Real Madrid não teve adversário na Supercopa da Espanha

O Real Madrid vive um sonho. Foram anos de pesadelo, na sombra do maior rival. Goleadas humilhantes, no Santiago Bernabéu e no Camp Nou. As principais taças do lado blaugrana. Pior do que a sensação de impotência, existia uma absoluta falta de perspectiva diante da disparidade que havia.


Mourinho iniciou a retomada. Ancelotti aproximou-se da igualdade. Benítez fracassou rotundamente. E Zidane colocou o Madrid no topo da Espanha, da Europa e do mundo, e instituiu a felicidade no Madridismo. La Felizidane, como ficou conhecida. Com um ano e oito meses no comando, o número de derrotas e títulos é o mesmo: sete. 



A torcida, porém, ainda sentia a necessidade de enfatizar essa superioridade com vitórias contundentes em cima de seu nêmesis. Escancarar quem manda no futebol atual. E o agregado na Supercopa da Espanha poderia – e deveria – ter ido além dos 5 a 1, mas a equipe se deu por satisfeita após 135 minutos de puro deleite futebolístico e poupou o arquirrival de um vexame maior.


O desejo era tanto que o relógio ainda não havia chegado a um minuto no Bernabéu e o Real Madrid já esmagava o Barcelona em seu campo de defesa. A vantagem adquirida no Camp Nou era pouco para esse grupo de jogadores que não descansa até atingir objetivos maiores. A patada de Asensio antes dos quatro minutos era a prova viva de que o garoto estava com o mesmo apetite de quando entrou na reta final do jogo de ida e aprontou das suas.


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Mais um


Todo esse massacre inicial sem três dos principais jogadores do time ideal, vale lembrar. Casemiro e Isco descansaram no banco, e Cristiano Ronaldo assistiu ao jogo de seu camarote no estádio, já que aquela expulsão asquerosa na Catalunha o tirou da segunda partida. E ninguém se dava conta de que essas peças estavam ausentes. A síntese de um trabalho bem feito pelo treinador. Não importa quem saia, quem entre. O nível permanece.


A excelência do fator coletivo acaba por acentuar os brilhantismos individuais. E será impossível falar da Supercopa da Espanha de 2017 sem mencionar o trabalho de Kovačić, dono da decisão. Uma marcação inteligente que anulou Messi no Camp Nou, e a qualidade de sempre com a bola nos pés para levar o time da defesa ao ataque em altíssima velocidade.


Logo abaixo está Varane, que se mostrou soberano durante os 180 minutos e eliminou qualquer tipo de dúvida – se é que havia – a respeito de sua titularidade na temporada. Dois jogadores com desempenhos soberbos em toda a decisão, que se aliaram ao impacto fulminante de Asensio para despachar o Barcelona.


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O gol que faltava


Dos poucos decepcionantes em campo nos dois primeiros jogos oficiais da temporada, Karim Benzema fez as pazes com o ótimo futebol que possui e apresentou sua melhor versão de 2017 no Bernabéu. Movimentação intensa para abrir espaços e confundir a defesa adversária, como fez com Umtiti no gol que sacramentou o título.


Real Madrid e Barcelona praticaram esportes diferentes na Supercopa. Os resquícios de competitividade da equipe recém-assumida por Ernesto Valverde esvaíram-se nas mãos de Keylor Navas. Um domínio flagrante que o Madrid buscava para salientar a passagem de bastão. Ganhou até na posse de bola, algo que não acontecia desde 2008. O show está apenas começando e não vale a pena acordar deste sonho.