River Campeão da Copa Argentina: Ao mestre, com carinho

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Alario levita em estado de graça


O ato final da Copa Argentina nos reservou um jogo histórico entre River e Rosario Central. Em Córdoba, terra de desaires recentes na historia Millonaria, de cuarteto y universidad, saímos campeões, depois de 7 gols, em um gramado obsceno. A arbitragem de Patrício Lostau quase põe a pique o espetáculo.


Não foi um jogo maravilhoso do ponto de vista técnico. Mesmo com o 4x3 final, as chances de gol praticamente se resumiram aos tentos marcados por Millonarios e Canallas. Nossa defesa esteve numa noite bastante ruim, começando por Batalla, que, não contente com as bizarrices protagonizadas no último Superclasico, voltou a decepcionar. O empate do Central e o terceiro gol podem ser creditados na conta do jovem arqueiro. Martínez Quarta não estava no lugar certo quando Marco Ruben marcou o segundo gol dos rosarinos. Moreira e Olivera não estavam inspirados e a Maidana, sempre ele, coube a única boa atuação. Um verdadeiro muro de arrimo no caminho do time de Eduardo Coudet, que também esteve péssimo quando o assunto foi setor defensivo.


As qualidades desse jogo? Começam nas arquibancadas do Estádio Mario Kempes, Vossa Excelência da Bola, que usou com muita categoria as duas camisas envolvidas nesse jogo. As torcidas protagonizaram um espetáculo extraordinário, dividindo o estádio e mostrando aos sicários do futebol, aqueles que querem o público de hipismo nas canchas, que o pulso ainda pulsa. E não é em decretos, em frases ditas "politicamente incorretas"- a muleta dos ignorantes -  e nem no saudosismo ou no hispterismo estridente. A resistência acontece no local dos fatos. Sempre foi assim.


A bola entrou primeiro num pênalti convertido por Alario, sempre ele nas finais, com tranquilidade e desafiando o azarado arqueiro Sosa, tantas vezes derrotado em jogos decisivos. Depois disso o River não gerou nada, não chegou perto do gol rival e mostrou a velha burocracia de sempre, aquela mesmo que nos custou o jogo contra os Bosteros no domingo. Não há paz na guerra com Batalla no arco, o trocadilho é ruim, mas as trapalhadas do jovem - e promissor - goleiro tem sido piores. Musto, em condição legal, mas matando no cotovelo a bola, se valeu de uma trapalhada do nosso camisa 1 e empatou o jogo. Não demorou para que Marco Ruben dominasse com muita categoria, ante um garoto Olivera impotente, e estabelecesse o 2-1. O filme de domingo passou nas nossas cabeças.



Alario sofreu e converteu o menor pênalti do mundo para empatar. Na hora, confesso que não achei falta. Como também o pênalti de Ponzio no Pistolero Teo Gutiérrez não me pareceu nada no momento, mas foi. Ir para o vestiário com empate era fundamental para os ânimos. Era preciso, no entanto, jogar futebol. Na segunda etapa quem o fez foi o conjunto Canalla, que colocou a pelota no chão, encurralou a Banda Roja e fez o terceiro gol. Marco Ruben foi novamente o artífice do gol e Batalla o do nosso sofrimento, espalmando uma bola fraca para o meio da pequena área. Depois do tento nos espatifamos no gramado. Erramos passes tolos, Lo Celso teve o quarto gol, mas tinha Maidana na frente, o nosso camisa 2 não deu o bote e o talentoso camisa 10 auriazul não venceu o nosso trepidante arqueiro.


Se Gallardo com suas substituições nos complicou ante nosso rival acérrimo no domingo, afinal, até ele erra, dessa vez o nosso comandante acertou nas trocas. Mora e Alonso, os uruguaios, entraram pelos mornos D'Alessandro, fazendo a sua despedida e Pity Martínez, que frequentemente passa de incompreendido a incompreensível. Do meu sofá critiquei muito, mas desde que assumiu como treinador do River, Gallardo vem nos calando. Ele sabe os predicados que quem veste essa camisa tem de ter, sabe nossos anseios e faz as suas escolhas. Não é o poeta da derrota Cappa e nem o elogio da derrota e do fraco que é o Bielsismo. Las finales se ganan e ainda que a gente não acreditasse, o Mun-Rá Alonso brigou nos ares e serviu Alario, que até acossado mostra categoria. Loucura em Córdoba, 3x3 mostra o placar.


Era inacreditável o time estar nas cordas, apático e conseguir o empate. Não precisamos tecer loas ao imponderável no futebol, ele está sempre rondando os estádios. Quando Alario cruzou para o meio da área e Alonso, seus 37 anos nas costas e voltando de lesão, desviou, o grito não foi de gol, mas sim de campeão. Não era possível mais uma reviravolta nesse jogo e os Rosarinos, cansados, sequer assustaram. River campeão da Copa Argentina, vaga na Libertadores na mão, volta olímpica e a certeza que as apostas de Gallardo são as vencedoras, ele já demonstrou 6 vezes, nós é que somos teimosos. Que ele siga não nos escutando, trazendo taças e com seu sorriso contido, provocando a ira dos azuis, amarelos, diabos, santos e celestiais.