Sergio Ramos transformou o imponderável em rotina

Nem o mais otimista dos madridistas imaginaria um final de semana tão positivo para as pretensões do clube. Barcelona e Sevilla tropeçaram contra equipes que brigam contra o rebaixamento e abriram caminho para o Real Madrid reassumir a liderança, mesmo com um jogo a menos.


Minutos antes do apito inicial no Bernabéu, o Palácio dos Esportes de Madrid testemunhou mais uma vitória blanca contra o Barcelona na Liga ACB de Basquete. A ação decisiva, outra vez, foi do herói Sergio Llull, com uma cesta no estouro do cronômetro. Para completar os feitos institucionais, o Castilla havia assegurado três pontos diante do Zamudio, na Segunda B, mantendo-se na zona de classificação para a próxima fase.



Restava "apenas" o carro-chefe para carimbar o fim de semana perfeito. E o triunfo sobre o Betis veio com alta carga de dramaticidade, em nova intervenção de Sergio Ramos. Os gols decisivos viraram clichê. Podemos até pensar: "Uma hora a sorte acaba". Mas a frequência assustadora com a qual ele decide jogos vai transformando o imponderável em rotina. Os treinos de bola parada com Kroos em Valdebebas devem ter programação especial. É muita competência nesse fundamento.


A partida começou em ritmo alucinante. Determinado a retomar o primeiro lugar, o Madrid teve ótimo início e sufocou o adversário em seu campo de defesa. Ao escalar Isco e James, Zidane mandou um recado: é possível, sim, ambos jogarem juntos. Embora tenha mantido o 4-3-3, a opção foi por uma equipe mais ofensiva, pois Casemiro descansou no banco de reservas e Kroos passou a ocupar a posição de 1º homem de meio-campo. James ganhou a vaga do suspenso Bale na ponta-direita.


Junto a Casemiro, Benzema também estava no banco. Essa opção até se justificou por dar merecidos minutos a Morata. Abriu-se mão, entretanto, da influência que o francês costuma exercer contra o Betis – nos seis confrontos anteriores, havia marcado em todos.


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Fez dois para valer um


Ainda no começo, Morata foi abraçado na pequena área e sofreu pênalti claro. Mateu Lahoz ignorou. Já no segundo tempo, quando o placar apontava 1 a 1, a arbitragem voltou a prejudicar o Madrid em impedimento mal marcado no gol por cobertura de Cristiano Ronaldo, que selaria a virada madridista e o doblete do português.


Entre um lance e outro, quando o 0 a 0 ainda permanecia, os visitantes reclamaram de falta de Keylor Navas – em saída atabalhoada do goleiro –, que certamente renderia sua expulsão caso fosse assinalada. "Mudaria a história do jogo", foi a reclamação. Assim como o pênalti não dado em Morata também mudaria. O gol mal anulado de Cristiano, idem. O foco, porém, é sempre no erro favorável ao Real Madrid. Pouco importa o maior número de erros contrários. É assim que a banda toca na Espanha, sabemos.


Péssima arbitragem à parte, o time de Zidane não soube converter o domínio inicial em criação de oportunidades, e logo pagou o preço nos contra-ataques verdiblancos. Navas ficou nervoso depois do polêmico lance com Sanabria e, na sequência, tomou um frango inaceitável para quem defende a meta do Real Madrid há quase dois anos. Sem nenhum exagero de palavras, colocou para dentro uma bola que já havia defendido. As especulações em torno dos nomes de De Gea e Courtois voltaram a ganhar força.


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Super-herói


O costarriquenho, porém, voltaria a ser protagonista no último lance do jogo, quando garantiu a vitória em defesa milagrosa após cabeçada do mesmo Sanabria. Não poderia haver desfecho melhor para a noite que se configurava como uma das piores na carreira do arqueiro. No gol sofrido, vale dizer, outros jogadores também falharam. Carvajal deixou o lado direito aberto para o avanço de Durmisi, autor da assistência. A lacuna no setor voltou a aparecer em diversos momentos da partida. É um fenômeno raro, mas Carvajal jogou mal. Na entrada da área, não havia ninguém na cobertura. Erro de todo o meio-campo.


Pressionado pelo resultado, o Madrid abandonou a troca de passes e apelou para a estratégia de sempre: cruzamentos para a área. Dada a qualidade dos meio-campistas, é válido debater se não seria mais fácil trabalhar a bola e apostar no talento dos vários craques à disposição. É inegável, porém, a eficiência da equipe nesse tipo de jogada. São muitos especialistas em cruzamentos e bolas paradas e outros tantos cabeceadores exímios para facilitar o processo. Para virar o jogo, entraram em ação as duas pontes aéreas mais famosas do elenco: Marcelo-Ronaldo e Kroos-Ramos.


Marcelo, por sinal, foi um dos melhores em campo. Correto na defesa, abusou de lançamentos magníficos – até com a direita – e improvisos individuais para levar o time ao ataque. Em um dos lançamentos, Lucas Vázquez recebeu em velocidade e sofreu a falta que culminou na expulsão de Piccini, minutos antes da virada. Para estabelecer a remontada, ninguém melhor do que Sergio Ramos. As câmeras da transmissão já o procuram instantaneamente nas bolas paradas decisivas dos minutos finais. Virou clichê. O super-herói trouxe a liderança de volta, e não podemos desperdiçá-la novamente.