Blindagem, kart e paintball: as armas do novo técnico do Porto

Getty Images
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Sérgio Conceição levou o Nantes da zona de rebaixamento ao sétimo lugar da Ligue 1


A novela finalmente acabou. Depois de quase duas semanas entre boatos e negociações, Sérgio Conceição é o novo técnico do Porto. Uma escolha que agrada a todos no Dragão.


Desde a má sucedida tentativa de contratar Marco Silva, que acertou com o Watford, Conceição surgiu como o principal nome entre os adeptos e a direção portista.


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E o sentimento foi correspondido pelo treinador. Formado na base do clube da Invicta e com duas passagens pelo time principal (1996/98 e 2003/04), o ex-jogador da seleção portuguesa jogou tudo ao alto para poder fechar com seu clube de coração.


Abriu mão de um contrato até 2020 com o Nantes e, num piscar de olhos, deu uma guinada em sua vida. Desde o início ficou claro que o acerto entre clube e técnico não seria problema. O mesmo não se pode dizer do time francês.


Acerto/FC Porto
Acerto/FC Porto

Portista de coração, Sérgio defendeu os Dragões em duas oportunidades


Com uma multa rescisória de 6 milhões de euros, o Nantes vendeu caro o acerto, e por isso a demora para concretizar o negócio. Chidozie, por empréstimo, e Kayembe, em definitivo, ambos atletas do Porto B, foram incluídos no negócio.


Mas o que esperar de Sérgio Conceição à frente dos azuis e brancos? Uma das suas principais qualidades é a gestão de pessoas. Na França, por exemplo, era muito querido pelos jogadores, o que ajudou na ascensão dos Canários da zona de rebaixamento ao sétimo lugar da Ligue 1, rendendo ao treinador o “título” de revelação da competição.


Costuma blindar o elenco. Restringe, por exemplo, o acesso ao vestiário em dias de jogos, limitando o espaço aos atletas, comissão técnica e staff. Não raramente briga pelos seus jogadores, seja com os diretores ou a imprensa, o que mostra a fidelidade com os seus comandados.


Para manter a harmonia do grupo, costuma propor atividades que vão além do futebol, como corridas de kart e paintball. Também gosta de convidar humoristas para realizarem shows de stand up na concentração. Tudo para unir o time e manter um bom clima.



Sérgio tem um forte temperamento. É intenso e sem papas na línguas. Tem o hábito de questionar com firmeza a arbitragem, principalmente nas entrevistas, o que poderá ficar em evidência em um campeonato repleto de erros, muitas vezes prejudicando o Porto, como aconteceu na última temporada.


Dentro de campo é possível imaginar um time compacto e vertical, com um estilo de jogo intenso. A tendência é explorar ao máximo os extremos do campo, inclusive no terço final.


Sérgio tende a usar o 4-4-2 em duas linhas, como no Nantes, ou o 4-2-3-1. Depende, claro, do elenco que terá à disposição, principalmente no que diz respeito às saídas.


É possível que ele dê mais espaço aos jogadores da equipe B, assim como uma nova chance aos que voltam de empréstimo. Até pelo fato da situação financeira impossibilitar o Porto de realizar grandes contratações.