O algoz de sempre: Valencia impede agosto perfeito do Real Madrid

A atuação e os gols de Asensio na noite de Liga no Bernabéu garantiriam a vitória contra todos os 18 times do campeonato. Mas não contra o Valencia, o maldito Valencia. O time que se acostumou a jogar duas finais de Copa do Mundo a cada temporada, sempre contra o mesmo adversário.


O fator anímico era favorável a Los Che, e a incorporação de Marcelino García Toral como treinador deu organização à equipe. O Real Madrid precisaria mostrar seu leque de qualidades – que fizeram o mês de agosto ser quase perfeito – para garantir os três pontos. Até mostrou algumas delas, e criou diversas ocasiões, mas esbarrou na péssima pontaria de Karim Benzema para aproveitá-las. Ah, Benzema. Eu gosto tanto de você e sempre te defendi, mas hoje foi difícil.



Uma atuação paradoxal do camisa 9 do melhor time do mundo. Gerou oportunidades e movimentou-se muito bem, como nos melhores dias. Abriu o espaço que Asensio explorou para marcar o 1 a 0 logo aos 10 minutos. E então começou o festival de gols perdidos.


Ao menos três chances claríssimas, e outras não tão claras que ele já aproveitou ao longo da carreira. Lances não condizentes com o posto de titular incontestável que o francês ocupa, sempre reafirmado pelo outro francês – o da comissão técnica. Tudo poderia ter ficado para trás se Benzema aproveitasse a mais límpida das oportunidades, aos 43 do segundo tempo, após desvio no chute de Asensio. De frente pro crime, ele e o goleiro: errou.


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Noite inglória para o centroavante


Deve-se criticar o centroavante pelos lances em que falhou, mas ele não pode ser o bode expiatório dos demais defeitos expostos no Bernabéu. A começar pela escalação de Zidane, que se viu obrigado a improvisar Casemiro na zaga, diante da suspensão de Ramos e das lesões de Varane e Vallejo. O brasileiro foi para a zaga e Asensio entrou no 11 inicial, em atitude excessivamente ofensiva do treinador.


A mudança para o 4-3-3 afastou Isco da área adversária e prejudicou os automatismos inerentes ao 4-3-1-2 de costume. Os jogadores do meio para frente mostraram-se confusos na hora de definir suas posições e preencher espaços. Faltou, também, maior proteção à frente da zaga, visto que Casemiro compôs a primeira linha e não teve um substituto com características semelhantes às suas no meio-campo.


O mal-estar de Isco no intervalo forçou a primeira substituição, e Zidane elegeu Kovačić para consertar os erros do primeiro tempo. Sem Isco, o meio-campo precisava de Kroos e Modrić, mas a dupla viveu noite pouco inspirada. Apesar das oscilações, o treinador errou novamente ao trocar Kroos por Mayoral nos minutos finais. A bola parada do alemão sempre é um recurso muito importante no abafa para tentar um gol tardio, e foi descartada com a substituição.


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Voando


Por falar em substituição, o francês esperou longos 74 minutos para tirar Gareth Bale de campo. Quer dizer, “tirar” talvez seja o verbo errado porque o galês sequer entrou lá. Pecar por absoluta omissão é bem pior do que ser participativo, movimentar-se intensamente e falhar na conclusão, como fez Benzema. Se o centroavante merece questionamentos pelos gols perdidos, o que dizer da partida pífia de Bale? Zidane tem o dever de sacá-lo e efetivar – de vez – Asensio entre os titulares.


Mesmo que a troca exija mudanças posicionais na equipe, não se pode optar por um arremedo de craque em detrimento do jovem que cresce exponencialmente a cada jogo – e que carregou o time no segundo tempo. A pausa para data Fifa dá duas semanas para o treinador maturar essa ideia e pensar nas alternativas que terá quando Cristiano Ronaldo estiver disponível – a partir da quinta rodada. E Benzema tem que gastar todo esse tempo no treino de finalizações para a ausência de CR7 não ser sentida a cada gol perdido.