Três aspectos que ilustram a vitória do Real Madrid sobre o Sevilla

A LaLiga guardará sua maior emoção para a última rodada. Real Madrid e Barcelona seguem brigando ponto a ponto pela posição mais alta da tabela e a vitória merengue por 4 x 1 sobre o Sevilla mantém o time de Zidane com uma virtual vantagem, pois segue dependendo somente de si mesmo, apesar de ambos os times estarem empatados com 87 pontos (os catalães levam a vantagem no confronto direto, primeiro critério de desempeate). Como os madridistas ainda têm um jogo a menos, que será disputado no meio dessa semana, há a possibilidade de abrir três pontos e esse ser o grande diferencial do campeonato.


O jogo da tarde desse domingo foi marcante por três aspectos, que enumerarei abaixo.


1º) A despedida


Esse foi o último confronto da temporada realizado no Santiago Bernabéu. Por esse motivo, e pelo excelente momento do time, que pode conquistar a LaLiga e a Champions League, os torcedores compareceram em peso e mostraram uma postura exemplar, diferente daquela mimada de alguns meses, quando, mesmo liderando o campeonato nacional, vaiaram os jogadores dentro dos seus domínios. Foi um dia muito importante para todos os presentes no estádio, pois ficaram satisfeitos com a entrega e dedicação apresentada, e perceberam que não faltará vontade de nenhum jogador em lutar até o último instante para ficar com as taças. E também foi importante para os atletas, que perceberam, definitivamente, que não falta apoio dos apaixonados pelo clube.


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Torcedores satisfeitos e time confiante


Também chamou atenção a forma com que James Rodríguez agradeceu aos torcedores no final da partida. Muitos estão interpretando que foi sua despedida definitiva do estádio, levando a crer que realmente será negociado. Sigo torcendo para que não, pois, mesmo com poucos minutos nesta temporada, o colombiano mostrou do que é capaz e terminará com números excelentes. Dignos de um titular, diga-se de passagem.


2º) O adversário, em tese, mais difícil, foi superado


O confronto contra o Sevilla era aquele que, em teoria, seria o mais perigoso. Mesmo sendo no Santiago Bernabéu, o time treinado por Jorge Sampaolli ocupa a quarta colocação na tabela e brigava por uma vaga direta para Champions League. Ou seja, a partida valia muito para as duas equipes. No fim das contas, mesmo com a goleada sofrida, os sevillistas garantiram a vaga após a confirmação do empate entre Villarreal e Deportivo La Coruña, que deixou o Submarino Amarelo sem chances de conseguir a classificação.


Já os confrontos restantes podem ser um pouco mais tranquilos, ainda que ambos sejam fora de casa. O Málaga, adversário da última rodada, ocupa a 11ª colocação e caiu muito de produção em relação ao primeiro turno, quando a vitória merengue foi sofrida, por 2 x 1. O mesmo podemos falar do Celta, adversário do jogo atrasado. Se no começo desse ano o time foi responsável pela eliminação do Real Madrid na Copa del Rey, a realidade agora é outra é os galicianos estão na 13º colocação da LaLiga.


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Cristiano Ronaldo bateu forte de esquerda e fez um golaço


Isso não quer dizer, em absoluto, que serão jogos tranquilos. Muito pelo contrário. É evidente que os dois times vão endurecer demais os jogos e farão de tudo para evitar o título merengue. Nesse restante de temporada é o mundo todo contra o Real Madrid, na LaLiga e na Champions. Não enfrentaremos apenas nossos adversários diretos, mas também a antipatia dos rivais. Os jogadores estão acostumados.


3º) Jogo coletivo de grande qualidade e atenção em todos os momentos


Zinédine Zidane, mais uma vez, levou a campo um time que, para muitos, não pode ser considerado efetivamente titular. Nomes como Nacho, James Rodríguez, Kovacic, Asensio e Morata são, em tese, reservas. Mas o técnico francês vem provando que não é bem assim. O time do Real Madrid tem um grande e forte elenco onde quase todos tem condições de ser titulares e, nessa reta final, há um claro entendimento de que as rotações são necessárias para que todos estejam em condições de contribuir para as possíveis conquistas.


Essa opção do técnico poderia acontecer contra times de menor potência, mas Zizou utilizou essa estratégia justo no jogo que apontavam como mais difícil. E a resposta foi vista em campo. Ao contrário de desentrosamento e erros, o que se viu foi um time coeso, onde os atletas se conhecem e sabem onde cada companheiro está. O Sevilla até teve chances de empatar (o jogo chegou a ficar 2 x 1), mas o domínio do Real Madrid foi amplo do começo ao fim e Keylor Navas, duramente criticado nessa temporada, fechou o gol e mostrou segurança nos 90 minutos.


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Acostumado a dar os passes, dessa vez Kroos deixou o dele


Cristiano Ronaldo, mais uma vez, foi o nome do jogo, com dois gols e muita movimentação na frente. Mas ele dividiu as atenções com um protagonista inesperado: Nacho. O espanhol, que substituía Marcelo na lateral esquerda, abriu o marcador mostrando enorme oportunismo, em uma jogada totalmente legal, onde cobrou a falta com rapidez e pegou o goleiro Sergio Rico desprevenido. E no lance do quarto gol foi dele o cruzamento para Toni Kroos, que emendou meio desajeitado, de esquerda, para o fundo das redes.


Foi um jogo digno de uma equipe que quer ser campeã. O time de Zidane, que oscilou mais do que o esperado durante a temporada, chega com tudo na reta final, sedento pelos dois títulos em disputa. Nada está decidido e o Real Madrid pode sair de ambos com as mãos abanando, mas a sensação é de que acontecerá exatamente o oposto. Vamos aguardar. E torcer. 



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