Apático e desorganizado: o retrato do Real Madrid contra o Girona

O confronto que tinha tudo para marcar de vez a reabilitação do Real Madrid no campeonato espanhol terminou de forma trágica. Mesmo saindo na frente, com gol de Isco, o time da capital teve uma atuação que beirou o patético e cedeu a virada ao Girona, estacionando, assim, nos 20 pontos e na terceira colocação da tabela. O time está a quatro pontos do segundo colocado, Valencia, e a distantes oito do líder, Barcelona. Isso tudo apenas na décima rodada da competição.



O Real Madrid começou melhor e dominando com folga as ações. E, sejamos sinceros, em condições normais de temperatura e pressão não teria de ser diferente, visto o gigantesco abismo técnico e estrutural entre as duas equipes. Era o campeão europeu contra um time recém ascendido da segunda divisão, que pela primeira vez jogava na elite do futebol espanhol. O jogo perfeito para uma exibição de gala, com direito a goleada. Que não aconteceu.


O gol de Isco, logo aos 12 minutos de partida, poderia ser um indício de que o Real Madrid teria uma atuação minimamente aceitável. Em um rápido contra ataque, Cristiano Ronaldo bateu forte de fora da área e o goleiro Roberto Jiménez deu rebote, que foi aproveitado pelo malaguenho, que chegava como um foguete pelo lado direito do ataque.


Mas a partir daí a coisa desandou. O Real Madrid não tinha nem lampejos de criatividade. O Girona chegou a colocar duas bolas na trave e a defesa merengue se virava como podia, com enorme destaque para um impecável Varane, muito preciso nas antecipações e desarmes - o que era de enorme valia, já que Sergio Ramos não era nem sombra do zagueiro que costuma ser. Na frente, apenas Isco se salvava, com Benzema tentando ajudar de alguma maneira. De resto, víamos apenas atuações sofríveis. Os laterais não apoiavam direito, os jogadores de meio campo não se entendiam e Cristiano Ronaldo estava em uma sintonia diferente da de seus companheiros.


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Podem criticá-lo à vontade, mas o francês é importantíssimo pro time


Com a saída de Varane, lesionado, no intervalo, Nacho entrou em seu lugar e o que estava ruim ficou ainda pior. Antes dos 15 minutos do segundo tempo o Girona já havia virado o placar e vencia por 2 x 1, com duas falhas monumentais da defesa madridista. Independente do segundo gol catalão ter saído em uma jogada irregular, com o meia Portu impedido, o erro da defesa foi gritante e o gol que daria a vitória para o time da casa era apenas questão de tempo.


Faltava vontade ao Real Madrid. Faltava raça. Faltava criatividade. Faltava tudo! Os jogadores continuavam a não se entender, muitas vezes afastados uns dos outros e errando jogadas infantis. Zidane resolveu ousar e lançou Marco Asensio e Lucas Vázquez para o campo, no lugar de Marcelo e Achraf. O time, então passou a atuar com três zagueiros, com Casemiro fechando a defesa ao lado de Sergio Ramos e Nacho. Não acho que tenha sido uma ideia de todo ruim, mesmo deixando o setor defensivo ainda mais aberto - algo que só não foi aproveitado pelo Girona porque, convenhamos, o time é fraco.


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Uma atuação que não condiz com o melhor do mundo


Mas de que adianta atacar com todos esses jogadores se não há criação de jogadas? O time se sustentava basicamente de cruzamentos na área, quase sempre tortos, sem direção e feitos no desespero. Numa das raríssimas pensadas, com a bola no chão, Isco deixou Vázquez na cara do gol e ele mandou para o fundo das redes, mas em posição de impedimento, muito bem marcado.


A impressão que dava era a de que os jogadores achavam que poderiam liquidar a fatura a qualquer minuto e se assustaram após os dois gols catalães. E na sequência, com as coisas dando errado, desesperaram-se e começaram a tentar tudo de qualquer jeito, sem o mínimo de raciocínio ou visão tática. Aqui não é uma questão da perda de algumas peças ou de um suposto enfraquecimento do elenco. A questão é postura. Intensidade. É honrar a camisa a qualquer custo, em qualquer momento e em qualquer lugar.


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Só Isco se salvou em meio à tenebrosa atuação merengue


Esse jogo precisa ser tomado como lição. Uma lição dura, porém necessária e definitiva. Uma lição que mostra que o time precisa voltar a ser o Real Madrid da temporada passada, que corria e suava sangue até a hora do apito final, sem desistir de nenhuma bola e com grande criatividade e variedade de jogadas, aliadas a um controle das ações incomparável.


Isso é o Real Madrid. E é isso que fará o Real Madrid reencontrar o caminho das boas atuações e consequentes vitórias. Zidane sabe disso e os jogadores, também. Resta colocar em prática. Que o façam já na próxima partida e continuem assim durante toda a temporada.



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