Deu a lógica, mas não foi fácil, não

Deu a lógica. O Real Madrid provou a sua superioridade contra o Barcelona, em um Santiago Bernabéu lotado, e colou nos culés na liderança do campeonato. Mas o placar de 3 x 1 não reflete exatamente as dificuldades do jogo.


Logo aos 4 minutos do primeiro tempo, Neymar abriu o placar para os culés. A preocupação tomou conta da torcida, mas foi exatamente nesse momento que a grande virtude do time de Ancelotti veio à tona: a tranquilidade. Os jogadores absorveram muito bem o golpe e tiveram calma para reverter a situação que, em outros tempos, desenharia-se como complicada.


Nesse momento precisamos entender como foi a virada psicológica do Real Madrid nos últimos anos. O time vinha sendo um leve saco de pancadas do Barcelona até a chegada de José Mourinho. O português renovou a alma dos jogadores e, apesar de alguns acidentes de percurso, deu a eles novamente a sensação de que podiam vencer os maiores rivais e qualquer outro time do mundo. Porém, o lado passional do técnico também tem suas desvantagens. Técnicos com esse perfil tendem a perder o pulso em situações adversas e, em campo, os jogadores refletem esse nervosismo. Com Ancelotti e história é outra. O italiano é quase um monge, tamanha sua tranquilidade, e, quando assumiu o Real Madrid na última temporada, pegou uma equipe decidida a vencer, mas que muitas vezes deixava o descontrole tomar conta quando as coisas não saíam como o planejado.


Isso foi provado, mais uma vez, no clássico de hoje. após o gol de Neymar, o time equilibrou as ações e mostrou que o Barça não teria vida fácil. Passou a dominar a posse de bola e chegou algumas vezes com perigo ao ataque, até que foi premiado com um pênalti bem marcado de Piqué. Cristiano Ronaldo cobrou e tirou a virgindade do goleiro Bravo, que ainda não havia levado gols na La Liga.


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Pepe subindo mais alto que todo mundo para marcar o segundo


No segundo tempo a frieza do Real Madrid pôde ser vista desde o começo, quando virou o jogo com uma linda cabeçada de Pepe, após cobrança de escanteio de Kroos. A zaga catalã ficou de olho em Sergio Ramos, que na temporada passada fez alguns gols dessa forma, e esqueceu de marcar o zagueiro português.


A calma com que o time tocava a bola impressionava e o lance do terceiro gol foi a prova disso: após jogada rebatida pela defesa, Isco correu feito um louco e aproveitou-se de uma bobeira de Iniesta e Mascherano para lançar Cristiano Ronaldo, que passou a bola para James Rodríguez. O colombiano deu um leve toque para frente, encontrando Benzema atrás da defesa culé, que fez o terceiro.


O amigo Bruno Plapler, do Barcelonizando, cravou que a ausência de Bale seria a grande vantagem do Barcelona no clássico. Realmente com o galês em campo, o poderio ofensivo do Real Madrid é muito maior. Os contra-ataques, que já são perigosíssimos (como foi provado no terceiro gol), torna-se ainda mais letal. Entretanto a equipe provou que não tem apenas no contra ataque a sua grande arma. O time evoluiu demais da temporada anterior para essa e deu uma aula ao Barcelona de como variar o posicionamento e a estratégia aplicada em campo. Com atuações magistrais de Isco e Carvajal, apenas para citar dois atletas que normalmente são coadjuvantes, o time manteve a velocidade, adicionou classe ao toque de bola e aumentou a solidez na defesa, que sempre que acionada soube desafogar o jogo da forma mais calma e correta possível.


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Cristiano e a torcida reconheceram a excelente atuação de Isco


Essa foi a melhor resposta aos críticos do começo de temporada. O time, que ainda vai evoluir bastante, mostrou contra uma das equipes mais perigosas do mundo, que tem chances de vencer qualquer torneio e qualquer adversário. Basta manter a calma.