De CR7 a Nacho: um Real Madrid pronto para fazer história

Última partida da temporada no Santiago Bernabéu. Como num resumo das batalhas disputadas nos últimos dez meses dentro da casa madridista, foram momentos de tensão até o alívio da vitória. O Real Madrid sabe sofrer como ninguém. Está para nascer um time que goste tanto de brincar com o perigo e triunfe tanto nessas circunstâncias.


Os momentos de tensão dessa vez foram propiciados por Jovetić, sobretudo. O atacante, sozinho, foi um terror para a defesa. Além do tento anotado, parou na trave em duas ocasiões e em um gigante Keylor Navas em outra. Desde que chegou ao Sevilla, já são três jogos e três gols contra o Real Madrid.


Mas temos Cristiano Ronaldo. O maior artilheiro da história do Real Madrid. O maior artilheiro da história da Champions League. E, a partir de agora, o maior artilheiro da história das 5 grandes ligas europeias, ao lado do inglês Jimmy Greaves. 



O poder de finalização do melhor do mundo apareceu em sua versão mais selvagem no canhotaço que ele botou na forquilha para anotar o 3 a 1 e tranquilizar o Bernabéu, que ecoou o grito de “¡SÍÍÍÍ!”. Sergio Rico só olhou, e era o máximo que se podia fazer.


Para marcar o terceiro, CR7 foi inteligente na movimentação e brutal na conclusão. Já no segundo, posicionamento de centroavante para aproveitar o rebote. No lugar certo, na hora certa. Gols que nos remetem à melhor versão do português, reencontrada na reta decisiva da temporada.


Getty Images
Getty Images

Inapelável


Ao contrário de Cristiano, Kroos não chuta forte. Sequer chuta. Ele dá um passe para a rede. Essa foi a impressão nos gols que já marcou com sua tradicional batida chapada. Contra o Sevilla, com a parte externa do pé, não deixou a classe de lado. Nunca deixa. Amaciou a bola após o cruzamento de Nacho, o mínimo necessário para tirar do alcance do goleiro e decretar a goleada.


A margem de três gols não condiz com o número de chances criadas pelas equipes. Condiz, sim, com a letalidade desse time na hora de decidir. No primeiro tempo, um jogo franco, aberto. Síntese de quem joga e deixa jogar, e o faz porque sabe do potencial que tem. Nessa troca de tiros, é muito difícil derrubar o Real Madrid.


Muita qualidade, sem dúvidas, mas pouco adiantaria tê-la sem a mentalidade vencedora impregnada em cada uma das 24 peças do elenco. Essa mentalidade sobrou para Nacho na cobrança de falta que abriu o caminho da vitória. Desafio você que se indignou com a validação do gol a achar um mísero parágrafo nas regras do futebol que aponte qualquer irregularidade no lance.


Getty Images
Getty Images

Três dos pilares de um Real Madrid extraordinário


Esperteza de Nacho, nada mais. Ninguém esbraveja quando o adversário pega a bola para bater rápido uma falta no campo de defesa ou no meio-campo. A regra é a mesma em qualquer pedaço dentro das quatro linhas. A reclamação do posicionamento do juiz é aceitável, mas não configura nenhuma irregularidade. Ele é neutro, afinal. Quando a bola bate no árbitro, por exemplo, a jogada não para.


Nos quatro gols do Madrid, é preciso destacar a presença de Marco Asensio. Estamos prestigiando o nascimento de um craque, que aumenta seu repertório a cada partida. Tudo isso com apenas 21 anos. A juventude de Asensio, a superação de Nacho e a consagração de Cristiano Ronaldo, elementos que se combinam na evolução de um time pronto para fazer história.