Nem o juiz mascara o abismo atual entre Real Madrid e Barcelona

Primeiro jogo da temporada espanhola. Times em busca de um melhor ritmo para as principais competições. Jogadores ainda comedidos na hora de entrar em divididas. Nada disso acontece quando se trata de um Real Madrid x Barcelona valendo taça. O péssimo primeiro tempo foi esquecido depois da montanha russa que tomou conta dos 45 minutos finais.


Para resumir a etapa inicial, foi tão feia quanto a combinação de uniformes escolhida. Os trajes tradicionais sempre funcionaram muito bem para dar o contraste perfeito que uma rivalidade desse porte pede. O maior rival hoje, porém, estava vestido de amarelo. E não era Ter Stegen.



Novamente, Isco apareceu como a figura mais lúcida em meio a um festival de entradas ríspidas e pontapés que tomou conta do Camp Nou. O saldo de cinco cartões amarelos antes do intervalo ficou na medida.


Em termos de postura, o primeiro tempo trouxe algo diferente do que estamos acostumados a ver em Barcelona – normalmente, opta-se por um estilo mais reativo. As linhas avançadas do Real Madrid garantiram alguns desarmes na saída de bola, e as roubadas só não foram mais bem aproveitadas porque Bale e Benzema falhavam na tentativa de dar continuidade aos lances.


Getty Images
Getty Images

Cena do crime


Essa mesma postura acabou deixando espaços para os contra-ataques adversários, mas a zaga soube conter os avanços de Messi e cia. A atuação de Varane foi soberba. Apesar das oscilações, Ramos também esteve sólido quando a equipe precisou.


Dos quatro períodos que constituem a decisão em dois jogos, vai ser difícil chegar perto do segundo, em todos os aspectos possíveis. Minutos que já se tornaram inesquecíveis para o Madridismo. Ver a personificação do Antimadridismo – que se destaca pelo desempenho no Twitter e nos microfones – marcar um lindo gol contra e se mostrar absolutamente incapaz de conter os avanços de Cristiano Ronaldo e Asensio não tem preço. Um deleite que permanecerá, ao menos, até quarta-feira.


Se foi fácil superar Piqué, não se pode dizer o mesmo do senhor Ricardo de Burgos Bengoetxea. É leviano falar em erros premeditados para favorecer um determinado time. O fato é que o Real Madrid foi operado no segundo tempo, e só saiu com a vantagem porque está quilômetros à frente do Barcelona. Essa superioridade ficou em xeque depois do trágico desfecho do último clássico em La Liga, mas saltou aos olhos com o 3 a1 em condições tão adversas no Camp Nou.


Getty Images
Getty Images

O troco que o Madridismo aguardava


O único obstáculo para a soberania madridista na Espanha atende pelo nome de Lionel Messi. O argentino, porém, só foi visto em campo por converter o pênalti vergonhosamente cavado por Luis Suárez. Uma grande surpresa, pois todos conhecem o imenso caráter do uruguaio. Na simulação, Bengoetxea assinalou a marca da cal. No desequilíbrio de Cristiano Ronaldo, segundo cartão amarelo e expulsão.


A aparição do melhor do mundo foi meteórica. Um golaço em contra-ataque para colocar a vantagem no placar, seguido de uma comemoração na mesma moeda. Era tudo que o Madridismo precisava para suplantar de vez a sensação que havia ficado após a amarga derrota nos acréscimos. Por mais que a absurda expulsão não acontecesse caso Cristiano deixasse de tirar a camisa na comemoração do gol, não serei maluco de criticar a atitude.


Getty Images
Getty Images

Se a moda é mostrar camisas, aí está mais uma


O Barcelona criou chances e esboçou reação até conseguir o empate, mas os acontecimentos encheram o Madrid de sangue nos olhos. Não teve jogador a menos que freasse os contra-ataques que estão no DNA do clube. As entradas de Vázquez e Marco Asensio potencializaram o recurso, e o golpe de misericórdia foi dado pela maior revelação espanhola dos últimos anos. Em cima de Piqué, é claro.


Desde que vestiu a camisa blanca, Asensio esteve em campo na Supercopa da Uefa, em La Liga, na Champions League, na Copa do Rei e, agora, na Supercopa da Espanha. O jovem deixou sua marca no primeiro jogo que disputou em todas essas competições. Já sabemos o que acontecerá se Zidane colocá-lo no Mundial de Clubes, em dezembro. Até lá, mais uma taça já deve estar assegurada.