Porto: é preciso romper com o tiki-taka

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Óliver Torres foi um dos espanhóis que chegaram ao Porto com Lopetegui


Quando se fala em tiki-taka, provavelmente você pensa no Barcelona ou em Pep Guardiola. Foi o casamento bem sucedido entre clube e técnico que fez o mundo olhar com atenção para esse estilo de jogo, que serviu como mantra para um dos times mais vitoriosos da história.


O Porto também teve o seu tiki-taka. Após a Copa do Mundo de 2014, Julen Lopetegui chegou ao Dragão para implantar uma espécie de "barcelonização". O atual técnico da seleção espanhola, que curiosamente jogou com Guardiola no Barça, foi o responsável por uma drástica mudança na filosofia de jogo portista.


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Dentro de campo, os Dragões passaram a atuar no 4-3-3, com a linha defensiva bem avançada, apostando no jogo apoiado, baseado em triangulações e, claro, passes, muitos passes. Um modelo de futebol bastante horizontal.

Fora das quatro linhas, o planejamento de contratações sofreu drástica mudança. Houve uma "invasão espanhola", mas não ficou por aí. O clube da Invicta deixou de investir no futebol sul-americano, passando a mirar jogadores já formados em solo europeu.


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Lopetegui implantou uma espécie de "tiki-taka" no Dragão


Lopetegui ficou um ano e meio no Porto, sendo demitido na metade da sua segunda temporada, algo incomum no clube português. É bem verdade que em seu primeiro ano, embora não tenha conquistado título algum, a equipe apresentou um futebol vistoso em alguns momentos, chegando às quartas de final da UEFA Champions League. 

O espanhol foi substituído por José Peseiro, um "tampão" que ficou apenas seis meses no cargo. Tempo insuficiente para qualquer mudança de impacto. Nuno Espírito Santo, por sua vez, chega ao final do seu primeiro ano de trabalho sem conseguir dar uma identidade ao clube.

O reflexo disso é o time azul e branco ainda sofrer influência da experiência com o tiki-taka. É notório como o Porto, embora tenha domínio territorial e de posse de bola, sofre para jogar no terço final de campo.


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Felipe é a prova de que o futebol sul-americano rende bons frutos ao Porto


Em um campeonato como o português, em que, exceto nos clássicos, você costuma encarar times com uma postura defensiva, colocando um ônibus à frente do gol, é preciso ir além da troca de passes e de um jogo horizontal. Os inúmeros empates nesta Liga comprovam isso.


O Porto precisa ter um futebol mais intenso, com transições ofensivas mais rápidas e um jogo mais direto. Faz falta um meio-campista "box to box", por exemplo, que seja capaz de dar esse ritmo.


Já sobre a montagem do elenco, é preciso voltar a olhar com atenção para a América do Sul, que sempre cedeu bons jogadores e, consequentemente, grandes vendas aos Dragões. Felipe, contratado junto ao Corinthians por 6 milhões de euros (75% dos direitos econômicos) e que pode ser vendido na próxima janela de transferências por 30 milhões, não me deixa mentir.