Higuaín não é problema do River Plate

Getty Images
Getty Images

Idolo do River de verdade não usa pulseiras amarelas


Higuain sentiu o "carinho" da torcida em San Juan durante a vitória da Argentina sobre a Colômbia por 3-0, em jogo válido pelas Eliminatórias. O camisa 9 é bom jogador, sim. Seus 121 gols pelo Real Madrid, 91 pelo Napoli, 9 pela Juventus em 16 jogos, e 32 em 67 partidas pela Albiceleste não podem descredenciá-lo. Cria nossa, Pipita nos presenteou com 15 gols em 41 jogos antes de partir para a aventura europeia em 2007.

Na memória do torcedor Millonario, estão vivos aqueles dois gols contra o rival azul e amarelo em 2006, um meio de calcanhar, meio de traseiro, e outro driblando Abbondanzieri. Vitória de 3-1 no Monumental, fora o baile. Teve doppietta dele naquele inesquecível Corinthians 1-3 no Pacaembu, pela Libertadores de 2006. Saiu sem conquistar um título com a Banda Roja.



Nós, latinos, somos passionais, clubistas e apaixonados por esse tal de futebol. O fato de Higuaín ter tido boas passagens pelos clubes que atuou na Europa não o exime da culpa de ter desperdiçado chances incríveis na Seleção. Principalmente quando a Argentina vem em uma seca quase inexplicável de títulos.

Muitos torcedores do River saíram na defesa do camisa 9 da Juventus depois do jogo contra a Colômbia, argumentaram que a vaia era desnecessária e que Pratto não é tudo isso. Bem, Pratto talvez não seja tudo isso, mas cumpriu com seu dever quando foi chamado. Para mim, a convocação do atacante do Galo não era uma certeza, alardeada no Brasil sempre que um jogador argentino se destaca por aqui. De todo modo, Bauza apostou nele e o corpulento avante não decepcionou. É a vez dele.


Não acho justo e nem vou gastar energia para defender Higuaín por clubismo, por que ele foi criado em Núñez, assim como o irmão e o pai que passaram pelo Monumental. Pipita é atacante da Juventus, problema dos torcedores da Vecchia Signora. Os Millonarios tem que cobrar a convocação de Alario, que foi jogado na fogueira por Bauza e não pôde mostrar muito futebol contra o Uruguai. Ou, já me contradizendo, por Mercado, que, apesar de ser jogador do Sevilla, nem de longe lembra Zabaleta, o jogador-símbolo dessa geração argentina que perde e sai sorrindo, que só joga bem quando o jogo está decidido e que voa no clube e se arrasta na Seleção.


Os minutos finais de Higuaín em San Juan, com o jogo já decidido, foram o retrato fiel do que ele representa hoje para o torcedor argentino. Foi vaiado, no banco parecia desanimado e quando Messi o serviu, ele achou melhor deixar para Di Maria, outro contestado, fazer o terceiro. Se não é jogador nosso e não tem confiança, não faz sentido defendê-lo. E olha que mesmo depois da Copa eu era soldado de Gonzalo Higuaín, mas desertei.