Qual será o esquema tático do Real Madrid nesta temporada?

A partir da chegada de Gareth Bale em 2013/14, o Real Madrid acostumou-se a contar, quase sempre, com três atacantes em campo. Apesar das oscilações, o trio BBC era incontestável para todos os treinadores que passaram pelo clube no período. Mudanças táticas ocorriam apenas por desfalques no setor ofensivo – geralmente em lesões de Bale.


E foi justamente a última lesão do galês que abriu espaço para contestações em torno do 4-3-3. A entrada de Isco fortaleceu o meio-campo, agregou ao time em diversos aspectos e foi fundamental para a conquista do doblete.


Na última – e mais importante – partida da temporada, Bale estava pronto para voltar. Horas antes da bola rolar em Cardiff para a final da Champions League, alguns veículos chegaram a cravar que Gareth seria titular em sua terra natal, apesar do iluminado momento que Isco vivia.


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Questão vai além da disputa individual


As informações, porém, não se confirmaram, e Isco coroou sua temporada com mais uma grande atuação, consolidado como um dos principais destaques da equipe. Desde então, o debate está aberto: acabou a era dos três atacantes no Real Madrid? O 4-3-1-2 é o desenho ideal para este elenco?


A entrada do espanhol como uma quarta peça do meio-campo resolveu o problema de conexão que havia entre os setores, constante no primeiro semestre da temporada. Isco era a peça aguda que faltava entre Casemiro-Kroos-Modrić e Cristiano-Benzema. O controle da posse aumentou e o Madrid passou a se sentir extremamente confortável com a bola nos pés – vide confronto com o Atlético na semifinal da Champions.


O time de Zinédine Zidane alcançou estabilidade em um momento essencial e saiu com os títulos que disputava, mas não é por isso que o esquema está imune a críticas. A falta de jogadores pelos lados do campo fez a equipe sofrer com os avanços dos laterais e pontas adversários, em especial na primeira partida da nova formação, contra o Bayern, no Santiago Bernabéu.


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Vai ser difícil tirar ele do time


Em questão de posicionamento, há certa desordem na distribuição do meio-campo. A ideia inicial é de um losango com Casemiro atrás, Kroos à esquerda, Modrić à direita e Isco à frente, mas nem sempre isso é seguido à risca. Para fugir do congestionamento promovido pela Juventus, Isco jogou aberto pela esquerda no segundo tempo, e essa alteração foi primordial para o massacre dos 45 minutos finais.


O mercado madridista na janela de transferências leva a crer que o esquema com dois atacantes será prioridade em 2017/18. Morata e Mariano partiram em direção a Chelsea e Lyon, respectivamente, e no momento não há movimentação da diretoria para suprir as baixas no ataque, à exceção do retorno de Borja Mayoral – com permanência no clube ainda pendente de confirmação.


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O que o francês tem em mente para a nova temporada?


Marcos Llorente – após empréstimo – e Dani Ceballos – contratado junto ao Betis – se juntam a Casemiro, Kroos, Modrić, Kovačić e Isco para formar um grupo de sete ótimos centrocampistas no plantel do Real Madrid – levando em conta que Asensio é mais utilizado pelos lados. Mesmo com o rodízio praticado por Zidane, é difícil imaginar que haverá apenas três vagas para alocar esses atletas.


O 4-3-3, entretanto, está longe de ser descartado. A qualidade de Gareth Bale é inegável e não será simples abrir mão do camisa 11, caso ele volte a mostrar o futebol que o consagrou na elite mundial. Outros esquemas, como o 3-5-2- e o 4-1-4-1, também foram utilizados em 2016/17 e podem passar por novos testes depois das alterações sofridas pelo elenco.


No próximo dia 23, o Real Madrid estreia contra o Manchester United na International Champions Cup, para dar continuidade à pré-temporada realizada nos Estados Unidos. Manchester City, Barcelona e o Time das Estrelas da MLS também serão adversários na América antes da equipe regressar à Europa. Os primeiros indícios do que o treinador francês planeja taticamente para 2017/18 devem aparecer nessas quatro partidas.