueiro Achillier e o atacante Mena, figuras frequentes nas convocações da Seleção Equatoriana, também deixaram o clube - ambos partiram para o futebol mexicano.


Campeão do Torneo Apertura 2016 na Colômbia, o Independiente Medellín teve troca no comando recente. Saiu o folclórico Leonel Alvarez, ex-meia da Seleção Colombiana, o homem que entrava em campo com uma cobra nos tempos de jogador, e veio o argentino Luís Zubeldía, ex-Lanús, Racing, LDU e Santos Laguna do México, mas que tem apenas 35 anos. O DIM, como é chamado por na cidade, tem a dura missão de tentar se equiparar ao seu rival acérrimo, o Atlético Nacional. O time do povo de Medellín não conta com nenhum título internacional e a ascensão do rival dá verdadeiros calafrios na torcida. Figuras conhecidas? Mao Molina, ex-Santos, atua com a camisa do time; além dele, Quintero, ex-Porto, chegou para a temporada 2017 e no ataque a confiança é de que Caicedo dê alegrias aos paisas. O mítico estádio Atanasio Girardot vai testemunhar os dois times da cidade na Libertadores. O River deve ter no DIM o seu rival mais complicado no grupo.


Dirigido pelo ex-zagueiro Juan Reynoso, o Melgar chega a essa Libertadores para tentar apagar a má impressão que deixou na versão passada da competição. O centenário time peruano foi o saco de pancadas do torneio, perdendo todos os jogos que fez. O Atlético Mineiro cruzou com o time de Arequipa na primeira fase e se aproveitou da fraqueza do conjunto rival. Reynoso quase jogou no São Paulo nos anos 90, mas acabou seguindo caminho no México, vestindo a camisa do Cruz Azul. Seu mentor é o treinador uruguaio Sergio Markarián, que o dirigiu no Universitario, também na década de 90. O astro da equipe Peruana é Ysrael Zúñiga, que, aos 40 anos, vai tentar apagar a má imagem que o Melgar deixou na Libertadores 2016. O Mexicano Rogélio Chávez, com passagem pela seleção, será seu parceiro no ataque. No gol Llontop, ex-Universitario e frequente nas convocações para a Seleção do Peru, pode dar segurança, mas é bem difícil que os arequipeños consigam fazer bonito na competição continental.


Com tudo isso, vejo o River favorito para se classificar em primeiro no grupo. Temos que jogar com muita seriedade, sem desmerecer os rivais, nos aproveitando do foco exclusivo na Libertadores. É preciso suprir a saída de D'Alessandro e manter Mina, Driussi e Alario, que são cobiçados pelo futebol europeu. No gol, é importante aproveitar o período de janeiro com Florida Cup e Torneos de Verano, para dar mais ritmo a Bologna, já que Batalla vem falhando. Que se faça o laboratório nessas competições e que se dê rodagem aos jovens no Campeonato Argentino. Na Libertadores não podemos errar.