Há 30 anos, o Porto pintava a Europa de azul e branco pela primeira vez

Getty Images
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A vitória por 2 a 1 sobre o Bayern garantiu o primeiro título europeu dos Dragões


27 de maio de 1987. Uma data histórica para o Futebol Clube do Porto. Em uma noite gloriosa na cidade de Viena, os Dragões bateram o Bayern por 2 a 1, de virada, e conquistaram pela primeira vez a Liga dos Campeões, troféu que inaugurou o acervo de títulos internacionais dos azuis e brancos.

Também se trata de um dia inesquecível para o futebol português. Desde 1964, quando o Sporting venceu a Recopa, um clube luso não lograva em um torneio continental. Vale lembrar que desde tal data, todas as taças internacionais de Portugal em competições de clubes foram levantadas pelo Porto: uma UEFA Champions League (2004), dois Mundiais de Clubes (1987 e 2004), duas Liga Europa (2003 e 2011) e uma Supercopa da Europa (1987).

O triunfo sobre os alemães significou a consolidação de Jorge Nuno Pinto da Costa à frente da presidência do clube, cargo que ocupa sem interrupções de 1982 até os dias de hoje. Foi sob a gestão do mandatário que o clube da Invicta deu um salto e tornou-se a principal força portuguesa das últimas três décadas.

Ao contrário do formato atual, naquela época a Liga dos Campeões era composta apenas pelos vencedores nacionais, sendo disputada em sistema de mata-mata desde a primeira fase, em jogos de ida e volta. A exceção, assim como hoje, era a grande final.



Apesar de ser o bicampeão nacional na época, o time do técnico Artur Jorge não estava entre os principais favoritos da competição. "Na época o futebol não tinha tanta visibilidade como hoje, ninguém sabia muito bem como era o time do Porto", explica Casagrande, que fez parte do elenco campeão europeu, para depois completar: "A equipe era muito boa. Foi surpresa para quem não conhecia, mas a gente sabia que era possível".


A caminhada portista teve início em 17 de agosto de 1986, com uma irretocável vitória por 9 a 0 sobre o Rabat Ajax, de Malta, com direito a quatro gols de Fernando Gomes, o maior artilheiro da história do clube. Na volta, em Valeta, um triunfo pelo placar mínimo, garantido com um tento de Sousa.


Na próxima fase o Porto fez sua primeira viagem à Cortina de Ferro no torneio, para enfrentar o Vitkovice, em Ostrava, na antiga Checoslováquia. Lá conheceu sua única derrota no caminho até o título, por 1 a 0. Placar revertido com um sonoro 3 a 0 no Estádio das Antas, com gols de André (pai do meio-campista André André), Celso e Futre, e direito a elogios de Artur Jorge. "O Porto foi uma equipe madura e adulta, completamente europeia, e que acabou eliminando outra grande equipe", disse o treinador à época.


Acervo/FC Porto
Acervo/FC Porto

O mágico calcanhar de Madjer fez história em Viena


Já nas quartas de final, o adversário foi o Brondby, que contava com figurinhas carimbadas da "Dinamáquina", como o goleiro Schmeichel, Morten Olsen (que depois treinou a seleção dinamarquesa) e Michael Laudrup. Vitória por 1 a 0 em Portugal e empate por 1 a 1 em Copenhague. O talismã Juary garantiu os Dragões na semifinal.


O Dínamo de Kiev, então campeão soviético e uma das potências europeias naquele tempo, foi o adversário na semifinal. Em um Estádio das Antas completamente lotado, triunfo azul e branco por 2 a 1, gols de Futre e André. Placar que voltou a se repetir na União Soviética, dessa vez com Celso e Fernando Gomes como marcadores.

"Quero dedicar esta vitória a todos os portugueses do futebol e a todos os portistas, já que defino este êxito como um triunfo de toda a nossa classe. Embora felizes, aqui e acolá, a verdade é que vencemos uma grande equipe, constituída por grandes senhores do futebol mundial", exclamou Gomes na ocasião.



A final colocou o Porto frente a frente com o Bayern, que, além do favoritismo, tinha a seu lado o "fator campo". Viena fica a 400 quilômetros de Munique, o que facilitou uma invasão de torcedores alemães ao Estádio do Prater, atual Enrst-Happel Stadion.

"Nós sabíamos que o Bayern era favorito. Nós não podíamos fazer nada quanto a isso. O Bayern tinha mais time, melhor elenco, mas nós tínhamos algo que eles não tinham: vontade de entrar para a história. E essa foi a diferença", revela Juary.

Foi dos pés do brasileiro que saiu o passe para Madjer marcar o antológico gol de calcanhar que empatou o duelo, aos 32 do segundo tempo. Dois minutos mais tarde, dessa vez recebendo uma assistência do argelino, Juary marcou um dos gols mais importantes da história do Porto e pintou a Europa de azul e branco pela primeira vez.