PSG: o futebol é a loucura mais linda que existe

Divulgação/PSG
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Não me acordem deste sonho


Nelson Rodrigues foi um dos maiores cronistas que o Brasil já viu. Apaixonado por futebol, ele costumava ironizar aqueles que faziam uma análise mais racional sobre uma partida, chamando-os sempre de “entendidos”. Sua defesa era de que o futebol não tinha nada de exato, e era em suas nuances que estava a verdadeira arte.


Pois bem. Como jornalista, sempre procurei ser mais racional, buscando informações e fazendo análises para que os textos ficassem interessantes para quem já é acostumado com o esporte, ou ainda procura respostas sobre a má/boa fase de uma equipe. Mas hoje a linda anarquia de Nelson Rodrigues me humilhou. E como foi delicioso sentir isso.


O Paris Saint-Germain fazia uma temporada claudicante, sem se encontrar. A partir de janeiro o time melhorou, mas ainda estava distante dos últimos anos. Individualidades em baixa, muitos desfalques físicos, um técnico brigando para ter o controle da equipe, e um tal de FC Barcelona pela frente nas oitavas da Champions. O time que suou sangue para empatar em casa com o PFC Ludogorets tinha que encarar logo o seu carrasco maior dos últimos anos no primeiro mata-mata da maior competição europeia.


Divulgação/PSG
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"Juntos somos invencíveis"


Tinha tudo para dar errado. Ah, e como se não bastasse, Thiago Silva se machucou dias antes do duelo. Em seu lugar entrou o promissor Kimpembe, garoto que faria sua estreia na Champions marcando Messi, Suáres e Neymar. Lá na frente, Unai mais uma vez apostou em Di María, que fazia temporada ruim, ao lado de Draxler, que apesar do talento, ainda precisava se provar em grandes duelos e acabou de chegar a Paris.


Mas foi na irracionalidade de Nelson Rodrigues que o futebol se esbaldou no Parc des Princes. Foram 4 a 0 sobre um dos maiores clubes do mundo. Dois de Di María, um de Draxler e outro de Cavani. Unai Emery fez o time não temer o Barça pela primeira vez em décadas, tirando o melhor de cada atleta na raça, talento e tática. Foi como uma orquestra do caos, onde cada Rouge et Bleu se multiplicava em campo e engolia um gigante incrédulo. E foi pouco, pela diferença de futebol apresentado.


É como um sonho. Como o Ramones tocando “I Believe in Miracles” no Bataclan, ou uma pintura surrealista no Louvre onde você aprecia as cores e a técnica, mas não entende como isso aconteceu ou o que exatamente significará a mensagem para as gerações futuras.


A classificação NÃO está garantida. Primeiro porque ainda teremos de enfrentar um colosso por mais 90 minutos. Segundo porque a loucura que permeou hoje pode aparecer na Catalunha também. Mas para quem é torcedor parisiense, resta comemorar bastante, pois este 14 de fevereiro de 2017 já entrou para a história. Fomos gigantes hoje.


Getty Images
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ALLEZ PARIS


Saint-Édith Piaf esteve no Parc esta noite, com toda sua irreverência da verdadeira alma parisiense, não aquela propagada comumente, mas sim a de que tudo pode acontecer em uma romântica noite na Cidade Luz, onde até um desacreditado pode subir no palco sob as luzes e críticas do público e soltar a voz mais linda e impressionante que qualquer um já viu.


Uma insanidade perfeita.


ICI C’EST... PARIS!!!!