Em dificuldades financeiras, Porto busca novo treinador

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Presidente do clube há 35 anos, Pinto da Costa vive a maior crise da sua gestão


Os nove dias sem técnico, desde a saída de Nuno Espírito Santo na segunda-feira da semana passada, criam uma espécie de agonia ao torcedor portista. Não apenas pela incerteza de como o time atuará dentro de campo, mas, principalmente, para saber como o clube se comportará fora das quatro linhas.


Não é segredo algum que o Porto vive um crítico momento financeiro. Na soma dos últimos quatro anos acumula um déficit na casa dos 109 milhões de euros, número que pode ser ainda pior porque não engloba o primeiro semestre deste ano.


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Diante de tal cenário, a direção portista já calculou que precisará gerar 112 milhões de euros com vendas de jogadores na próxima janela de transferências para conseguir cumprir o Fair Play Financeiro imposto pela UEFA.

Uma quantia que assusta, claro, mas que pode ser plenamente alcançada com a negociação de dois ou três titulares, além de jogadores emprestados, que são muitos, aliás. Aboubakar (Besiktas), Reyes (Espanyol), Martins Indi (Stoke City) e Marega (Vitória de Guimarães) lideram a lista dos atletas que poderão ser negociados em definitivo.


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Ex-jogador do Porto, Sérgio Conceição foi a revelação da Ligue 1 com o Nantes


Perder titulares talvez será a tendência dos três grandes na próxima Liga. O Benfica pode ver a sua defesa ser desmanchada com as saídas de Ederson, Lindelof e Nelson Semedo. O Sporting, por sua vez, talvez perca os meio-campistas Wiliam Carvalho e Adrien Silva. 


No caso dos Dragões, o que preocupa é o que virá após a tempestade financeira. O clube da Invicta terá condições de ser competitivo? O novo técnico será um bom termômetro para sabermos isso. Vale lembrar que a próxima temporada será vital para os portistas. Uma conquista nacional dos rivais encarnados significará a perda do título simbólico de único pentacampeão da história do futebol português, alcançado em 1999.

Desde o início Marco Silva era o favorito para assumir o cargo. Cabia ao Porto seduzi-lo, não apenas com um bom salário, mas também com um orçamento e planejamento interessantes. Marco deixou bem claro que sua intenção é ascender a um gigante do futebol inglês. Poderia ter os Dragões como trampolim, assim como fizeram José Mourinho ou André Villas Boas. Para isso seria necessário criar uma hegemonia em Portugal e beliscar uma boa campanha na Europa. Pelo jeito a proposta azul e branca não o convenceu de que isso seria possível e ele preferiu o Watford.


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Paulo Sousa já deixou a Fiorentina e pode ter o Dragão como destino


Sérgio Conceição e Paulo Sousa surgem como potenciais candidatos. O primeiro foi o técnico revelação da última Ligue 1, com o Nantes. Já o segundo levou a Fiorentina a um interessante quinto lugar da Série A 2015/16. Ambos com mercado na Europa e, embora não tão em alta como Marco Silva, precisam ser cortejados pelo Porto, ao menos com a garantia de um time forte e competitivo. 


Um degrau abaixo aparecem Pedro Martins, vice campeão da Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães, e Luís Castro, campeão da Segunda Liga com o Porto B em 2015/16 e que estava no Rio Ave. Bons técnicos e promissores (apesar de Castro já ter 55 anos), mas que encaram o desafio como um degrau acima na carreira.

Neste caso, não estariam preocupados com uma possível queda de investimento dos Dragões. Se contentariam com o que estivesse à disposição e talvez até se sentissem à vontade trabalhando com menos recursos. 

Dependendo de quem for o novo treinador, será possível imaginar como será a postura azul e branca a curto prazo. Afinal, parafraseando o ditado, diga-me quem te treinas, que te direi quem és...