O mundo descobre o que a torcida do Real Madrid já conhecia: a magia de Isco


- Você não acha o Isco bom jogador?
- Mediano. Tem lampejos. Mas vejo ele errando mais do que acertando. Justamente por, em vários lances, não usar muito o cérebro. Acho esforçado e só.
- Acho que estamos falando de outro jogador.



O diálogo acima é real. Ocorreu há alguns meses, conversando com um amigo durante o clássico entre Real Madrid e Barcelona pelo segundo turno da LaLiga. Ele permaneceu irredutível criticando Isco e eu simplesmente não conseguia acreditar no que estava lendo naquele momento. Hoje percebo que, talvez - e apenas TALVEZ -, esse pensamento fizesse sentido para alguns na época.


Francisco Román Alarcón Suárez, popularmente conhecido como Isco, é um jogador fantástico, muito acima da média, e com quem os torcedores do Real Madrid estão mais do que familiarizados. Desde sua chegada à equipe, na temporada 2013-14, os madridistas foram brindados com seu talento. O atleta, nascido em Málaga, possui grande visão de jogo e qualidade de passe, mas o que mais chama atenção é seu estilo de conduzir a bola, com dribles curtos e quase sempre um passo à frente do seu marcador, que dificilmente oferece resistência à tamanha categoria.


Getty Images
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Encerrando com chave de ouro


Mas, apesar de todo esse talento, Isco nunca teve vaga cativa no time titular do Real Madrid. O meio campo merengue sempre foi povoado por inúmeros talentos e o atleta sempre foi mais uma opção de elenco do que um nome incontestável na escalação. Isso começou a mudar na temporada passada, o que chegou a colocar em risco sua permanência na equipe. Suas espetaculares atuações fizeram com que torcida e imprensa manifestassem seu desejo de vê-lo cada vez mais em campo, e Zidane, dentro de sua proposta de rotações de todo o elenco, passou a usá-lo com maior frequência, com confiança e a certeza de que ele poderia mudar qualquer partida.


Foi isso que aconteceu, por exemplo, na última final de Champions League vencida pelo Real Madrid. Após um primeiro tempo truncado, Zizou percebeu que o jogo estava muito afunilado e precisava de mais força pelo lado esquerdo. Com Isco deslocado mais para o lado do campo, o time fluiu muito melhor e a goleada sobre a Juventus foi concretizada. Esse foi apenas um dos excelentes jogos do malaguenho na última temporada, quando foi o atleta mais regular do elenco madridista.


Outro fator que o fez ser "esquecido" pela maioria durante muito tempo é o fato de ser um atleta discreto. Isco não dá declarações polêmicas, não é visto na noite e não pode ser considerado um jogador midiático. Ele apenas trabalha duro e se esforça para ser útil ao clube que defende. Até mesmo quando surgiram rumores de uma possível transferência para o Barcelona, Isco manteve a mesma postura de sempre. Não se utilizou desse artifício para cavar uma renovação milionária de contrato e não usou a mídia para aumentar os holofotes sobre si mesmo.


Mas esse "esquecimento" parece estar com os dias contados. Isco esperou e foi paciente quando tinha que ser, mas agora chegou a sua vez. Sua vez de brilhar, a sua vez de ser protagonista no elenco merengue e a sua vez de ser um dos grandes nomes da seleção espanhola. Ele tem consciência disso, Zidane tem consciência disso e Julen Lopetegui, técnico da Espanha, também tem. As mudanças pelas quais o Real Madrid está passando, atuando cada vez mais apenas com dois atacantes e quatro homens no meio campo, é prova disso. Um dos grandes motivos dessa mudança é justamente ele. Isco não pode ficar de fora do time titular, apesar das rotações, e Zizou não o deixará de fora, fazendo com que o time atue cada vez mais com um setor de meio campo formado por Casemiro, Modric, Kroos e Isco, com o malaguenho encostando no ataque e chegando como elemento surpresa na frente.


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O Real Madrid e o madridismo agradecem


E pela seleção a história não é diferente. Seu recente desempenho contra a Itália deixa isso mais do que evidente. Isco marcou dois golaços contra ninguém menos que Gianluigi Buffon e foi o grande nome da vitória por 3 x 0, que deixou La Roja com a classificação para a Copa da Rússia praticamente garantida. As comparações com Iniesta voltaram com força, afinal, o estilo de ambos é semelhante e, ao que tudo indica, com a aposentadoria do barcelonista se aproximando, o meia do Real Madrid tende a ser o seu herdeiro direto na seleção nacional.


Quem tem a ganhar com isso são os torcedores da seleção espanhola e todos os madridistas, além daqueles que amam o futebol bem jogado, com categoria e estilo. Quem sabe, assim, diálogos como aquele do início do texto não se repitam. Acompanhar a carreira de Isco é um privilégio do nosso tempo, então vamos aproveitar. Jogadores como ele são raros. E mágicos.



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