Na defesa e no ataque, Casemiro garantiu grande vitória

Em um campeonato tão disputado, com raríssimas partidas fáceis, é redundante falar em jogo decisivo. Para o Real Madrid, porém, o duelo com o Athletic Bilbao no San Mamés tinha caráter especial. Tratava-se do segundo melhor mandante de La Liga – atrás apenas do próprio Madrid –, invicto em seus domínios desde a segunda rodada, quando perdeu para o Barcelona. Seria, também, a última saída para enfrentar um adversário de mais peso. Visita caliente, como chamam na Espanha.


São essas as razões que fazem da vitória por 2 a 1 no País Basco um resultado gigantesco para as pretensões madridistas na competição. Liderado pela atuação brilhante de Casemiro, a equipe soube suportar a esperada pressão do Athletic nos minutos iniciais, defendeu-se bem e achou os espaços para marcar os gols. Teve até chances para ampliar e diminuir os riscos, mas a partida estava mesmo destinada ao sofrimento até o apito final.



Para sair do sufoco proporcionado pelo time de Ernesto Valverde no começo, foi fundamental a ação de Toni Kroos na saída de bola. As triangulações entre o alemão, Marcelo e Benzema levaram o Madrid ao ataque. O atacante, por sinal, confirmou a boa fase com outra ótima atuação em um jogo grande. Volta a ser o jogador com o qual nos acostumamos em seus quase dez anos de clube, justo no momento mais importante da temporada.


A abertura do placar coroou a evolução do Real Madrid dentro da partida. Equilibrar a posse de bola era o que a equipe precisava para impor seu ritmo de jogo, e assim o fez. Na construção da jogada, Casemiro deu um lançamento digno de Kroos para Cristiano Ronaldo. A assistência e a finalização foram precisas, mas é possível dizer que o brasileiro pariu o primeiro gol. O show de Case estava apenas começando.


O panorama no restante do primeiro tempo foi de controle. Não um domínio absurdo com inúmeras chances criadas, mas uma administração consciente para esfriar o ambiente hostil do San Mamés. Para atacar com mais intensidade, faltaram participações mais incisivas de Modrić e Bale, que não viveram dia tão inspirado.


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Mais uma grande atuação do francês


A atuação irregular de Lukita foi um dos fatores que justificou a substituição de Zidane em meados do segundo tempo, quando trocou o croata por Lucas Vázquez. Embora parecesse uma alteração sem sentido, e até ousada para alguns, representou uma preocupação defensiva do treinador.


Iker Muniaín havia acabado de entrar em campo e certamente renderia problemas ao lado direito da defesa madridista. Lucas exerce papel fundamental na recomposição, e apareceu para ajudar Carvajal no setor. Bale foi à esquerda, onde Marcelo estava passando por apuros no combate a Iñaki Williams.


Três minutos depois da polêmica substituição, Aduriz empatou o jogo. O mundo caiu na cabeça de Zidane, que viu a vantagem, então controlada, ser desfeita logo após sua ação. Entendo quem coloque na conta do francês, uma vez que o time estava bem em campo antes da alteração tática. O gol, no entanto, saiu em jogada aérea, e nada teve a ver com a troca de Modrić por Vázquez.


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Cada vez mais completo


Sorte a nossa que temos a bola aérea mais mortal do futebol europeu, e ela voltou a garantir mais uma vitória em La Liga. Não com Sergio Ramos, dessa vez. Mas com participação decisiva de Kroos na cobrança de escanteio, para variar. Cristiano desviou de cabeça – segunda assistência no jogo – e Casemiro teve calma de centroavante para recolocar o Madrid na frente.


Na sequência, o brasileiro foi como uma muralha para conter as investidas do time basco. Ao todo, no segundo tempo, recuperou incríveis 15 bolas. A dupla de zaga também esteve impecável e só falhou no gol de empate. Foi o necessário para assegurar os três pontos e deixar a sensação de que o título está cada vez mais perto.