Barcelona e Liga Espanhola fazem papelão em liberação de Neymar

Divulgação/PSG
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Neymar já foi apresentado no Parc des Princes


Neymar já deu entrevista coletiva, foi apresentado no Parc des Princes, ganhou homenagem na Torre Eiffel e até treina com seus novos companheiros de equipe. Mas ainda não pode atuar com a camisa parisiense. Tudo porque Barcelona e Liga Espanhola andam fazendo de tudo para atrasar a estreia do brasileiro, em atitudes que beiram ao patético.


Na quinta-feira passada, a Liga Espanhola (LaLiga) recusou o pagamento do Paris Saint-Germain em relação à compra de Neymar. Pela regulamentação local, é a federação quem recebe o dinheiro de uma transferência e repassa ao clube, mas o presidente Javier Tebas chegou ao ridículo ponto de não aceitar o cheque, alegando quebra do Fair Play Financeiro. Assim, a saída dos advogados parisienses foi viajar até a Catalunha e entregar o cheque nas mãos do próprio Barcelona.


Deixemos algumas coisas claras. Para mim, é bem óbvio que o PSG feriu sim o Fair Play Financeiro, e pode até continuar se confirmar as chegadas milionárias de Oblak e Mbappé, que estariam de acordo com uma possível transferência. Porém, o Paris deve achar uma forma de driblar o FPF, assim como já fez no passado e como outros clubes também o fazem, independente de serem “novo ricos”. O FPF é uma lei com algumas brechas que já foram exploradas outras vezes, e a compra de Neymar é sem dúvida alguma uma investigação obrigatória. Porém, nunca foi papel de LaLiga rejeitar um pagamento por conta de uma suspeita. O que eles podem – e devem - fazer é pedir um apuramento da origem do dinheiro, mas jamais se negar a recebê-lo.


Divulgação/PSG
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Transferência deve ser investigada, mas não dá o direito de Barcelona e LaLiga barrarem a documentação


Agora, com contrato assinado, Neymar já é jogador parisiense. Ou quase isso. É a vez então do Barcelona não liberar a documentação para a inscrição do brasileiro na Liga Francesa. Geralmente, isso ocorre quase imediatamente, mas os catalães ainda não repassaram a papelada. O prazo máximo é de 15 dias após o pagamento, mas o Paris não descarta entrar com um pedido na FIFA caso o processo se arraste nos próximos dias. O Barça reclama também do FPF e de uma possível má fé de Neymar na negociação.


Não entrarei em detalhes de como o brasileiro se comportou durante a negociação, pois isso ainda é algo obscuro e com varias declarações diferentes. Mas a não liberação da documentação por causa disso é outra atitude mesquinha dos espanhóis, que já têm o dinheiro em conta. Aliás, o clube catalão, com ex-presidente envolvido em esquema de corrupção, punido por aliciamento de jogadores, que nos últimos anos fez de tudo para forçar uma saída de Thiago Silva, Marquinhos e Verratti do próprio PSG, que feriu todas as éticas possíveis na compra do próprio Neymar junto ao Santos, não tem direito de se portar como uma pobre vítima do sistema.


Tão ruim quanto isso é a forma como alguns diretores e a imprensa catalã andam tratando a transferência, chamando de “traição”. Uma atitude arrogante, de quem sempre esteve acostumado a assinar o cheque e atrair grandes ídolos de outros clubes -Henry do Arsenal e mais recentemente Suárez do Liverpool, como alguns exemplos. Ambos chegaram com todas as pompas e se tornaram ídolos no Camp Nou, mas se ver do outro lado da moeda parece ferir o orgulho local.


O Barcelona é um colosso, um dos maiores clubes do mundo. Sempre tive e terei uma admiração e respeito enorme por sua história, afinidade com o futebol bem praticado e o estilo brasileiro. Mas as atitudes recentes de sua diretoria não fazem jus à sua grandeza.