Zidane e Florentino dividem os méritos pelo sucesso do elenco madridista

Reta final de temporada, título disputado ponto a ponto. Não costuma ser o momento ideal para dar descanso aos titulares e lançar mão de um time quase todo reserva em jogos-chave. Em que pese à luta paralela pela Champions League, a esmagadora maioria dos treinadores prefere explorar seus principais jogadores à exaustão, mesmo com um plantel qualificado.


Zidane está subvertendo essa lógica ao confiar plenamente em cada peça do elenco. A recompensa vem dentro de campo, onde até os atletas mais contestados por torcida e imprensa se fazem importantes para ajudar o Real Madrid a conquistar um troféu que não vem desde 2012. No lugar de um possível abatimento, muita dedicação e contribuição decisiva para o bem maior. Mentalidade de grupo implantada pelo míster.



Os casos de Danilo, Coentrão e James são esclarecedores. O primeiro sofre para alcançar um bom nível desde que chegou ao clube; o português tem os dias contados no Madrid e havia deixado uma péssima impressão nas poucas chances que recebeu no primeiro semestre; e sobre o colombiano pairavam dúvidas a respeito da sua vontade de continuar na equipe. Todos criticados aqui neste espaço, diga-se.


Na goleada por 4 a 0 diante do Granada, fora de casa, os três voltaram a mostrar bom futebol. Destaque maior para James, claro, que marcou dois gols e resolveu a situação em apenas dez minutos, mas sem deixar de valorizar os laterais, autores de uma assistência cada. Coentrão descolou cruzamento preciso para James anotar de cabeça, e Danilo serviu Morata para o espanhol marcar o terceiro.


Já são 11 gols e 12 assistências de James Rodríguez em 2016/17, somando todas as competições. Números que lhe conferem a ótima média de uma participação em gol a cada 75 minutos. Isso tudo em uma temporada muito irregular do camisa 10. Prova de sua enorme eficiência para produzir, em boa ou má fase.


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Superando a desconfiança geral


Separei Danilo, Coentrão e James para análise porque são jogadores que vivem sob enorme desconfiança – menos por parte de Zidane. Ninguém em sã consciência duvida da capacidade de Kovačič, Isco, Morata e Asensio, jovens em quem está depositada a esperança do futuro madridista – e que já são fundamentais no presente. Sem falar de Nacho e Lucas Vázquez, que não possuem a técnica refinada de boa parte do elenco, mas também são fundamentais para o bom funcionamento do time B.


Além de apresentarem entrosamento de time A, os ditos reservas ganham rodagem e credibilidade para as decisões mais “pesadas”. O treinador não hesita em lançar mão de qualquer peça que seja, independente da situação. Uma escolha arriscada que se mostrou acertada com o tempo.


Nada disso seria possível sem o planejamento de Florentino Pérez e cia. Conhecido pelas compras multimilionárias que chocam o mundo do futebol, o presidente mudou – de 2015 em diante – o perfil de suas aquisições para acrescentar novos valores ao plantel que já estava repleto de estrelas e atender a demandas específicas. Cheguei a duvidar desse planejamento quando Casemiro se machucou e não havia opção com características semelhantes às do brasileiro, mas Zidane manteve a competitividade da equipe inalterada.


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Mais dois pra conta


Para 2017/18, as perspectivas são ainda mais animadoras por conta da volta de empréstimo do volante/meio-campista Marcos Llorente e do possível retorno do zagueiro Jesús Vallejo. Ambos são jovens – 22 e 20 anos, respectivamente – e mostraram grande nível por Alavés e Eintracht Frankfurt.


Caso algum jogador deixe o Real Madrid na próxima janela, fica a convicção de que haverá uma reposição do mesmo nível. Fruto de uma administração eficaz e da aposta por um treinador que, apesar de estar no começo da carreira e cometer erros, já mostra os resultados de sua principal virtude.