Falta um 'camisa 8' ao Porto

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Óliver Torres vem atuando como segundo volante no esquema portista


Um futebol vertical, com intensidade e vibração, explorando ao máximo as pontas do campo. Assim é possível definir o Porto sob o comando do técnico Sérgio Conceição, que venceu os dois jogos que fez até agora na Liga Portuguesa.


Após uma estreia com direito a goleada de 4 a 0 sobre o Estoril, em casa, os Dragões não tiveram o mesmo sucesso ofensivo na visita ao Tondela, mas o triunfo pelo placar mínimo serviu para garantir mais três pontos.


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Assim como também serviu para mostrar uma certa limitação no meio-campo portista. Até pelo estilo do treinador, a equipe azul e branca sempre procura os lados do campo, dando amplitude ao ataque, mas nem sempre é o suficiente.


O que se viu em Tondela foi um Porto que abusou dos lançamentos diretos à área adversária, algo amplificado pela dificuldade em jogar pelo centro do gramado. É interessante ver os Dragões em alta voltagem e jogando de forma direta, mas isso não impede de se buscar o centro também.


É bem verdade que Conceição tentou corrigir isso. Deu liberdade aos laterais Ricardo Pereira e Alex Telles, que ficaram responsáveis pela amplitude no terço final, e permitiu que Brahimi e Corona flutuassem pelo meio, como já havia feito contra o Estoril e funcionou.


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Para movimentar o meio campo, Corona passou a 'flutuar' para o centro


Mas jogar como visitante, logicamente, não é como atuar no Dragão. O volume de jogo é diferente, o que exige um poder de criação maior. Tendo Danilo e Óliver Torres como centro-campistas, cabe ao espanhol ajudar na transição ofensiva, função que não parece ser tanto a praia dele.


Nesse cenário, faz falta ao Porto um típico "camisa 8" que possa fazer essa ligação. Uma espécie de "box to box", como os ingleses chamam, um jogador capaz de ajudar na marcação, mas que também saiba atacar.


Óliver, embora habilidoso, não tem esse perfil. Está mais acostumado a ser o terceiro homem no meio campo, não a ser o responsável pela transição na faixa central.


Apesar das dificuldades financeiras que o clube enfrenta, é preciso investir antes que a janela de transferências feche no final do mês. Afinal, nem só de vendas pode viver um clube.